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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 432

POV: ORION

Saí correndo, disparando em direção ao hospital sem olhar para trás. As pernas se moviam sozinhas, rápidas, como se o mundo inteiro estivesse tentando me impedir de chegar até ele e eu recusava deixar qualquer coisa me atrasar. O vento cortava meu rosto, os sons ao redor desapareceram. Tudo o que importava era ele.

Quando alcancei a entrada, parei bruscamente. Arfava, tentando puxar o ar que parecia preso no peito. O suor escorria pelas têmporas, meu coração batia tão forte que sentia ele na garganta. Empurrei a porta com força.

Meus olhos encontraram o dele.

Theron estava ali. Sentado na cama. Vivo.

Ele tombou a cabeça de lado, me encarando com aquele sorriso torto de sempre, o tipo de sorriso que me irritava e me fazia admirar. Por um segundo, só consegui olhar para ele. As mãos tremiam ao lado do corpo, a respiração ainda acelerada.

Mas então... vi.

Vi nos olhos dele algo que me fez estremecer por dentro. Não era só cansaço. Era tristeza. Profunda. Silenciosa.

Hesitei.

O ar ficou preso na garganta. Um arrepio subiu pelas minhas costas, tão forte que senti os pelos dos braços se eriçarem. Meus pés congelaram no chão.

Será que... ele me culpava pelo que aconteceu?

— Ei, Orion... vai ficar aí parado na porta ou vai entrar e me dar um abraço? — Theron resmungou com a voz embargada, tentando forçar um sorrisinho mesmo com o rosto molhado. Um soluço escapou logo depois. — Eu senti saudades, irmão...

Minha respiração travou no mesmo instante.

— Theron... — solucei baixinho, sentindo o peito explodir por dentro.

Não pensei. Nem por um segundo.

Corri até a cama e pulei em cima dele, agarrando seu corpo magro com força. Ele gemeu alto, reclamou entre os dentes, mas eu não liguei. Meus braços o apertaram como se ele fosse sumir de novo se eu soltasse.

— Você foi muito idiota! — falei com a voz embargada, a testa encostada no ombro dele, o rosto encharcado. — Me deu tanto medo... eu achei que tinha te perdido para sempre!

O cheiro dele ainda tinha resquício de ferida, mas também tinha casa. Aquele cheiro que eu conhecia desde que éramos bem pequenos. Misturado com suor, dor e... vida.

Ele estava vivo.

Theron estava ali.

— E quem ia te ensinar a lutar ou te irritar, hein? — Theron disse com a voz baixa, ainda fraca, mas com aquele tom debochado de sempre. Acariciava meus cabelos devagar, com os dedos trêmulos, enquanto eu chorava com o rosto enfiado no colo dele, escondendo as lágrimas.

Meus ombros estremeciam. Eu fungava alto, o nariz escorrendo, a respiração presa, pesada, arfada. Meus dedos estavam agarrados no lençol como se aquilo pudesse me manter ali pra sempre.

— Para com isso, Orion... — ele continuou tentando parecer bravo. — Você não é um bebê chorão. Isso não combina com você.

Solucei de novo, sentindo o rosto quente de tanta vergonha. O peito apertava, e minha barriga doía como se eu tivesse levado um soco por dentro. Arqueei as sobrancelhas, levantando os olhos cheios d’água, tremendo.

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