Em qualquer procedimento cirúrgico, a farmácia mantinha um controle rigoroso de todas as medicações dispensadas. A quantidade registrada só podia ser menor que a solicitada, jamais maior, justamente para evitar casos de overdose ou uso inadequado.
O anestesista sabia muito bem o que significava aparecer uma dose extra ali do nada. Ele se virou para assistente nova, questionando com uma voz cortante:
— De onde você tirou esse anestésico?
— Eu... eu... — A voz da assistente saiu trêmula, mal alcançando o ar, enquanto o corpo inteiro dela tremia sem controle.
— Ela é novata, primeira vez numa cirurgia. Ainda não conhece direito os protocolos. Foi um erro, mas como não causou dano real, até dá para relevar. — Luana entregou a ampola correta para o anestesista e voltou os olhos para assistente, agora com frieza. — Mas você não tem perfil para essa função.
A tensão se tornou insuportável, e a assistente acabou desabando em lágrimas bem ali, no meio da sala.
— Foi a Sra. Vanessa que me mandou pegar! — Ela soluçou alto, sem conseguir segurar. — Ela disse que um pouco de alergia não matava ninguém, que era só uma dosezinha pequena, que não ia dar em nada!
— A Sra. Vanessa? — O anestesista explodiu, vermelho de raiva. — Aquela mulher passa o dia sentada num escritório, nunca entrou numa sala de cirurgia na vida, e acha que pode dar palpite sobre anestesia? A taxa de reação alérgica ao propofol já é de 37% na população geral! Em pacientes com alergia conhecida, os efeitos podem ser catastróficos, principalmente durante uma cirurgia. Compromete o centro respiratório, pode causar choque anafilático grave... ela queria matar a paciente! Graças a Deus, a Dra. Luana conferiu antes. Senão a gente estava acabado junto!
A imagem que a equipe tinha de Vanessa desmoronou completamente naquele instante. Um erro mínimo, uma dose aparentemente insignificante, mas que podia destruir a carreira de todos ali presentes.
Luana ficou com o rosto fechado, sombrio.
Se não fosse o bilhete que Renata havia passado mais cedo, ela jamais imaginaria que Vanessa teria coragem de sabotar uma cirurgia. E se algo realmente desse errado, ela achava mesmo que Ricardo ia continuar protegendo ela?
— Tudo bem. Tirem ela daqui. — Luana voltou ao foco, mandando que removessem a assistente da sala cirúrgica.
Depois se aproximou de um dos médicos assistentes e sussurrou algo no ouvido dele, bem baixinho.
O médico ficou surpreso por um segundo, mas logo concordou e fez um gesto discreto com a mão.
...
A cirurgia se estendeu das nove da manhã até uma da tarde, eram cinco horas ininterruptas.
Fabiano passou todo esse tempo caminhando de um lado para o outro no corredor em frente à sala de cirurgia, ansioso, tenso, claramente atormentado. Qualquer ruído vindo de dentro o fazia parar e olhar para porta, esperando notícias.
Vanessa apareceu no setor cirúrgico pouco antes do fim da operação. Viu que ninguém havia saído ainda para dar satisfação, o que deixava tudo indefinido e nebuloso. Não fazia ideia se as coisas haviam corrido bem ou mal lá dentro, mas torcia secretamente pelo pior.
Dez minutos depois, finalmente o médico assistente saiu.
Fabiano foi até ele imediatamente, quase tropeçando na pressa.
— Como foi? Minha esposa está bem?
O assistente tirou a máscara devagar, mas ao contrário do que seria esperado após uma cirurgia bem-sucedida, o rosto dele não demonstrava alívio nem felicidade. Pelo contrário, a expressão era pesada, carregada, como se ele tivesse algo difícil para dizer, mas não soubesse como.
Depois do que ela havia feito com a assistente nova, ele tinha certeza de que essa mulher era perigosa de verdade.
Fabiano piscou várias vezes, confuso, tentando processar o que havia acabado de ouvir.
— Espera... você está dizendo que... minha esposa... a cirurgia foi bem-sucedida?
— Exatamente, Sr. Fabiano. — O assistente acenou com a cabeça, firme. — A cirurgia foi um sucesso absoluto. Sua esposa deve acordar da anestesia em mais ou menos meia hora.
— Mas você não estava com essa postura há pouco! — Vanessa perdeu a compostura por completo, e assim que percebeu o que havia dito, sentiu o peso do olhar de Ricardo sobre ela. O sangue sumiu do rosto. — Ricardo, eu não quis dizer isso... é que ele realmente parecia que tinha dado errado...
— Parecia? — Luana saiu da sala de cirurgia naquele exato momento, tirando a máscara com calma e jogando no lixo apropriado. — Meu assistente nem havia aberto a boca ainda e você já tinha certeza de que a cirurgia havia falhado. Tanta convicção assim... quase parece que você já sabia o que ia acontecer.
Um tremor percorreu o corpo inteiro de Vanessa, e as unhas se cravaram na palma da mão até deixarem marcas fundas. Só então ela percebeu, tarde demais, que tudo não passava de uma armadilha, e que havia caído nela de cabeça.
Ricardo observou Luana em silêncio. Os olhos dela estavam fixos em Vanessa, cheios de hostilidade mal disfarçada e raiva fria.
Ele estreitou o olhar, pensativo. Toda vez que ficava perto de Vanessa, Luana reagia daquele jeito, agressiva, defensiva e provocadora.
Será que, no fundo, era ciúme?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...