Já passava das onze e meia da noite quando o jantar finalmente terminou. Depois de acertar a conta na recepção, Liliane voltou para a sala privada, mas estancou no corredor antes de entrar ao ouvir a conversa do lado de dentro.
— A gente não ia continuar bebendo em outro lugar? Vamos chamar a Liliane? — Perguntou uma voz masculina.
A colega respondeu com um tom de quem pouco se importava:
— Claro que vamos! Ela pagou tudo até agora, não seria muito melhor se a gente não precisasse gastar nada na próxima rodada também?
Constrangido, Matias tentou intervir:
— Isso não é legal da parte de vocês. Nós não tínhamos combinado de dividir a conta?
— Falamos em dividir, sim, mas foi ela quem pediu o vinho e insistiu em pagar. — retrucou o outro. — Por que a gente vai reclamar se ela quer bancar a generosa?
— Mas a gente não pode simplesmente...
— Ah, Matias, deixa disso! — O colega passou o braço pelo pescoço dele, rindo. — A garota é rica, filhinha de papai. Essa quantia não faz a menor falta para ela. Se ela não liga de gastar, por que nós deveríamos ligar?
— Tá bom, tá bom, chega de falar nisso. — Cortou a mulher, baixando o tom de voz. — Vai ser chato se ela aparecer e ouvir a gente falando assim.
Liliane permaneceu imóvel no corredor por um longo momento, apertando os punhos com força, lutando contra o desejo incontrolável de entrar lá e xingar todos eles. Só não o fez por consideração a Matias. Se não fosse por ele, ela nem teria aceitado o convite para começar. Respirando fundo para se recompor, ela entrou na sala fingindo naturalidade, como se não soubesse de nada, e os três colegas agiram da mesma forma cínica, sorrindo e conversando com ela.
Quando o grupo saiu do bar e ganhou a calçada, o colega se virou de repente para Liliane com um entusiasmo fabricado:
— Ainda vamos para a próxima rodada. Você não quer vir junto?
— É, vem com a gente! Vai ser muito divertido. — Insistiu a outra mulher, enganchando o braço no de Liliane com uma intimidade forçada e pegajosa.
Matias relaxou um pouco os punhos cerrados e tentou intervir novamente, visivelmente desconfortável:
— Já está muito tarde e amanhã temos trabalho. Que tal se...
— Tarde? Que nada! É raro a gente sair para curtir assim. — Interrompeu o homem, atropelando a fala de Matias. — A Liliane está na empresa há tanto tempo e nunca se divertiu de verdade com a gente, né?
O convite parecia tão caloroso que, se Liliane não tivesse escutado a conversa atrás da porta, teria ficado realmente tentada a aceitar. Com frieza, ela soltou o braço das mãos da colega e recusou:
— Vão vocês. Eu não quero ir.
Os três trocaram olhares embaraçados. O sorriso do colega congelou no rosto, transformando-se numa careta rígida:
— O que houve? A gente não estava se divertindo?
Liliane mordeu o lábio, prestes a soltar uma resposta atravessada e desmascarar aquela farsa, quando Matias arregalou os olhos, surpreso ao ver alguém se aproximando.
— Professor Valentino?
Os outros dois também se viraram e cumprimentaram apressadamente. Liliane seguiu o olhar deles e viu Valentino ali parado. Ele vestia uma camisa branca simples, com as mangas dobradas de forma casual até os antebraços. A luz do poste incidia sobre ele, criando um contorno dourado e suave ao seu redor, fazendo-o parecer impecavelmente limpo e imponente em meio à noite urbana.
Liliane os observou se afastando, o rosto carregado de uma irritação que não tinha onde descarregar. Valentino olhou para ela de soslaio e comentou:
— Pelo visto, você já aprendeu como funciona o convívio social e a hipocrisia das pessoas quando entram no mercado de trabalho.
— O que quer dizer com isso? — Retrucou Liliane, já de mau humor e na defensiva. — Está debochando de mim?
— Estou dizendo que você tem paciência. Tem um bom temperamento para aguentar calada.
Ela cruzou os braços, indignada:
— Quem disse que eu aguentei? Se não fosse por você aparecer, eu teria xingado todo mundo agora mesmo!
Valentino soltou um som de concordância, mas sem parecer convencido:
— Você teve a chance de xingá-los dentro da sala, não teve?
Liliane engasgou com a resposta e deixou os braços caírem ao lado do corpo, sentindo-se derrotada pela lógica dele.
— Isso foi... só por consideração ao Matias.
Valentino a encarou e soltou uma risada curta, carregada de sarcasmo:
— A consideração por ele deve ser enorme, para fazer você se rebaixar a esse ponto e engolir desaforo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...