(Ponto de Vista de Ryker)
"Esse idiota pomposo ainda acha que está no controle de alguma coisa. Talvez esteja confortável demais dentro da própria casa. Ou talvez eu tenha sido brando demais com ele. Durante todo esse tempo eu me senti preso à honra do acordo que fizemos há muitos anos. Só que, claramente, ele não sente o mesmo e acredita que tem passe livre para fazer o que quiser. E isso já foi longe demais!"
— Acho que deveríamos aliviar um pouco o trabalho dele.
— O que eu pego, Alfa?
— Qualquer coisa bem usada ou que eles estejam segurando… E, se achar algo que tenha a cara da Kennedy, traz junto… Você sabe que ela vive querendo aumentar aquela biblioteca dela.
Josh abriu um sorriso para mim. Por mais que nós dois gostássemos de uma boa briga, havia momentos em que aquelas pequenas disputas passivo-agressivas eram ainda mais divertidas. Então atravessamos o escritório bagunçado como se fôssemos donos do lugar, e eu simplesmente puxei o livro que Claude fingia estar lendo havia sabe-se lá quanto tempo.
Ao mesmo tempo, Josh arrancava outro das mãos do Rick, que parecia prestes a se mijar de nervoso. Até hoje eu não entendia como aquele sujeito tinha conseguido virar o Beta do Claude, porque ele era frouxo demais para qualquer coisa.
Os dois só ficaram nos olhando, de boca aberta, claramente sem acreditar na nossa cara de pau enquanto enchíamos os braços de livros. Não explicamos nada, e não soltamos um único comentário. Apenas fornecemos silêncio e expressões completamente neutras enquanto dávamos as costas e saíamos dali.
'Grant, traga um carro para nós. Conseguimos um presente para a Kennedy e não dá para mudar de forma carregando isso.'
'Já estou indo, Alfa.'
Depois que carregamos tudo, fomos verificar meu pai, que já tinha a situação completamente sob controle. Pelo visto, Claude tinha feito algumas alterações e passado instruções diferentes para várias pessoas, fingindo que eram mudanças minhas. Felizmente eles foram espertos o suficiente para interromper o trabalho assim que perceberam os erros, mas algumas coisas ainda precisariam ser demolidas e reconstruídas nas medidas corretas.
Em seguida, convidei meu pai para voltar comigo até a casa da alcateia para finalmente conhecer a Kennedy. Aquela minha mania de viver ocupado claramente vinha dele... Todas as noites ele voltava para casa e passava horas conversando com a minha mãe, mas, mesmo assim, às vezes eu tinha a impressão de que ele se enterrava no trabalho só para provar para todo mundo que a lesão dele não tinha acabado com a utilidade dele. E, sendo honesto, eu também não tinha muito o que argumentar quando não se tratava de trabalho inútil, porque ele realmente era quem mantinha toda a parte administrativa da nossa operação funcionando.
Ele chegou a passar um tempo no Arco Lunar de Prata com Rayna e Jeremiah. Só que, mesmo assim, eu não conseguia afastar a sensação de que ele estava se mantendo distante da Kennedy por algum motivo… E aquilo não fazia sentido para mim.
Até porque ele sempre a apoiou. Depois que ouviu sobre o sequestro, inclusive, comprou algo para ela. Eu também sabia que a Kennedy contou uma parte da história para minha mãe e para a Greta, mas preferiu poupar as duas dos detalhes mais brutais.
No entanto, naquela altura já não adiantava mais ficar discutindo aquilo. Eu só queria ir para casa e vê-la. Até torcia para que ainda estivesse acordada, porém, conhecendo minha mãe, depois de tudo que elas aprontaram naquele dia, o mais provável era que estivesse morta de cansaço.
— Josh, deixe esses livros no escritório da Kennedy. Quando ela tiver um tempinho, ela mesma confere e decide se algum presta para ela ou se quer guardar algum.
— Pode deixar, Alfa. Nos vemos amanhã de manhã. Você vai aparecer no treino dessa vez?
— Vou ter que ver o que a minha Luna quer fazer. — Respondi, sorrindo para ele.

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