Lucila
Os tremores de seu corpo pararam imediatamente quando a voz de Olavo os interrompeu. Ela se desvencilhou de Vitório com facilidade e correu até a cama para ver como o menino estava.
Se ele ouviu ou viu o que aconteceu entre os dois, certamente estaria muito assustado, e tudo por culpa de um mal entendido criado por esse homem que a acusou de adultério.
Lucila engoliu a mágoa e a dor que sentia, e segurou o rosto do menino em suas mãos, observando seus olhinhos turvos de sono. Olavo estava quente, ela tocou sua testa com delicadeza, ele estava com febre alta.
Ela se sentiu culpada por protagonizar essa cena ridícula com Vitório, enquanto uma criança estava doente a poucos passos dela; e pior, uma criança sob seus cuidados.
Ajeitou Olavo nos travesseiros novamente, e pediu que ele ficasse deitado com gestos. O menino não só obedeceu, como cedeu aos calafrios que percorriam seu corpo frágil, fechando os olhos e murmurando coisas desconexas em delírio febril.
Lucila se levantou, e passou por Vitório que parecia ter criado raízes no lugar onde estava. Ela correu para a cozinha, procurando por Mila. Precisava de um antitérmico e um médico. Podia ser um resfriado por ter tomado a chuva fria ou não.
Mila entrou na cozinha carregando uma pilha de panos de copa.
- Bom dia minha menina, como está hoje? – ela perguntou com um sorriso amável. – Fiquei preocupada quando vi os rastros de lama no chão, que você saiu naquela chuva. O que foi procurar lá fora? Perdeu o juízo, Lucy?
“Bom dia Mila. Eu juro que te explicou tudo depois, mas agora preciso de um antitérmico, um termómetro. Não sei onde está a caixa de primeiros socorros.”
Mila levou as mãos na cintura, abandonando sua carga sobre o balcão. Seu olhar procurando por qualquer sinal de coisas que Lucila estava escondendo. A sua querida companheira que cuidava dela desde pequena, agora sabia linguagem de sinais, pois a ensinou com paciência e dedicação.
- Eu acabei de ver o carro daquele sujeito invadindo o gramado da entrada. Me diga que não é por causa dele que você está tão preocupada e ansiosa. – a expressão dela se fechou, carrancuda.
Mila e Vitório se detestam mutuamente, e Lucila ficava entre eles tentando apaziguar a situação. Por Mila, ela teria se divorciado logo depois da lua de mel, porque sem uma palavra de Lucila, a senhora experiente entendeu tudo, e culpou Vitório pela apatia de sua patroa, pela perda de peso, e pelo abandono que ela via acontecer lentamente.
Por Vitório, Mila teria sido despedida há muito tempo. Ele a considerava como uma intrometida que não sabia o seu lugar, tudo isso porque Mila confrontava Vitório abertamente, sem temer por ter uma posição de subordinada.
Lucila respirou fundo, se preparando para falar sobre Olavo. Mas antes que começasse a explicar, Vitório adentrou a cozinha, atraindo toda a atenção para sua presença magnética.
O rosto dele apresentava uma mancha vermelha bem sutil, mais ainda visível, e sua expressão era de poucos amigos.
- Vai me explicar o que uma criança está fazendo no seu quarto? – ele perguntou, se aproximando dela com dois passos largos. – E por que não revelou logo que perguntei, que era só um menino?!

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