Luana mordeu o lábio e sentiu o semblante se fechar pouco a pouco, como se uma sombra tivesse passado pelo seu rosto. Deixou a bolsa sobre a mesa e, sem olhar para Ricardo, declarou:
— Vou preparar o jantar.
Dirigiu-se à cozinha e começou a se ocupar em silêncio. Normalmente, a empregada deixava tudo organizado na geladeira, com as carnes já limpas e as verduras frescas.
Antes, quando tinha tempo, Luana sempre fazia questão de cozinhar pessoalmente, esperando pelo retorno de Ricardo, como uma esposa dedicada que cumpre sua parte. Mesmo que ele chegasse tarde e ela tivesse de reaquecer a comida, não se importava.
Mas, invariavelmente, ele recusava, dizendo que não era necessário, que ela não precisava se dar a esse trabalho.
Durante seis anos, ela se esforçou para desempenhar cada papel que acreditava ser seu dever, e sua dedicação foi rejeitada do início ao fim. Agora que já não tinha a mesma disposição de antes, ele vinha querer mandar nela?
Luana não se demorou nesses pensamentos, queria apenas terminar rápido a refeição. Quando esticou o braço para pegar o vinagre de arroz no armário de cima, percebeu que não alcançava. Naquele instante, a presença dele surgiu às suas costas. Uma sombra se projetou sobre ela e uma mão firme tomou a garrafa com facilidade.
O calor que irradiava do corpo de Ricardo quase a envolvia. Não era algo completamente estranho; já tinham tido contato íntimo, e aquela sensação quente, densa, lhe era familiar. Lembrou-se de uma vez, no banheiro, quando ele a encostou na parede e a virou de costas para possuí-la. Naquele momento também estava assim, intenso e dominador.
Recuperando-se rapidamente da lembrança incômoda, Luana se afastou para o lado e disse, tentando manter a voz neutra:
— A comida ainda não está pronta. É melhor você esperar lá fora.
A reação dele foi franzir o cenho, como se percebesse que ela estava evitando-o de propósito. Em seguida, ele a puxou de repente para os seus braços. Ela ficou rígida no mesmo instante.
— Fugindo de quê? Antes, quando eu te tocava, você não fugia. — Ricardo disse, com um leve sorriso que tinha um tom de zombaria.
O coração dela acelerou e o rosto ficou completamente corado. Sentiu a vergonha e a raiva queimarem dentro de si. Então era para humilhá-la?
— Não é apropriado.
— Não é apropriado? — A mão que segurava sua cintura deslizou por baixo da blusa. Ela reagiu tentando se afastar, mas ele apenas intensificou o contato, e, com uma risada baixa, provocou:
— Acho que nunca te tive aqui na cozinha.
Luana sabia muito bem como ele se transformava quando o desejo o dominava, direto, insistente, sem se importar com lugar ou momento. Mas, desde que sabia de Vanessa, cada toque dele lhe causava repulsa.
Com esforço, manteve a razão e desviou o rosto quando ele tentou beijá-la.
— Eu não quero.
Ricardo parou, o olhar quente ainda cravado nela.
— Não quer?


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