Por que justo ela?
O pensamento martelava sem parar na cabeça de Ricardo. O coração estava em pedaços. Aquela culpa acumulada por seis anos, sempre ligada a Vanessa, agora se misturava ao nojo e à repulsa após descobrir toda a verdade, era como se tudo o rasgasse por dentro.
Ricardo havia prometido a si que faria Vanessa pagar por tudo, que nada entre eles ficaria aberto, que a justiça seria feita. Mas o destino parecia gostar de provocar, sempre trazendo novas ironias. Justo ela?
Fernanda, que estava no canto do quarto, observava a expressão devastada de Ricardo e murmurou para si, quase como se aquela dor fosse merecida:
— Após tanto favoritismo... agora aguenta. O destino não erra mesmo.
Bastou esse comentário para Ricardo se recompor, lançando um olhar cortante na direção dela. Então, caminhou com firmeza até o sofá e jogou uma pilha de documentos sobre a mesa, voltando a assumir o controle.
— Se não estou enganado, temos um projeto da empresa programado para Riviera no próximo mês, certo?
Fernanda piscou, saindo do próprio pensamento.
— Temos, sim. Mas o senhor preferiu adiar, lembra?
Ricardo girou a aliança no dedo devagar enquanto dizia:
— Não vamos adiar mais nada. Traga tudo para frente.
Fernanda o encarou, entendendo rapidamente a mudança.
— O senhor vai mesmo para Riviera? — Ela hesitou, então completou. — E quanto à Vanessa?
— Deixe alguém vigiando ela. — Respondeu Ricardo, seco.
Fernanda assentiu, calada, e saiu do quarto.
Ele voltou o olhar à aliança em seu dedo, o rosto mergulhando numa sombra cada vez mais profunda, difícil de decifrar. Na vida dele, não existia a palavra "divórcio".
...
Naquela noite, uma chuva forte castigava Riviera. Relâmpagos incendiavam o céu, clareando a madrugada como se fosse dia. O som dos trovões acordou Luana, que se levantou assustada.
Ela acendeu o abajur, viu no relógio digital que eram cinco da manhã. A luz amarelada iluminava o quarto, mas não dissipava o suor frio que escorria de seu rosto. Fazia anos que não tinha aquele tipo de pesadelo, mas naquela noite o trauma voltou, com toda intensidade.
Quando amanheceu, a chuva já havia desaparecido, mas Luana chegou ao hospital cansada. Mal dormia e o cansaço estava estampado no rosto. Joana percebeu e pediu que Sandro a levasse para conhecer outras áreas.
Enquanto caminhavam pelos corredores, Sandro olhou para Luana com preocupação.
— Está com uma cara péssima hoje... está tudo bem?
Ao saírem da UTI, deram de cara com Valentino. Ele estava de jaleco impecável no posto de enfermagem, analisando prontuários, com postura impecável e olhar sério. Era alto, cada botão da roupa perfeitamente abotoado, cada fio de cabelo no lugar, e exalava uma disciplina que dominava o ambiente.
Iara estava ao seu lado. Sabia bem do quanto ele detestava contato, por isso mantinha certa distância física, mas era evidente o quanto o olhar dela estava vidrado nele, completamente hipnotizada.
Com um tom casual, Iara se arriscou:
— Professor Valentino, tem compromisso hoje à noite?
Sem levantar os olhos, ele respondeu seco:
— Não.
A decepção de Iara foi visível, mas não se deu por vencida, armou outro sorriso e ensaiou novo convite. Sandro, que observava a cena, riu baixinho e se inclinou para perto de Luana, cochichando:
— A doutora Iara tem uma queda pelo Valentino. Todo dia tenta jogar um charme, mas ele trata ela como se fosse invisível. Uma pena, não acha? É muito esforço desperdiçado.
Luana acompanhou com os olhos a interação e comentou, num tom de cumplicidade:
— Isso é paixão escancarada, né?
No fundo, Luana sentiu um peso de identificação, pois ela conhecia bem aquele sentimento, esse tipo de amor tímido, contido, mas impossível de ignorar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...