Vitório
O céu noturno estava nublado e uma cor estranha, de roxo escuro, predominava na imensidão. Traguei o charuto, sentindo seu gosto e a fumaça adentrar seu interior.
A vista do terraço era algo que acabava aplacando um pouco da inquietação, dessa tempestade interminável que residia em seu interior. O vento forte espalhou as cinzas da ponta do charuto, e despenteou seus cabelos grisalhos.
Faltavam poucos dias para mais um aniversário de casamento.
Ela ainda não tinha assinado os papeis do divórcio, e pelo que Mila disse ao telefone quando ligou para casa, ela não pretendia assinar. A teimosia de Lucila em insistir em continuar casada com ele, inflava seu peito, e ao mesmo tempo, o irritava.
Esperava que ela compreendesse que era o melhor para ela.
Lucila vivia sozinha naquela mansão, como uma criança abandonada, e aquilo feria o coração de Vitório todas as vezes que pensava nela. Mas foi a única forma que encontrou para refrear a obsessão, o desejo imperativo que sentia por ela.
Durante todos esses anos, ele esperou que em algum momento o que sentia por sua princesa voltasse a ser aquele carinho inocente, mas não aconteceu. E a convivência sob o mesmo teto deixou as coisas cada vez mais difíceis.
Todas as vezes que olhava para ela, se lembrava de sua imagem vestida com aquela lingerie pequena, delicada e sensual, que mal cobria o seu corpo. O branco perolado contornava seu corpo revelado pela transparência do robe da mesma cor. Ele nunca vai saber como conseguiu resistir a ela naquela noite, os contornos suaves, femininos de sua princesa perfeita, seus olhos brilhando como um mar tempestuoso, sua boca rosada e convidativa. Ela era um anjo vestido de tentação.
Lucila nunca saberia o que causou dentro dele naquela maldita noite em que teve que quebrá-la de forma insensível, para não fraquejar. Ela não sabia o que estava fazendo, a ideia dela de casamento certamente foi incutida por seus pais, ela vinha de uma família muito tradicional, ela foi ensinada sobre “os deveres de esposa” e certamente se sentiu pressionada a agir daquela forma porque era o que deveria fazer.
Mas Vitório jamais se perdoaria se tivesse se valido disso para tocá-la.
Puxou o ar frio da noite com força.
No entanto, o estrago já estava feito, porque daquela noite em diante, ele não conseguia pensar por cinco minutos sem invocar aquela imagem em sua mente.
Passou aquela noite febril de tanta vontade de abraçá-la e beijá-la, tocando seu corpo coberto por renda branca com carinho e adoração. E os próximos não foram diferentes disso. As chamas queimavam seu corpo todas as vezes que a via, seu corpo não tinha mais paz, estava sempre louco de desejo, sempre rígido.
A comida perdeu o gosto, os dias se tornaram massivos e angustiantes, porém as noites se tornaram torturantes. Por que a noite, quando seu corpo sucumbia ao cansaço, entre um cochilo e outro, seu subconsciente viajava de volta para aquele momento em que ela entrou em seu quarto.

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