Flores sempre são para alguém.
Mas o som dos passos de Noah no mármore do hall parecia anunciar outra coisa.
Ele não sorriu quando nos viu, nem ajeitou o paletó como sempre fazia.
Suzanna e eu paramos.
Noah segurava o buquê com firmeza e parou a poucos metros de distância.
Eu sabia que era um pedido de desculpas para mim, Suzanna parecia acreditar que eram para ela, e a voz de Noah soou firme.
— Marina.
A governanta apareceu poucos segundos depois, cabeça baixa, passos que não emitiam nenhum som e a expressão de quem ainda não tinha percebido que a escravidão havia acabado há séculos.
— Use essas flores para decorar a área da piscina. Vamos receber alguns convidados. Garanta que tudo esteja perfeito, selecione as melhores funcionárias para servir.
Noah entregou o buquê para as mãos de Marina sem nenhum tipo de protocolo.
Dei risada.
As flores não pertenciam a nenhuma mulher naquela casa. Elas pertenciam à decoração.
Romantismo não tinha espaço entre aquelas paredes e Noah fazia questão de me mostrar isso dia após dia.
Mas foi bom perceber a frustração na cara pálida de Suzanna.
Noah passou por nós sem demonstrar interesse real nenhum, mas os olhos pararam no colar que a minha irmã estava usando.
Ele fechou o punho e seguiu para o escritório.
Apenas caminhou como quem não tem pressa alguma, porque já conquistou tudo o que precisa.
Esperei que a porta se fechasse antes de provocar Suzanna.
— Gostou das flores?
Ela puxou o ar antes de me responder.
— Não preciso de flores, afinal nós duas sabemos que eu tenho algo bem mais valioso do que plantas mortas.
Suzanna ajeitou o colar de safira antes de devolver a provocação.
— Ele é tão focado, não é? Sempre pensando na imagem da nossa família.
Não respondi. Dar a ela o prazer de uma discussão ou de um olhar de derrota era tudo o que eu não precisava naquele momento.
Fui para a varanda e observei Marina e os outros funcionários espalhando as flores pela área da piscina.
As pétalas coloridas agora eram apenas detalhes em cima das mesas de vidro. A casa estava sendo preparada para alguém, mas eu sabia que jamais seria para mim.
Acabei me envolvendo nos preparativos. Precisava ocupar a minha mente.
— Posso fazer algo, Marina?
— Não, senhora Blanc. Está tudo sob controle.

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