POV: SAVANNA
Os trigêmeos se entreolharam, mãos entrelaçadas, eles estavam unidos.
— Vamos. — Orion se posicionou à frente dos irmãos, os olhos dourados fixos, firmes, prontos. A presença dele me atingiu como um choque. Aquela aura... era Lycan. Pura. Intensa. Feroz. Forte demais pra um filhote de oito anos.
Fiquei boquiaberta por um segundo. Ele não parecia uma criança. Parecia um guerreiro. Um protetor nato.
Jasper já avançava, o corpo ferido, mas ainda rápido, abrindo caminho entre os corpos, rasgando inimigos com precisão brutal.
— Vão! — ele rosnou por cima do ombro, o rosto coberto de sangue, os olhos cravados nos próximos inimigos que surgiam entre as árvores. — Tem mais deles vindo! AGORA! E Savanna, por favor...
— Os protegerei com a minha vida. — Me antecipei em falar, sem hesitar, erguendo o queixo. — Tem a minha palavra, beta.
— Na verdade, eu ia te pedir para não morrer... e me esperar pra terminarmos o que começamos no quarto. — Jasper piscou para mim, sujo de sangue, com aquele maldito sorriso debochado no rosto. — Mas, isso também serve.
Meu rosto queimou. Por um segundo, esqueci o caos ao redor. Idiota. Maldito idiota. E ainda assim...
Sorri.
— Idiota. — revirei os olhos, rindo sem vontade, antes de estremecer. O som de um rugido cortou o ar como uma rajada. Seco. Aterrorizante. Raiker.
Minha loba encolheu por dentro, enrijecendo cada músculo do meu corpo.
— Jasper... — minha voz falhou. — Por favor... não morra.
Ele se virou, encarou o campo de batalha e depois olhou para mim.
— E desperdiçar minha segunda chance? — retrucou, quase ofendido. — Nem morto.
Balancei a cabeça com um riso curto e peguei a mão das crianças, puxando-as para correr atrás da montanha. A neve dificultava cada passo, misturada aos galhos secos que arranhavam a pele e travavam o caminho. Farejei o ar, rosnando de forma hostil ao captar o fedor dos inimigos espalhados pela área. Raiker previu que tentaríamos escapar por esse lado e mandou fechar cada rota.
— Droga, estão nos cercando. — Rosnei, frustrada, encarando as crianças. — Esfreguem as folhas e a neve nos corpos, rápido, precisamos apagar o cheiro de vocês.
Os pequenos obedeceram de imediato, esfregando neve e folhas nos corpos. Senti a aproximação de um inimigo e me movi rápido, atacando por trás antes que ele nos alcançasse. A queda dele foi seca, meu corpo arfava enquanto o sangue quente escorria pelos meus braços. Quando senti uma presença atrás de mim, girei o corpo com as garras prontas para rasgar, mas ele desviou, rindo.
— Caramba, Savanna, é assim que você recebe o seu irmão? — A voz carregava um humor cansado, mas verdadeiro. — Que bom que você está viva, irmãzinha.
— Collen! — Exclamei, prendendo-o num abraço forte, sentindo a tensão sair dos meus ombros por um segundo. — Pela Deusa, você está vivo...
Dei um passo para trás, mantendo o olhar fixo nele, tentando ler cada detalhe em seu rosto.
— Onde está Jaqueline? — Perguntei, sentindo o peso da resposta que temia.
Collen desviou os olhos. Senti um aperto no peito, tampei a boca, sufocando o grito.
— Não...
— Você não deveria ter fugido, Savanna. — A voz dele veio mais baixa, carregada de rancor, com rosnados. — Você nos abandonou, deixou tudo para trás, depois de tudo que fizemos por você.
— Eu não... Do que está falando? — Minha voz falhou, engasgada, enquanto as lágrimas queimavam na linha fina dos olhos. — Eu não suportava mais, você não faz ideia do que é ser destinada a Raiker... ele é um monstro... o próprio diabo!
— E o que acha que ele fez com Jaqueline depois que você fugiu? — Collen segurou meu braço com força, os dedos cravando na pele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO