Deixei um pedido de ajuda gravado no tempo. Sabia que ele assistiria o vídeo milhares de vezes, mesmo que fosse para conseguir me odiar.
Embarquei com o coração pulsando na garganta.
E enquanto tentava me convencer de que estava fazendo tudo certo, olhei pela janela do avião.
Noah estava correndo como um louco. Seguranças atrás dele, viaturas, mas ele continuava correndo atrás do avião.
— Noah!
Fiquei em pé apesar dos pedidos da aeromoça. Erick também desacreditou quando olhou e viu Noah ser detido no meio da pista de decolagem do aeroporto internacional.
Tentei descer, parar o avião.
Queria dizer que o amava, mas meus gritos foram ignorados e o avião decolou.
Erick me convenceu a sentar e colocar o cinto.
— Calma. Volta comigo na ponte aérea.
— Acha que ele vai me esperar?
— Claro que vai, ele estava correndo atrás de um boeing, te esperar é molezinha.
Dei risada apesar da angústia e durante o voo eu dormi tranquila com a certeza de que em breve contaria ao meu marido que estávamos esperando um bebê.
Não aconteceu. Assim que descemos do avião, o celular de Erick tocou.
— Alô?
— Avise a Aurora que o fato de Jordan Blanc ter conseguido pagar a fiança não significa que ela não precisa mais de mim. Ou ela segue o plano e desaparece ou eu dou um jeito de sumir com as provas de uma vez por todas.
Eu não precisava ser avisada de nada. Erick tinha colocado o aparelho no viva-voz. Aquele aviso acertou em cheio as minhas esperanças e eu simplesmente segui.
Erick e eu nos despedimos.
Embarquei para a Colômbia. Um presente de Suzanna, o destino tinha sido escolha dela.
Fui até o endereço do homem que me abrigaria. A teoria era de que estava tudo arranjado.
— Entre, moça bela.
O sotaque era carregado, mas o inglês perfeito.
— Obrigada, minha irmã disse que iria me ajudar.
— Sim, vou te ajudar.
O homem de cabelos escuros e olhar pesado continuou andando em torno de mim enquanto falava com um sorriso estranho.
— O senhor pode parar de andar, por favor? Estou ficando tonta.
— Estou avaliando o negócio. Suzanna disse que você traria menos clientes do que ela trouxe quando ficou comigo, mas honestamente acho que tem mais potencial do que ela.
Antes que eu conseguisse entender o que estava acontecendo o colombiano esticou a mão e tocou o meu seio. O aperto me fez gritar e empurrar o homem para longe.
— O que acha que está fazendo?
— Não sou prostituta, não vim aqui para isso. O acordo era um local para dormir e nada além disso.
— Está me achando com cara de hotel, menina? Todos pagam para estar na minha casa e se não colaborar vai voltar para o seu país com a imigração.
Com certeza aquela era a primeira vez que ameaçavam uma americana de voltar para casa. A situação seria cômica se não fosse terrível.

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