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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 221

Nove meses havia se passado desde a tarde em que Isabella contou a Lorenzo que estavam esperando mais um bebê. Desde então, a fazenda havia ganhado um brilho diferente, um ritmo novo, como se até o vento soprasse mais leve. O amor que já transbordava parecia agora se multiplicar a cada dia.

Era início de outono, e o céu estava pintado em tons suaves de pêssego e dourado. As folhas começavam a cair devagar, forrando os caminhos da fazenda como um tapete rústico, e o ar fresco trazia consigo um cheiro doce de terra úmida e flores. A natureza parecia comemorar com eles a chegada de um novo capítulo.

Na varanda principal, Lorenzo estava de pé, com as mãos firmes no corrimão de madeira, olhando o horizonte com um sorriso que não conseguia conter. Seus olhos azuis, cheios de expectativa, brilhavam com uma intensidade única. Dentro da casa, sons abafados, passos apressados e vozes baixas enchiam o ambiente com aquela tensão gostosa que antecede um milagre.

E então, veio o som que ele esperava.

Um choro suave cortou o silêncio do quarto. Um som novo, puro, carregado de vida.

Lorenzo sentiu o corpo inteiro estremecer. As pernas, pesadas, o impulsionaram até a porta do quarto, onde parou por um segundo, respirando fundo antes de entrar. Ao abrir, seus olhos se encheram de lágrimas ao ver Isabella deitada, exausta, mas com um sorriso de pura paz, segurando um pequeno embrulho cor-de-rosa.

Ele avançou devagar, como quem tem medo de quebrar um instante sagrado. Se ajoelhou ao lado da cama, apoiando a mão na perna dela, e murmurou com a voz rouca:

— Meu amor… nós conseguimos.

Isabella olhou para ele com os olhos marejados, o suor ainda grudando nos fios de cabelo colados à testa. O sorriso dela era cansado, mas o mais lindo que Lorenzo já tinha visto.

— Conheça nossa filha, Lorenzo. — disse, com um sussurro quase inaudível. — Essa é a Helena.

O nome saiu como uma prece. Um sopro de vida.

Lorenzo levou a mão trêmula até o rostinho da bebê, tocando com a ponta dos dedos aquela pele macia, tão pequena, tão perfeita. Ele fechou os olhos por um instante, segurando as lágrimas, e quando os abriu, havia uma ternura infinita no olhar.

— Helena… — repetiu, com a voz embargada, como se experimentasse o som. — Bem-vinda, minha pequena.

Ele beijou a testa de Isabella demoradamente, respirando fundo, como quem precisava gravar aquele instante na alma.

— Você é incrível, Isa… — murmurou, ainda abraçando-a com cuidado. — Me deu tudo o que eu nem sabia que queria. Você me deu um lar… e agora, três filhos lindos.

Isabella acariciou o rosto dele com carinho, os olhos brilhando de amor.

— Não foi só eu, Lorenzo… nós construímos tudo juntos.

Pouco depois, a porta do quarto se abriu devagar. Aurora entrou na frente, com os olhos azuis arregalados e as mãozinhas inquietas, enquanto Benjamim vinha logo atrás, segurando forte o braço da irmã. Os dois tinham sido avisados que o bebê havia chegado, mas o coraçãozinho deles parecia não estar preparado para tanta emoção.

Aurora parou ao lado da cama, com os olhos fixos no pequeno embrulho no colo de Isabella.

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