Eu não conseguia gritar e achei que fosse o fim de um sonho pequeno demais para se defender sozinho.
— O que pensa que está fazendo?
A enfermeira explicou com tranquilidade, parecia também não conhecer Jordan Blanc.
— É algo da paciente? Ela está bem. Vamos fazer o medicamento e o psiquiatra está acompanhando. É normal que ela se sinta assim depois do trauma.
Jordan ignorou a mulher e me soltou. Abracei o meu sogro pela primeira vez.
— Eu estou grávida.
Senti a respiração dele mudar. Fui tirada da maca nos braços dele.
Entendi naquele instante que genética realmente tem peso.
Noah era exatamente assim, protetor e silencioso. A felicidade dele era mostrada em gestos, nunca em palavras.
— Vou te levar para casa, Aurora.
Estava com a cabeça no ombro de Jordan, apavorada com tudo, mas disposta a qualquer coisa.
— Quero ver o Noah.
— Vou dar um jeito para o meu filho voltar para casa, Aurora.
— Alguém entrou aqui e levou a Suzanna. Ele tentou…
Jordan me interrompeu.
— É o amante dela. Foi pego tentando sair do hospital com Suzanna em uma moto.
— Moto?
— Sim, ele colocou ela na frente e estava tentando amarrar o corpo dela ao dele. Por isso quando não te achei no quarto eu vim correndo.
— Então ele está preso?
— Está, Aurora. É só questão de tempo. Ele vai confessar e Noah vai voltar para casa.
A voz do meu sogro estava tão segura que me senti confiante por alguns instantes.
Jordan saiu comigo no colo, ninguém ousou questionar.
As pessoas nos olhavam, mas disfarçavam.
Aquilo começou a me incomodar; se Noah ficasse sabendo poderia pensar besteiras como tinha acontecido com Erick.
— Pode me pôr no chão, por favor?
— Não.
Jordan me colocou no banco de trás do carro e só então reparei em uma mulher com aparência tranquila que caminhava ao nosso lado.
Ela se sentou no banco de trás comigo. Meu sogro ficou na frente ao lado do motorista.
A loira não olhou para mim, mas esticou a mão e acariciou o braço de Jordan.
Entendi que aquela era a madrasta de Noah.
Com ela, Jordan Blanc parecia uma criança. Não havia arrogância; o homem temido por todos parecia cativo. Ela também não parecia saber o poder que tinha sobre o companheiro. Estava ocupada vivendo sua própria prisão.
Minha mente vagou naqueles pensamentos.
Achei que pessoas com aquela idade já não vivessem o amor com intensidade, que aos poucos se tornasse só convivência e não mais fogo.

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