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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 589

— Pode rir se quiser, eu já estou acostumada mesmo. — Resmungou Liliane, com a voz baixa. Seu bom humor tinha sido completamente destruído pelas pessoas e acontecimentos daquela noite, então que diferença fazia? Nada mais poderia deixá-la mais irritada do que já estava.

Valentino soltou um suspiro quase imperceptível e respondeu num tom indiferente, mas que não carregava maldade:

— Ninguém está rindo de você. Eu só queria te alertar que não se deve escolher amizades apenas pelas aparências.

Liliane ergueu os olhos, encarando-o com surpresa. A luz amarelada do poste iluminava o perfil bem desenhado de Valentino, e seus olhos, embora calmos, carregavam uma seriedade que ela não conseguia decifrar naquele momento.

"Será que ele está tentando me consolar?", pensou ela, sentindo o coração falhar uma batida. Desconfortável com essa possibilidade, Liliane desviou o olhar e começou a mexer na alça da bolsa, num gesto nervoso, antes de gaguejar:

— Eu... eu sei disso. Eu só estava... sabe, tentando ser educada e lidar com a situação.

Sua voz saiu seca, como se tentasse esconder o constrangimento. Tinha se arrumado toda, cheia de expectativas para a festa, apenas para ser alvo de indiretas maldosas de colegas que considerava amigas. E, para piorar, Valentino tinha percebido tudo. Ela se sentia como se a palavra "humilhada" estivesse estampada em sua testa para todo mundo ver. E quanto mais pensava nisso, mais injustiçada se sentia, a ponto de sentir o nariz arder, segurando o choro.

Percebendo a mudança sutil no humor dela, Valentino ficou em silêncio por alguns instantes. De repente, começou a andar e chamou:

— Vamos embora.

— Ah? Não precisa, eu posso ir sozi... — Começou Liliane, agitando as mãos em recusa.

— Eu não disse que ia te levar até a porta. — Cortou ele, sem parar de andar.

"Ah, que ótimo. Gastei minha gratidão à toa!", pensou ela, frustrada.

Embora Valentino tivesse negado a intenção de acompanhá-la, ambos moravam em condomínios vizinhos, então o caminho era praticamente o mesmo. Ele ia na frente, com passos largos, e ela vinha logo atrás. No entanto, Liliane teve a ligeira impressão de que ele não estava andando tão rápido quanto de costume; parecia manter um ritmo que permitisse a ela acompanhá-lo, mesmo que mantendo uma certa distância de segurança.

Ela mordeu o lábio, indecisa, mas acabou apertando o passo para alcançá-lo.

— Valentino, você também estava no barzinho hoje? — Perguntou, tentando puxar assunto. — Eu achei que você não curtisse esse tipo de lugar.

Sem olhar para trás, ele respondeu:

— Foi só uma reunião de negócios. Além disso, é perto de casa.

— Ah, entendi. — Assentiu Liliane.

Realmente, o bar ficava a apenas dois quarteirões dali, nem precisava chamar um Uber.

— Mas... como você sabia que eu estava lá? — Perguntou ela, aproveitando a deixa.

Valentino parou em frente à entrada do condomínio e se virou para encará-la.

— Eu só te vi por acaso. Mais alguma pergunta?

Baía da Meia Encosta.

Logo cedo, Danilo e Vinícius tomavam café da manhã na sala de jantar da mansão.

— O que está acontecendo com a empresa ultimamente? — Perguntou Danilo, com um tom preocupado, enquanto se servia. — Por que tem gente da Receita Federal investigando o Grupo Souza na surdina? Ainda não chegou nenhuma notificação oficial, mas os boatos já chegaram aos ouvidos do seu avô.

Vinícius fez uma pausa, segurando a xícara de café no ar. Ele ergueu os olhos para o pai, deixando escapar um brilho de preocupação que logo tratou de esconder. Com a voz firme, explicou:

— Foi um problema com uma das nossas subsidiárias. Houve uma falha no processo de declaração fiscal de um projeto de investimento do ano passado, um erro no cruzamento de dados com a empresa parceira. Mas não se preocupe, já coloquei os departamentos jurídico e financeiro para resolver isso. Não vai afetar as operações principais do grupo.

Danilo franziu a testa, insatisfeito.

— E como é que eu não fiquei sabendo disso antes?

— Eu também só descobri recentemente. Mas pode ficar tranquilo, pai, eu tenho tudo sob controle. — Garantiu Vinícius. Ele hesitou por um segundo antes de completar. — Além disso, desconfio que tem alguém agindo nos bastidores, tentando usar isso para nos desestabilizar de propósito.

Observando a postura confiante do filho, Danilo se sentiu um pouco mais aliviado. Ele já imaginava quem poderia estar por trás daquilo.

— Pelo visto, a festa de noivado da sua irmã também não vai ser nada tranquila. — Comentou Danilo, com um suspiro pesado.

Parada no topo da escada, Luana ouviu toda a conversa.

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