POV: DAIMON
Antes que a batida na porta da sacada acontecesse, me levantei e abri, encarei Simon com a mão suspensa no ar, prestes a bater.
— Supremo? — ele murmurou, surpreso.
— Ainda é muito barulhento, Simon... — resmunguei, lançando um olhar por cima do ombro para Airys, que dormia profundamente, exausta.
"Sugamos todas as energias dela." Fenrir rodopiou em minha mente com orgulho.
— Não ouse acordá-la. — rosnei baixo, firme, fechando a porta atrás de mim e caminhando até o parapeito. — O que descobriu?
— Eliminei alguns guerreiros infiltrados. Por sorte, eram poucos. — respondeu, direto. — Durante o ataque de Jasper a um dos esconderijos de Raiker, consegui seguir aquele tal de Collen.
— Interessante. — murmurei, estreitando os olhos. — E onde ele está?
Olhei de canto, farejando o ar ao redor. O cheiro estava ali. Fraco, mas presente. Algo fora do lugar.
— Como um rato, espreitando nas proximidades. — rosnou Simon, as presas proeminentes à mostra, a voz carregada de repulsa. — Está no segundo pilar, junto com Malik. Estão tramando um ataque.
— Direto a mim? — deslizei as mãos devagar pelos bolsos da calça de moletom, mantendo a expressão firme, inclinando a cabeça de lado. — Enfim, Malik resolveu fingir que é homem?
— Pouco provavelmente, meu rei. — Simon respondeu com um riso curto e debochado. — Está só cumprindo ordens do seu irmão. Tem mais medo de ser ceifado do que coragem para agir por conta própria.
“Covarde. Deviam cortar a língua e a espinha de quem se esconde atrás de outro macho." Fenrir grunhiu, impaciente, passeando no fundo da minha mente.
— A companheira dele veio até Airys. — informei, sem tirar os olhos da escuridão além da varanda.
Simon ergueu uma sobrancelha, o olhar atento.
— A irmã dela? — perguntou, surpreso. — Achei que tivesse morrido no ataque à base norte.
— Baratas nem sempre são fáceis de eliminar. — minhas pupilas dilataram com o foco do pensamento. — Mas não acho que seja por isso que Eloy esteja aqui.
Simon cruzou os braços sobre o peito, encostando-se com firmeza no parapeito da sacada. O olhar dele era atento, focado.
— Acredita que foi intencional ela ter vindo até a Luna? Como parte de uma infiltração? — questionou com seriedade. — O que ela poderia fazer, sendo uma prisioneira?
— Jasper trouxe a destinada de Raiker para dentro dos nossos domínios. — respondi sem alterar o tom, direto. — Aparentemente, a loba estava sob o controle dele. Uma prisioneira, como você disse.
Dei de ombros, mas mantive os olhos fixos em Simon, que agora tinha os olhos arregalados. O impacto da informação era evidente.
— Você a conhece. — afirmei com firmeza, sem dar espaço para recuo.
Ele assentiu com um movimento contido da cabeça, o maxilar travado.
— Savanna. — murmurou com o cenho franzido. — A caçula dos três irmãos.
— O que acha? — questionei, deixando minha aura Lycan vibrar ao redor, impaciente com a demora. O ar ficou mais denso, e Simon sentiu.
— Ela sempre fez de tudo pelos irmãos. — respondeu com firmeza. — São unidos. Nunca agiram separados. Se eles estão ao lado de Raiker...
Ele parou, pensativo por alguns segundos. Os olhos escureceram com a conclusão.

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