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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 382

POV: SAVANNA

Estava sentada na beira da cama, com os joelhos pressionados contra o peito e os braços envolvendo as pernas. O quarto estava em silêncio, exceto pelo som baixo da respiração do outro lado da porta. A sombra dele ainda estava ali. Firme. Não se afastava. Como se eu fosse fugir a qualquer momento.

Sabia que estava de guarda. Sabia que, se eu tentasse qualquer coisa, ele agiria.

Revirei o quarto inteiro antes. Cada canto. Cada detalhe. Nenhuma saída. Se eu saltasse daquela altura, morreria na queda.

"Pelo menos nossa prisão aqui é mais quentinha e confortável." rosnou Kiara. "E não estamos com fome."

— Costumam alimentar as presas antes do abate, não se esqueça disso, Kiara. — retruquei, firme, encarando a sombra que se movia sutilmente. — Somos caçadoras. Não o contrário.

— Você não consegue dormir? — a voz dele veio do outro lado da porta, firme, mas baixa, como se não quisesse me assustar. Franzi o cenho e me levantei devagar, na ponta dos pés, até me aproximar. A sombra dele se projetava longa sob a fresta da porta. Me agachei, olhando discretamente. Ele estava ali, sentado no chão, encostado na madeira com os braços cruzados.

— Você é sempre desconfiada assim? — completou, com um leve tom de humor.

— Não é como se o mundo fosse um lugar seguro. — retruquei, me sentando com as costas na porta, do lado oposto ao dele. Fechei os olhos por um instante. O cheiro dele estava mais forte. Aquela mistura quente e achocolatada que, mesmo contra minha vontade, fazia meu corpo relaxar.

"Ele tem cheiro de perigo e proteção ao mesmo tempo. Isso confunde a gente." Kiara sussurrou, com a voz baixa, quase rendida.

— Você não deveria estar de guarda? Ou fazendo coisas de beta? — falei com ironia, mantendo o tom ácido para disfarçar o que começava a crescer dentro de mim.

— Não é a primeira vez que fico de babá de uma prisioneira. — Jasper comentou com um riso abafado, a voz carregada de sarcasmo. — Mas você é, de longe, a mais teimosa.

Revirei os olhos, mesmo que ele não pudesse ver.

— Por que não revidou ou se defendeu quando a Luna a atacou? — ele perguntou, direto, mas havia algo na entonação... quase curiosidade genuína.

Fechei os olhos, encostando a cabeça na parede atrás de mim. Suspirei fundo. Os dedos deslizaram lentamente pelo chão, se aproximando da fresta sob a porta, como se buscassem... algo.

— Machuquei os filhotes dela. — admiti, sem tentar suavizar. — Eu merecia a punição. Talvez até a morte.

O silêncio do outro lado foi imediato. Pude ouvir a respiração dele mudar. Mais pesada. Mais lenta.

— Por que me defendeu? — perguntei, a voz mais baixa, sentindo o calor subir pelo peito.

"Ele sentiu algo. A gente também sentiu." Kiara murmurou, como se não quisesse admitir.

— Costumo ser um lobo estúpido às vezes. — ele respondeu, num tom mais contido, quase sério.

Um suspiro longo escapou dele. Ouvi o leve arrastar de seu corpo no chão. Me abaixei mais, e pela fresta da porta, vi seus dedos se esticarem até alcançarem os meus. Não se tocaram. Mas ficaram perto o suficiente para me deixar em alerta.

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