No dia seguinte Tyler saiu de casa cedo, tinha coisas a resolver e precisava resolvê-las antes do almoço, pois levaria Julie para almoçar, e depois para comprar um presente para Sara. Tyler buscou Julie na escola, em seguida a levou a um restaurante, ela só falava de Sara, do quanto havia gostado dela, e até sugeriu que qualquer dia saíssem os três juntos, ele não recusou, amava aquela garotinha e jamais a negaria algo. Ao fim do almoço, foram a um shopping que havia ali perto, caminhando pelos corredores, em busca do presente perfeito.
– padrinho, acha que consigo comprar algo com minhas três moedas? – ela perguntou o mostrando as moedas em sua pequena mão.
– poxa vida, você está pobrinha, no máximo vai conseguir comprar um pirulito. – ele disse em um tom divertido.
– tudo bem, vou comprar um pirulito pra Sara, aposto que ela vai gostar muito.
– vai mesmo gastar suas moedas com a Sara? – ele perguntou curioso, afinal Julie havia acabado de a conhecer.
– sim, eu gosto dela, ela é minha amiga agora.
– que bonito, pela sua bondade e carinho, vou comprar pra você um cofrinho e te dar as moedas que tenho em casa.
– oba, obrigada padrinho. – disse ela, então fez uma pausa encarando uma vitrine. – é aquele padrinho, o presente perfeito pra Sara. – disse apontando para um urso na vitrine.
– aquele? mas é tão grande e…tão rosa. – disse ele sem ter certeza que Sara gostaria, afinal Sara era uma mulher adulta e aquele urso mais parecia decoração de quarto de criança, mal sabia ele que, a criança interior dela amaria o presente.
– sim padrinho, ela vai adorar, o quarto de vocês vai ficar lindo.
– nosso quarto? – ele perguntou confuso, Julie era uma garota esperta.
– sim padrinho, casais casados dormem no mesmo quarto, meu pai e minha mãe dormiam juntos, eu lembro.
– ah…bem, Julie, cada casal é de um jeito, nem todos dormem juntos.
– então vocês não dormem juntos? – ela perguntou confusa.
– não, raio de sol, e está tudo bem, então é aquele mesmo? – ele perguntou mudando de assunto.
– é sim padrinho.
– é, vai ficar lindo no quarto da Sara. – disse ele um tanto incerto.
Dentro daquela loja, Tyler e Julie pegaram o tal urso, Julie também pegou uma luminária com uma rosa dentro, a qual ela deu a justificativa de que ficaria lindo no quarto sem graça de Sara, Tyle concordou, enquanto a assistia também escolher um urso para si mesma. Após saírem daquela loja, caminhando pelos corredores do shopping, Julie avistou algo mais, um vestido vermelho, tinha mangas bufantes, cintura marcada e uma saia soltinha, vendo que ela olhava fixamente para a peça, disse.
– raio de sol, esse vestido não serve em você, é de adulto.
– eu sei padrinho, compra pra Sara, vai ficar lindo nela. – ela disse sugestiva.
– querida, nem sei se Sara gostaria, e também não sei o tamanho que ela veste.
– que péssimo marido, não sabe nem comprar um presente para a esposa. – disse ela cruzando os braços, Tyler riu, em seguida disse.
– sem dúvidas você puxou sua mãe, sempre diz o que pensa, mas é verdade, raio de sol, não sei se ela gostaria e nem sei que tamanho usa, casamos a pouco tempo. – ele justificou.
– então confia em mim padrinho, vai ficar lindo ela, e aquele vestido cinza que ela estava usando ontem era feio e esquisito, deixa ela apagada.
– tudo bem perita de moda, vamos lá, mas se Sara não gostar vou por a culpa em você, já estou avisando.
– ela vai gostar sim.
A caminho de casa, Julie falava do quanto Sara gostaria dos presentes, Tyler escutava com atenção cada palavra e se perguntava se ela gostaria mesmo, afinal não conhecia Sara, sobre seu humor, gostos, hobbies, nada além de seu passado triste e sua família desgraçada. Quando chegaram a casa, informaram que Sara estava no quarto, que mal havia saído de lá, Tyler suspirou, mas não disse nada, não queria que a tensão de seus atos passasse para sua afilhada.
– vamos lá padrinho. – disse ela, o olhando segurar o urso em seus braços.
– vai você querida.
– padrinho, eu não vou conseguir carregar esse urso, ele é muito grande.
– ah é, então por que decidiu comprar um presente que você nem consegue carregar? – ele perguntou em um tom divertido.
– ue, mas o presente quem comprou foi você, para sua esposa, eu comprei apenas o pirulito. – disse ela o deixando sem palavras e sem graça, Julie era muito esperta.
– tudo bem, vamos lá. – eles seguiram juntos até o quarto de Sara, chegando lá, ele bateu na porta e a chamou. – Sara, Julie está aqui pra te ver. – rapidamente ele escutou a porta sendo destrancada, estava trancada, o que ele estranhou, mas logo entendeu ser insegurança da parte dela, quando a porta se abriu, Tyler viu o sorriso nos lábios dela, estava feliz por Julie estar ali novamente, a menina logo buscou os braços de Sara para um abraço.
– Julie, desculpe, ontem nem vi quando você foi embora, quando acordei já não estava mais aqui.
– tudo bem, você dormiu, olha Sara, meu padrinho comprou presentes pra você. – disse a garotinha puxando Tyler para dentro do quarto. – olha, é pra você.
– pra mim? – ela perguntou boquiaberta, a sensação de alguém em algum momento lembrar dela era surreal, tanto que seus olhos tomaram um brilho diferente, lágrimas de emoção, mas que ela não permitiu deixar rolar.
– sim…pra você, espero que goste. – Tyler disse em um tom baixo, enquanto entregava o grande urso a ela, que o pegou e abraçou.
– Você estava procurando seu dono? ele acabou de sair, mas tudo bem, eu brinco com você, mas só depois do café da manhã, você já comeu sua ração da manhã? – ele grunhiu em resposta, em seguida soltou a bolinha e latiu. – nossa que latido alto, mas acho que você não tá querendo ração e sim uma pãozinho, vem, vou pedir pra levarem o nosso café da manhã lá no jardim, mais tarde a gente brinca tá bom.
Após o café da manhã, Sara foi para a grande árvore que havia no jardim, nele tinha um balanço, que Tyler havia mandado colocar para Julie, Sara sentou lá e começou a balançar lentamente, precisava descansar um pouco antes, se brincasse com Rei naquele instante, provavelmente teria que correr e ficaria enjoada, o cachorro parecendo compreender, deitou-se ali a espera. Tyler voltou para sua casa, ao passar pelo jardim, viu Sara brincando com Rei, ela atirava a bolinha, ele corria para pegar, vez ou outra, ela apenas fingia jogar e depois corria, o cachorro quando percebia, corria atrás dela, Tyler vendo aquilo riu, mas então lembrou-se de que fazia dias que não brincava com seu cachorro, andava tão ocupado nas últimas semanas e os últimos dias, sabendo de tudo que havia acontecido com Sara, sua cabeça estava ainda mais cheia, Tyler suspirou, em seguida entrou na casa, precisava guardar alguns documentos em seu escritório.
Sara seguia brincando com rei, aquilo era divertido, revigorante, mas então escutou uma voz que fez todo seu ânimo morrer e seu coração quase parar, ao virar-se, lá estava ele, Loan, seu irmão, se aproximando em passos rápidos, com um sorriso pervertido no rosto.
– que bonita está hoje, em casa não costumava se vestir assim.
– o que está fazendo aqui, quem te deixou entrar? – Sara perguntou assustada, pensava que estaria a salvo de seu irmão, no entanto, lá estava ele.
– o segurança, por que não deixariam o cunhado do dono da casa entrar, não é?
– vai embora. — ela pediu assustada.
– não, eu falei pra você dar um jeito de não casar com esse idiota, você devia estar em casa, sendo minha.
– você é doente, eu sou sua irmã. – ela disse com lágrimas nos olhos, Rei vendo a tensão, começou a latir e rosnar.
– bem mais gostoso assim, não acha, o proibido?
– seu estuprado imundo, vai embora daqui ou vou gritar. – disse ela, mas lhe faltava a voz até para falar, por sorte, os latidos de Rei chamaram atenção de Tyler, que pela janela do escritório viu a cena, de imediato, ele foi em direção ao jardim, o vendo puxa-la pelo braço, enquanto Rei avançava nele tentando o morder, mas ele esquivava.
– solte ela. – Tyler esbravejou, Loan assim fez, Sara logo correu até Tyler, com o rosto banhado de lágrimas e se agarrou a ele em um abraço cheio de medo. – fique calma, eu vou resolver isso, vá para o quarto. – ele pediu, então a viu entrar correndo na casa. – seu maldito, quem te deixou entrar?
– o segurança, calma Tyler, eu só vim visitar minha irmã. – disse ele fingindo normalidade.
– seu maldito desgraçado, acha que não sei o que fez com ela, seu prevertido maldito.
– que…eu não fiz nada, até fui contra esse casamento sem sentido.
– por que? queria que ela continuasse em casa para continuar a estuprando. – disse Tyler se aproximando com fúria, Loan não teve nem tempo de esquivar, foi atingido por um soco violento que o fez cair no chão, Rei vendo aquilo, avançou em Loan, logo Tyler deu a ordem. – vai Rei, mostra pra ele que você é um bom cão, sem demora o cachorro avançou na perna de Loan o mordendo com força, Loan gritou de dor tentando se esquivar, mas não conseguia, Rei era grande e forte, Tyler vendo que caso deixasse, o cachorro faria um trabalho efetivo e certeiro, agarrou Loan pela camisa, a perna de Loan sangrava, o braço e o rosto também. – você vai sair daqui, mas escute bem, o que é seu está guardado e não vai demorar pra chegar.
– por favor Tyler…tenha piedade. — ele clamou em desespero.
– desconheço essa palavra, e se não vou lhe matar aqui mesmo, é por que Sara já está traumatizada demais, não quero que ela tenho o desprazer de ver o maldito irmão estuprador morto no jardim onde enfim ela encontrou um pouco de paz. – ele disse entre dentes, em seguida largou Loan no chão, ele levantou-se e mancando buscou sair dali, mal sabia ele que não iria muito longe, pois logo em seguida Tyler pegou seu celular e deu ordem para que alguns de seus homens o seguissem para que pudessem o pegar e leva-lo até o local onde Tyler poderia botar em prática todas as atrocidades que havia pensado para Loan.

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