Seus olhos o acompanharam, o som da porta se fechando atrás dele reverberou dentro dela. As lágrimas despencaram, quentes, pesadas, cheias de palavras que ela não conseguia pronunciar.
O coração dela apertou-se.
Vitório acabou de deixar claro com essa atitude, que não sentia nada por ela, e que não pretendia dividir o quarto com sua esposa. Os joelhos dela cederam, Lucila não se importou quando seu corpo bateu no chão de madeira. Suas mãos cobriram seu rosto molhado, e ela soluçou se sentindo miserável.
Como foi tola em pensar que ele consideraria esse casamento como um compromisso verdadeiro e sagrado. Ele nem mesmo conseguia ficar perto dela.
Por um instante pensou que podia se aproximar dele com um sorriso, mas quando o beijo na piscina veio à lembrança, a reação dele depois do que aconteceu, demonstrou que ele a via como uma criança, e isso a magoava profundamente.
Lucila se encolheu em posição fetal, e ali ficou apertando o próprio corpo acolher a si mesma. Ela sabia que não era o tipo dele, sabia que Vitório não olharia para ela como mulher tão facilmente. Ele estava acostumado a mulheres lindas e exuberantes, tudo o que ela não era.
Mas não esperava por uma distância quase intransponível assim.
Alguém bateu na porta depois de um tempo, mas as palavras em italiano só a afundaram ainda mais em sua vergonha. Não queria que ninguém a visse desse jeito, sabia que estava deplorável, e se alguém relatasse aos seus pais, eles ficariam preocupados com ela.
Vagarosamente, ela se levantou do chão, e limpou o rosto com as costas das mãos. A aliança brilhou, iluminada pelos últimos raios de sol, ela a retirou e leu sua inscrição bem devagar. “No silêncio, te escolhi”
A frase que encheu seu coração de esperança e fez sua alma vibrar, nesse momento parecia sem sentido. Pois Vitório não a escolheu, foi ela quem o escolheu para ser o seu marido.
Ele não teve escolha.
Lucila caminhou até a janela e olhou lá para baixo. O sol cobria os campos de trigo com sua luz pálida, os deixando com o aspecto de linhas com ouro pulverizado. O calor do astro rei não a atingia, nunca esteve tão frio dentro dela como nesse momento.
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