Vitório
A raiva se dissipou no momento em que ele viu o olhar daquele anjo no espelho. Seu corpo pequeno, trêmulo, abraçando a si mesma com tanta vulnerabilidade. Vitório quis envolve-la em seus braços, abriga-la completamente sob a sua proteção e acariciar seus belos cabelos negros como a noite enquanto dizia que tudo ficaria bem.
No entanto, refreou essa vontade e a enterrou bem fundo, onde ela não pudesse traí-lo.
Lucila fechou os olhos depois de dizer que precisava de ajuda com o vestido, era como se ela esperasse que ele se negasse a ajudá-la. E por um instante ele pensou em chamar uma empregada discreta, talvez alguém da casa Drumond. Mas a expressão de abandono impressa naquela menina, revirou seu interior.
Vitório lutou para fechar os olhos para aquilo.
Ele lutou bravamente, porque sabia que suas batalhas estavam apenas começando.
O cheiro de Lucila acendia seu desejo, instigava seu desejo de possuí-la. Vitório analisou seu belo rosto pelo reflexo quando ela notou sua proximidade, a surpresa estampada em suas lindas safiras azuis, a boca em forma de coração entreaberta.
A pele dela era um convite ao seu toque, para sentir, apreciar, adorar. Suave, leitosa, perfeita.
Vitório puxou o ar ruidosamente, tentando se lembrar de que Lucila se casou com ele por um capricho de menina, mas era Ícaro quem fazia o coração dela pulsar mais rápido.
Essa era a única explicação plausível para o que viu naquela sala horas atrás.
“Ela se casou comigo porque não teve coragem de confessar seus sentimentos para o Ícaro. Porque não suportaria a possibilidade de não ser correspondida.” Pensou, seu indicador terminando a trilha de botões do vestido dela.
Seu maxilar cessou irritado, mas pelo menos agora ele conseguia afogar essa vontade de tocá-la, beijá-la, até se perder entre seus cabelos negros, entre seu cheiro maravilhoso.
Os dedos de Vitório começam a desabotoar a fileira de botões encapados em seda. A pele da nuca dela se revelou lentamente, a cada botão ficava mais difícil não encostar nela.
Aquele corpo perfeito estava ali a menos de um centímetro, ele podia sentir seu calor, o respirar profundo dela, o desvelar de algo imaculado.
Vitório percebeu que se não terminasse aquilo logo, poderia cometer uma loucura irremediável. Terminou de abrir o vestido rapidamente. Mas no último botão, seus dedos tocaram as costas dela por um momento.
A corrente elétrica que passou por seu corpo, foi idêntica a um curto circuito. Ele retirou as mãos rapidamente, e caminhou para a porta.
- Eu te espero aqui fora. Se precisar de mais alguma coisa, bata na porta, eu chamarei sua mãe ou alguém que trabalha para sua família para te ajudar.

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