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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 418

POV: AIRYS

— Não... isso não é justo. — Rosnei, ofegante, sentindo minha respiração pesar e minhas íris faiscarem em puro instinto. A Deusa recuou um passo, como se analisasse cada fibra da minha raiva e dor. — São meus filhos! Eu não posso escolher entre a vida de um deles! Eles não têm culpa dos pactos, nem das escolhas podres dos adultos!

— Airys... — Selene disse em um tom grave, a voz ecoando como se falasse direto para minha alma. — As ações dos pais sempre recaem sobre os filhos.

Ela ergueu o queixo, os olhos dourados queimando em julgamento, e sua luz se intensificou, reluzindo em prata como a lua cheia.

— Sua mãe escolheu me servir, e você deveria seguir o mesmo caminho. Era para ser uma consagrada do meu templo. Mas o seu pai... — Ela franziu o cenho, como se o desprezo transbordasse de cada palavra. — Ele arrancou o seu destino de mim.

As lágrimas queimaram nos meus olhos, mas não baixei o rosto. Meu corpo tremia, mas eu me mantinha firme.

— Você escolheu me desafiar. — Selene continuou dando um passo à frente, a luz dela quase me cegando. — Recusou entregar Alec, e agora Theron paga o preço pelo seu desafio.

— É isso que acha que eu fiz, Deidade? — As lágrimas desciam sem controle pelo meu rosto, e minhas pernas tremiam enquanto eu me aproximava da loba branca. Ergui a mão ensanguentada diante do focinho dela, com raiva e dor na voz. — Em algum momento, você esteve presente e próxima de seus filhos, Selene? Sabe de fato o que é ser mãe? Acolher, proteger, zelar, cuidar, amar? Se abdicar de tudo por eles?

A loba rosnou, ofendida, seus olhos dourados cintilando com arrogância.

— Sabe o que é engolir os próprios desejos, enfrentar os piores medos e suportar dores insuportáveis apenas para manter seus filhos a salvo? — Continuei cerrando os punhos com tanta força que as garras se projetaram, os braços tremendo. — Uma mãe de verdade caminha pelo inferno em chamas, descalça e ferida, se for preciso, apenas para carregar seus filhos seguros nas costas. Para que nada, nada no mundo, os atinja ou machuque!

Minha respiração estava pesada, cada palavra saindo como um rugido preso na garganta.

“Isso, Airys... não recue!” Rielly vibrou em minha mente, a voz carregada de emoção. “Mostre a ela o que significa ser mãe!”

Estiquei as garras, sentindo algo dentro de mim arder como fogo líquido percorrendo minhas veias, cada fibra do meu corpo pronta para atacar. Meus olhos queimavam de raiva e determinação.

— Uma mãe não define o destino de um filho, ela o guia, o ensina a escolher o próprio caminho. — Minha voz saiu como um rugido feroz, carregado de dor e fúria. — Você pode ser a nossa Deusa, a Lua que ilumina as noites, mas não sabe o que é ser mãe de verdade. Nunca esteve deste lado, nunca sentiu a impotência de ver o sangue do seu filho se esvaindo entre os dedos.

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