O som de passos vindo em sua direção a tiraram de seu devaneio profundo.
Lucila levantou a cabeça, e encontrou as duas figuras que sempre traziam conforto aos seus dias cinzentos. Mel e Sam.
Elas se aproximaram entre risadas, possivelmente provocando uma a outra sobre algum assunto em comum. Quando viram que Lucila se levantou para recebê-las, elas olharam para ela com sorrisos genuínos.
- Lucy! – Sam chamou já correndo na direção dela. – Ai que saudade!
Lucila foi envolvida em um abraço apertado que quase a derrubou. Sam estava viajando com Alberto e sua filinha, Otávia. Ficaram fora por quase um mês e agora que estavam de volta, a primeira visita foi para ela.
- Meu Deus, você parece um polvo, Sam! – Mel ralhou. – Vai sufocar nossa Lucy.
Sam a soltou, mostrando a ponta da língua para a prima e cunhada.
- Você só está com inveja, porque não foi a primeira a abraça-la. – Sam respondeu com uma falsa expressão de superioridade, ela balançou suas ondas de cabelos negros, brilhantes.
Mel sacudiu a cabeça negativamente em reprovação.
- Como está, querida? – Mel perguntou, se voltando para Lucila com um sorriso afetuoso, e a abraçou com calor e delicadeza. – Estava com saudades também, mas essa louca não me deixou vir sem ela.
As palavras, os gestos, fizeram Lucila se sentir abençoada. Ela sempre se sentia assim na companhia dessas duas, porque elas eram tudo o que nunca teve durante sua infância, adolescência e até mesmo na vida adulta.
Elas eram suas amigas. Amigas de verdade, que independentemente de serem cunhadas, elas não a tratavam como uma criança incapaz e frágil. Só Amélia e Samanta entendiam como ela se sentia e a viam como a mulher que ela era.
“Estou bem. Eu sabia que Sam não te deixaria vir antes que ela regressasse.” Respondeu em libras. Automaticamente, Amélia traduziu rápido, para que Sam soubesse o que ela estava dizendo.
Lucila as convidou para se sentarem, e chamou Mila para servir algo para as duas amigas.
A conversa fluiu naturalmente como sempre acontecia quando estavam juntas. Primeiro falaram sobre as crianças, suas histórias sobre o desenvolvimento de seus sobrinhos, aquecia o coração solitário de Lucila. Ela amava Maya, Tay e Otávia, e adorava ouvir sobre suas travessuras, suas conquistas, seus marcos de desenvolvimento e aprendizado.
A conversa seguiu para a viagem de Sam para a Suíça com sua família e como foi divertido ver Alberto ensinando Otávia a se equilibrar nos esquis. Sam reclamou do ciúme de Alberto assoberbado em relação à pequena, como fazia todas as vezes, e depois contou sobre as compras que fizeram.
Primeiro para não parecer tão desesperada, e segundo para não causar problemas a amiga.
- Bem... é que... – Sam começou, olhando para Lucila com incerteza.
“Pode falar, Sam. Acho que não há nada que possa me surpreender nessa altura do campeonato. Eu sei que ele quer se livrar de mim o mais rápido possível. Está insistindo nesse divórcio há anos... e eu... eu sou a pedra no sapato dele, que insiste em permanecer como sua esposa, mesmo que só no papel.”
- Diga logo, criatura! – diz Amélia, ansiosa.
- É que o Beto... – Sam respira fundo. – Ele me disse que o Vitório... ele tem várias fotos suas em uma gaveta trancada no escritório, Lucy.
As palavras dela me golpeiam como um soco no estômago.
Fotos?
Como assim? Por que…?

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