Ele não respondeu, mas seus pensamentos estavam focados nas palavras do irmão. O fato de Ícaro reconhecer algumas de suas competências era um ponto que não esperava. Na verdade, imaginava que ele exerceria toda a sua autoridade para diminuí-lo. No entanto, isso poderia se tornar um caminho para que voltassem a se comunicar como irmãos.
Era uma possibilidade. Pensou.
Um sorriso torto, zombeteiro, cruzou seus lábios. Ícaro e Alberto sempre foram muito transparentes para ele. Como sua mãe faleceu dando a luz ao filho mais novo do casal, Vitório se tornou essencial para o pai no cuidado e atenção aos irmãos mais novos. Portanto, era fácil para ele ler o comportamento, o olhar e as expressões de ambos.
E nesse momento, Ícaro estava incomodado com algo. Muito incomodado.
Seu irmão apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos.
— Agora... sobre o seu possível casamento com a Lucy.
O sorriso de Vitório esvaiu-se, transformando-se em uma linha rígida. Então era isso? Quem ele pensa que é para se intrometer na vida privada dos outros assim?! Pensou, irritado. Por acaso, Ícaro estava perdendo a noção?!
— Não me diga que essa expressão indigesta no seu rosto é porque não quer que eu me case com a sua “amiguinha” de infância. – Vitório sentiu seus músculos tencionarem, encarou Ícaro com o sobreolho levantado. - Lucila é minha noiva, irmãozinho. Em poucas semanas, será minha esposa. Aceite isso e siga em frente.
— Eu não vou fingir que isso me agrada. Você não é o que Lucy precisa, nem de longe. — Icaro disse, direto. — E você sabe muito bem os motivos. Primeiramente, você não ama a Lucila. – ele afirmou com convicção hostil. - Está se casando com ela por dever, por orgulho, e por redenção. Mas ela não é uma moeda de troca, você a viu crescer e sabe o quanto ela é frágil.
Vitório se ergueu devagar, cada gesto carregado de ironia, como se saboreasse o gosto da provocação.
— E desde quando você se tornou o guardião dos sentimentos dela, Ícaro? — ele escarneceu. — Está parecendo um desses herois de novela piegas. – Vitório o perfurou com o olhar, enfiando a mão no bolso de sua calça. - Ou seria outra coisa? Está tentando me dizer que você é esse homem perfeito para ela?
Ícaro caminhou até ele num rompante. A tensão era elétrica, Vitório cerrou os punhos, pronto para qualquer investida. Os Darius costumavam resolver seus problemas de família aos socos, fosse no tatame, ou em qualquer outro lugar.
— Cuidado com o que diz, Vitório. — rosnou. — Eu jamais atravessaria essa linha. Mas se você machucar Lucila... pode esquecer que um dia foi meu irmão, e eu faço questão de arrebentar essa sua cara arrogante. – Ícaro cruzou os braços na altura do peito, suas sobrancelhas se unindo, muito semelhante a Vitório. - Eu a considero como uma irmã mais nova. Ela é importante demais para mim, para todos nós. E diferente de você, eu sei o valor que ela tem.
Vitório se aproximou devagar, até estar frente a frente com Ícaro. O sorriso voltou, ainda mais frio, cínico, calculado.

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