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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 102

O escritório de Henrique cheirava a bourbon caro e irresponsabilidade. Gustavo fechou a porta atrás de si, mas a paz durou menos de um minuto.

- O que significa essa palhaçada, Gustavo? - Henrique arremessou a pasta de couro contra a mesa, fazendo relatórios de segurança se espalharem como cartas de um baralho. - Aprovação sua para acessar meus arquivos? Novos protocolos de segurança? Você enlouqueceu?

Gustavo permaneceu imóvel, mãos nos bolsos do paletó. Cada frase do irmão escorria previsível, como um roteiro ruim já encenado demais.

- Significa que, nos últimos seis meses, a LuxeBelle lançou três produtos com notas-base idênticas às nossas, sempre semanas antes dos nossos lançamentos. Alguém está vazando informações. - Sua voz era plana, polida pela calma perigosa. - Os novos protocolos são para proteger a empresa. Não o seu ego.

- O meu ego? - Henrique deu uma risada áspera, avançando. O perfume amadeirado que usava parecia uma tentativa de disfarçar caráter. - Você quer é o meu lugar! O filho da amante tentando sentar na cadeira do herdeiro legítimo. Pode esquecer.

Gustavo não piscou. A velha ferida já não sangrava; era apenas parte da paisagem - como a cor dos olhos, ou o formato da mandíbula.

Henrique se aproximou até deixarem de existir espaços entre as suas respirações.

- Se esta empresa falir - cuspiu - o dinheiro do meu avô sustenta quatro gerações de Riccis. Você pode pegar seu jatinho e voltar para a capital, onde ninguém sabe da sua… origem vergonhosa.

Algo estalou dentro de Gustavo - não pelo insulto, mas pela cegueira monumental. Pela arrogância confortável de quem nunca precisou encarar consequências.

Ele se inclinou. A voz baixou, um fio metálico que cortava mais do que grito.

- A Essência não é seu cofre pessoal, Henrique. - Cada palavra vinha precisa, gelada. - É o sustento de centenas de trabalhadores: químicos, vendedores, motoristas, agricultores. Gente que depende desta empresa para viver. Famílias inteiras. Algo que você não enxerga quando está ocupado demais contando quantas gerações seu dinheiro vai bancar.

Henrique estreitou os olhos. A fúria cedeu espaço a algo ainda pior: rancor silencioso.

Era o suficiente. Não havia mais conversa ali.

Gustavo se virou e abriu a porta com tanta força que ela bateu contra a parede num estrondo seco. Não olhou para trás.

O impacto ecoou pelo andar inteiro, vibrando no piso e nos ossos de quem esperava.

***

O andar executivo da Essência Cosméticos era amplo, cheio de posters de campanhas icônicas, iluminado por spots de luz fria que pareciam examinar cada visitante em busca de imperfeições. Marina se sentiu menor a cada passo que dava ao lado de Clara.

- Anda logo - sussurrou a irmã, puxando-a pelo braço. - E para de olhar para tudo como se fosse um museu. Você está me deixando nervosa.

- Eu só estou... apreciando a arquitetura.

- Você está com a boca aberta.

- Estou impressionada.

Clara ia rebater quando uma porta no fim do corredor se abriu com violência.

Um homem saiu de dentro como um furacão de terno escuro. O rosto fechado, a mandíbula travada, os olhos verdes - aqueles olhos verdes - fixos à frente como se não visse ninguém ao redor. Sua presença era tão intensa que as pessoas encostavam nas paredes para abrir passagem, como se ele fosse uma tempestade que ninguém queria enfrentar.

Marina reconheceu na hora.

A respiração travou.

O homem do sedã preto. O arrogante. O dono daquela voz fria que a tratou como um inseto.

- Aquele ali - ela sussurrou, agarrando o braço de Clara - foi o carro dele que quase me atropelou.

Clara seguiu seu olhar e empalideceu.

- Marina, pelo amor de Deus, abaixa a voz. Aquele é o Sr. Gustavo. O novo gerente geral.

- O novo o quê?

- O filho bastardo que voltou para causar confusão. - Clara a puxou para o lado, falando baixo. - Ele chegou há algumas semanas e já está mudando tudo. Reuniões às seis da manhã, novos protocolos, cortes de gastos. Todo mundo tem medo dele. - Ela apertou o braço da irmã com força. - Então, por tudo que é mais sagrado, fica longe do caminho dele.

Marina quis dizer que não era ela quem precisava ficar longe - era ele. Mas a imagem do homem sumindo no elevador, ainda com a fúria estampada no rosto, a deixou em silêncio.

- Vamos - Clara disse, puxando-a novamente. - Tenho que entregar uns documentos na sala do diretor antes de te levar no RH.

- Diretor?

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