Luana soltou uma risada breve, carregada de uma resignação divertida, e balançou a cabeça levemente.
— Eu sei, Vinícius. Não sou estúpida a esse ponto. Acha mesmo que eu deixaria algo tão crucial jogado em casa, à mercê da sorte, se fosse o original?
Vinícius estancou, piscando algumas vezes, confuso diante do sorriso matreiro que curvava os lábios da irmã. A tensão que o consumia momentos antes colidiu com a súbita tranquilidade dela, deixando-o momentaneamente sem reação.
Naquele instante, a empregada se aproximou, notando o clima estranho na sala e a respiração ofegante do patrão.
— Sr. Vinícius... aconteceu alguma coisa?
Antes que ele pudesse responder, Luana interveio com um tom suave e tranquilizador:
— Não foi nada. Está tudo resolvido. Pode voltar aos seus afazeres, por favor.
A funcionária hesitou por um segundo, mas, diante da ordem, assentiu e se retirou silenciosamente para a cozinha, receosa de fazer mais perguntas.
Vinícius apoiou as mãos na cintura e inspirou profundamente, tentando acalmar o coração que ainda galopava no peito. Ele havia dirigido como um louco, cortando o trânsito e ignorando limites de velocidade, impulsionado pelo pavor gelado de que Luana tivesse o mesmo destino trágico de Yasmin. Afinal, Luana havia acabado de retornar ao ninho de cobras que era a família Souza. Embora cauteloso por enquanto, César não hesitaria em atacá-la sorrateiramente se se sentisse ameaçado, e Vinícius sabia que o tio não precisava agir abertamente para causar danos irreparáveis.
Percebendo a angústia genuína nos olhos do irmão, Luana segurou a mão dele, apertando-a com firmeza para transmitir segurança.
— Não vou agir por impulso, prometo. Aquele gravador que deixei lá? Os arquivos já tinham sido deletados e formatados de um jeito que nem o melhor técnico recuperaria. Além do mais, aquilo foi apenas uma isca.
— Uma isca? — Repetiu Vinícius, franzindo o cenho.
— Eu precisava ter certeza se o tio César invadiria a casa atrás de provas. Deixei a caneta lá de propósito e garanti que a informação chegasse aos ouvidos dele. — Explicou ela, com um brilho calculista no olhar.
Vinícius levou a mão à testa, soltando um suspiro que logo se transformou em uma risada incrédula.
— Você tem noção do perigo? Agora está provocando ele abertamente?
— Pense bem, Vinícius. Você e o tio Emanuel já sabem do caso entre a tia Érica e o tio César, mas optaram pelo silêncio. Isso prova que expor o adultério agora apenas eliminaria dois concorrentes menores, mas não resolveria o problema real. — Luana cruzou os braços, adotando uma postura analítica. — Ainda existe uma peça que não se encaixa nesse tabuleiro: o tio Carlos.
Ela fez uma pausa, caminhando lentamente pela sala enquanto organizava os pensamentos.
— A família Souza está virada de cabeça para baixo. A tia Soraia já voltou, mas o tio Carlos continua invisível. A tia Yasmin era meia-irmã dele, a primogênita, e mesmo sabendo que os laços sanguíneos nesta família são frágeis, o mínimo que se esperaria era que ele aparecesse para manter as aparências. Mas ele não veio. Ele se mantém afastado, como se a guerra interna da família Souza não lhe dissesse respeito. Será que ele é realmente um espírito livre que prefere viajar o mundo e detesta disputas de poder? Ou será que ele tem um objetivo maior e está apenas aguardando o momento certo para dar o bote? Você e o tio Emanuel são astutos demais para acreditar nessa "indiferença" dele.
Vinícius observou Luana por um longo momento. A imagem da garotinha ingênua se desfez, substituída por uma mulher perspicaz. Um sorriso de orgulho genuíno iluminou o rosto dele.
Ele arrancou o celular da mão do homem e atendeu, forçando-se a regular a respiração.
— O que é?
— Deu tudo errado, não foi? — A voz do outro lado da linha veio carregada de um sarcasmo cortante.
César sentiu o sangue ferver novamente.
— Vá se foder, Carlos! Que porra você quer? Ligou só para zombar da minha cara?
O homem riu, um som baixo e frio.
— Estamos no mesmo barco, meu caro. Por que eu zombaria? Se você não tem competência para resolver isso, eu assumo o comando e resolvo.
— O que quer dizer com não ter competência? Está me subestimando também? — César rosnou, a humilhação turvando seu julgamento. — Te aviso, não pense que só porque agora posa de meu irmãozinho aliado, você tem o controle. Do jeito que as coisas vão, capaz de você ter que me chamar de padrasto em breve!
— Se você fosse tão capaz assim, o seu casinho sujo com a minha mãe não teria vazado. — Retrucou Carlos, a voz endurecendo instantaneamente. — E posso te garantir uma coisa: não é só o Vinícius que sabe. O Emanuel também sabe de tudo. E tem mais, o Afonso está tratando o Emanuel como se fosse ouro. Ouvi dizer que ele conseguiu fechar uma aliança com a família Monteiro, de Singapura. Se a sua sobrinha, a Luana, se casar com o herdeiro da família Monteiro e selar essa união... diga adeus à sua posição na família Souza. E à minha também.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...