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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 217

O sol da tarde dourava os campos da fazenda, tingindo o horizonte com tons de cobre e mel. O vento soprava suave, levantando pequenas nuvens de poeira que se perdiam ao longe, embalando o som ritmado dos cascos contra a terra batida. Lorenzo Velardi, imponente sobre o cavalo de pelagem castanha, trazia nos braços um pequeno tesouro: o filho Benjamin, que estava vestido como um verdadeiro cowboy em miniatura.

O menino, de bochechas rosadas e olhos curiosos, usava uma calça jeans minúscula que mal conseguia cobrir os pezinhos inquietos, uma camisa xadrez azul e branca que lhe dava um ar encantadoramente adulto, e na cabeça um chapéu de cowboy que insistia em deslizar para frente, quase cobrindo-lhe os olhos. Lorenzo ria baixo cada vez que o filho, com as mãozinhas gordinhas, tentava ajeitar o chapéu como se tivesse plena consciência de que aquilo fazia parte da sua “missão” de caubói.

Segurando o pequeno com firmeza, Lorenzo transmitia segurança. Seus braços fortes envolviam o bebê com naturalidade, mas sem perder a delicadeza de pai que sabia o quanto aquele corpinho ainda era frágil. Os olhos dele se iluminavam cada vez que Benjamin soltava um resmungo ou um balbucio, como se até o som mais simples vindo do filho fosse capaz de transformar todo o mundo em algo mais leve.

Ao lado, Aurora montava orgulhosa em seu potro malhado, o dócil Pingo. O animal era novo, mas tão manso que parecia entender a responsabilidade de carregar uma criança de apenas sete anos em seu lombo. Aurora vestia-se como uma pequena dama do campo: calça jeans bordada com flores delicadas que cintilavam sob o sol, uma camisa florida que realçava seus olhos vivazes e, nos pés, botas de couro que batiam levemente contra as laterais do cavalo quando ela se inclinava para frente. Sobre a cabeça, um chapéu quase grande demais para ela, mas que completava o visual da pequena vaqueira.

Seus olhos, enormes e cheios de ternura, estavam fixos no irmãozinho. Havia algo de mágico naquele instante: Aurora parecia compreender, mesmo tão pequena, a grandeza de ver o pai, tão forte, tão sério em outros momentos, deixando-se enternecer pelo bebê em seus braços.

— Papai, olha como ele está bonito de cowboy! — exclamou Aurora, a voz carregada de encantamento infantil.

Lorenzo voltou o rosto para a filha, e um sorriso rarefeito mas profundo despontou em seus lábios.

— Está, sim, minha princesa. — respondeu com aquele tom grave que sempre a fazia se sentir protegida. — E você também está uma verdadeira vaqueira.

Aurora ergueu o queixo, orgulhosa, ajeitando o chapéu com ambas as mãos, como se fosse a mais valente cavaleira daquelas terras.

Pingo caminhava em passos lentos, obediente, enquanto Aurora balançava levemente o corpo, mantendo-se firme como vinha sendo ensinada. Ela não tirava os olhos de Benjamin, observando-o balbuciar e bater palminhas contra o peito do pai, como se aplaudisse o simples fato de estar ali, sentindo o vento, o movimento e o calor da tarde.

— Ele gosta, papai… olha! — Aurora riu quando o bebê emitiu um gritinho de alegria, quase um canto, esticando os bracinhos para o céu.

Lorenzo ajeitou o filho, mantendo-o firme no colo e inclinou o corpo para frente, como se quisesse partilhar com o pequeno cada detalhe da paisagem que se estendia à frente: os campos vastos, a cerca que delimitava a propriedade, as árvores que balançavam preguiçosas ao longe, e até mesmo alguns pássaros que cortavam o horizonte em voo.

A cena, embora simples, carregava um simbolismo poderoso.

Era a imagem de um homem que havia atravessado tantas dores, tantas batalhas, encontrando um raro momento de paz ao lado dos filhos. Isabella, se estivesse observando da varanda, provavelmente teria o coração apertado ao ver a ternura estampada no rosto de Lorenzo. Ele, que tantas vezes se blindava contra o mundo, ali estava desarmado, inteiro, dedicado.

Aurora aproximou Pingo do cavalo do pai, e inclinou-se para esticar a mãozinha em direção ao irmão.

— Posso segurar ele um pouquinho? — perguntou com esperança.

Lorenzo riu baixo, balançando a cabeça.

— Ainda não, minha pequena. Ele é muito pequenino. Mas você pode dar um beijinho nele.

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