Dez anos depois...
Lucila
A manhã de primavera morna começou com uma leve brisa. A mulher pequena, delicada, com um vestido branco florido, esvoaçante, se sentou na cadeira de vime do jardim da enorme mansão.
Lucila Drumond Darius, era a senhora de uma casa onde deveria haver sorrisos e gritos infantis, mas os ecos do silêncio eram sua única companhia. Aos vinte e oito anos, ela era formada em artes plásticas e agora coordenava o Instituto Mãos Ativas. Esse se tornou sua válvula de escape para todo o abandono e solidão.
Trabalhar cercada de crianças era o seu único prazer nos dias atuais. Elas arrancavam sorrisos dela, mesmo nos dias mais difíceis, quando seu coração afundava no vazio.
As únicas pessoas que sabiam de seu destino cruel e infeliz, eram suas cunhadas. Primeiro foi Amélia que soube de sua situação degradante, naquele dia horrível quando Vitório saiu de casa, e ela desmoronou. Um tempo depois Sam chegou na família, uma mulher forte e determinada que dobrou Alberto como se ele fosse um cachorrinho fofo, e não o empresário austero e temido por toda parte.
Elas eram amigas e através delas, Lucila vinha resistindo a essa dor silenciosa e esmagadora.
As páginas do livro de poemas em suas mãos pequenas tinham a textura que ela gostava, de papel antigo. Um clássico que já tinha lido uma infinidade de vezes, e mesmo assim ainda tocava seu coração.
Ela levou o copo de chá gelado aos lábios, o sabor do pêssego e as folhas de chá preto inundaram seu paladar. A senhora Darius era diferente do esperado até nesses mínimos detalhes. Como Vitório, seu marido, gostava de pontuar, seu gosto não acompanhava as damas da alta sociedade, na verdade beirava a infantilidade.
Um sorriso triste cruzou seus lábios.
O casamento entre a família Drumond e a família Darius teve seu êxito, como esperado. A Acrópole se fortaleceu rapidamente sob o comando de Ícaro, a gestão de Vitório e de Alberto contribuíram diretamente para que o sucesso se tornasse efetivo. Agora a holding era mais sólida e mais abrangente do que antes.
Otávio faleceu apenas alguns meses depois do casamento dela com Vitório, e isso contribuiu para que ele ficasse ainda mais duro. Foi uma perda muito triste, pois Ícaro estava prestes a se casar, e sua noiva, aquela mulher, não quis adiar o casamento.
Infelizmente, Ícaro se deixou levar e se casou com Astrid Kutiski. O casamento deles foi muito bem por um tempo, mas logo Astrid mostrou quem realmente era. Ela mantinha um amante há muito tempo, e engravidou desse homem.
Lucila olhou para o anel de diamante azul em seu dedo. Há muito tempo, ela também sonhou com um amor assim. Sonhou em dividir cada momento de seus dias com Vitório, nessa casa. Ela planejou, idealizou e decorou cada parte desse lugar; na esperança de mostrar ao homem que amava, que ela era uma boa esposa.
Mas nada disso aconteceu.
As palavras de Vitório naquela fatídica noite que deveria ser a lua de mel, ainda queimavam em sua garganta e feriam o seu coração. A rejeição foi um golpe cruel e inesperado, Lucila sentiu seus olhos marejaram, ainda olhando para o seu anel de casamento.
Depois daquela noite amarga, não houveram mais toques suaves, nem abraços calorosos, muito menos beijos arrebatadores.
Durante a estadia na Toscana, eles praticamente nem se viram. Lucila não conseguia olhar para ele, se sentia tão miserável, tão tola, e diminuída. Os caseiros da vila se preocuparam quando ela se recusou a sair do quarto para se alimentar e também se negou a receber as refeições. Eles devem ter falado com Vitório, porque ele bateu em sua porta duas noites, perguntando se ela estava bem.
Lucila só respondeu que se sentia indisposta, mas que desceria para o café da manhã.

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