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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 2

Prólogo

O aeroporto parecia mais iluminado do que o normal - ou talvez fosse apenas o brilho insuportável de Eduardo e Vivian. Eles se moviam pelo saguão como uma única entidade radiante, mãos entrelaçadas, pele dourada pelo sol, carregando a aura presunçosa de quem descobriu o segredo da felicidade eterna. Um mês de lua de mel e voltavam como se tivessem sido redesenhados por dentro, transbordando aquela paz que só o amor verdadeiro concede aos seus eleitos.

Gustavo encostou-se no carrinho de bagagens, permitindo que um sorriso amargo se curvasse em seus lábios.

Nunca tinha acreditado em amor de verdade.

Para ele, o amor era um risco calculado que invariavelmente terminava em perda. Uma equação cujo resultado final era sempre negativo. Mas ver aqueles dois… por um instante fugaz, fez seu ceticismo rachar.

Vivian soltou uma risada cristalina quando Eduardo a puxou pela cintura, como se o mundo fosse seu playground privado.

- Viva o amor! - Gustavo cravou, o tom levemente ácido, enquanto abraçava os dois num gesto que lhe pareceu uma performance.

- Um dia você encontra alguém assim, Gustavo - Vivian piscou, cheia de uma esperança ingênua que lhe partiu o coração.

Ele riu, um som seco e oco.

Amor? Não para ele.

Algumas pessoas nascem para brilhar sob o sol do afeto. Ele nascera para sobreviver às suas queimaduras.

Dentro do carro, o banco traseiro era um festival de beijos roubados, mãos entrelaçadas e promessas sussurradas que ecoavam como um eco distante e doloroso. Gustavo focou na estrada, tentando ignorar o nó de isolamento que se apertava em seu peito. Até que o celular, repousado no suporte, vibrou como um alerta de bomba.

O nome na tela fez o ar sair de seus pulmões: "Vovô Ricci".

Seu avô não ligava. Nunca. Suas comunicações eram restritas a e-mails formais e mensagens de texto espartanas. Um telefonema, fora do horário comercial, era um desvio protocolar que anunciava o caos.

- Pode atender, cara - disse Eduardo, sua voz abafada pelo cabelo de Vivian.

Gustavo engoliu em seco. O simples toque do dedo na tela sentiu-se como para assinar uma sentença.

- Gustavo. - A voz de Ricardo Ricci era um sibilo cansado, mas com uma lâmina de aço por trás. - Você precisa voltar para Pedra Negra. Imediatamente.

O coração de Gustavo parou. Voltar. A palavra ecoou em sua mente como um golpe. Voltar para a cidade que sussurrava seu nome como uma maldição. Para a mansão fria de pedra que testemunhou sua queda. Para o irmão que o via como um fantasma indesejado e para o avô que o exilou com o mesmo peso com que agora o puxava de volta.

- A Essência está à beira do colapso - a voz do avô cortou como uma faca, referindo-se ao império de cosméticos que era a alma da família. - Seu irmão… - Uma pausa carregada de desprezo. - Henrique cometeu um erro. Um erro catastrófico. E você é o único que pode consertar a bagunça que ele fez.

Ele olhou pela janela. O céu, antes ensolarado, agora estava encoberto, tingido de cinza.

- É uma ironia digna das tragédias gregas, não é? - sussurrou, mais para si mesmo.

Vivian se inclinou para frente, tocando seu ombro.

- Você não é obrigado a ir, Gustavo. Você construiu sua própria vida longe deles.

Ele virou-se para olhar para ela, e pela primeira vez, permitiu que ela visse a tempestade de dor e dever em seus olhos verdes.

- É aí que você se engana - ele disse, a voz agora estranhamente calma e fatalista. - Alguns laços não são cortados, são apenas enterrados vivos. E o meu… o meu acaba de ser desenterrado.

Ele ligou o carro e pôs a mão na alavanca de câmbio, seus nós dos dedos brancos de tanto pressionar.

- Eles não estão me pedindo. Estão me ordenando. E voltar não é uma escolha - ele finalizou, encarando a estrada à frente como um homem marchando para seu próprio julgamento. - É a minha condenação.

E no fundo de sua mente, uma única verdade ecoava, mais aterrorizante que todas as outras: ele não estava voltando como um salvador. Estava voltando como uma arma. E Pedra Negra, com seus segredos enterrados e rivalidades tóxicas, não tinha ideia do fogo que estava prestes a acender.

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