Fernanda encerrou a chamada, digitou uma mensagem rápida e retornou ao quarto do hospital.
Lá dentro, Sofia assinava uma pilha de documentos. Com a expressão serena de quem organiza o fim da própria jornada, entregou uma das pastas ao advogado presente.
— Este acordo de transferência de ações é confidencial. Ninguém deve saber sobre ele, muito menos os outros membros da família Ferraz.
— Entendido, senhora. — Respondeu o advogado, guardando o documento na maleta.
— E tem mais um detalhe, inclua essa transferência no meu testamento. Ela só terá validade após a minha morte.
Fernanda e o advogado trocaram um olhar surpreso.
— Sra. Sofia... a senhora está se preparando para... — Começou o advogado, hesitante.
Sofia ergueu a mão, interrompendo-o com um gesto firme.
— Não precisa perguntar. Eu já estou preparada para esse dia há muito tempo.
Do lado de fora, no corredor, Anabela estava parada diante da porta entreaberta, segurando um buquê de flores que trouxera para a tia. As vozes lá dentro chegavam aos seus ouvidos como sentenças dolorosas, cada palavra uma pequena agulha perfurando seu orgulho.
Ela recuou, encostando-se na parede fria do corredor para não ser vista. Sua mão apertou o buquê com tanta força que o papel celofane estalou e as flores se deformaram.
Quando ouviu a mãe comentar que Ricardo estava vivo e ao lado de Luana, Anabela sentiu o golpe. No fundo, ela sabia que jamais conseguiria substituir o primo na hierarquia da família ou no coração da tia. Ela nem mesmo queria ocupar o lugar dele; nutria até uma certa admiração pelo primo, chegando a fantasiar como seria ter a proteção dele se fossem irmãos de verdade.
Mas ouvir Sofia excluir o resto da família do testamento, garantindo que "os outros" não soubessem... Aquilo doeu. Os "outros" eram seus pais. Era ela.
"Mas eu também faço parte da família Ferraz.", pensou ela, a amargura subindo pela garganta. "Mesmo que meus pais sejam incompetentes, por que tenho que pagar o preço e ser tratada como uma estranha?"
Anabela mordeu o lábio inferior com força até sentir o gosto metálico de sangue. Seus dedos, brancos de tanta pressão, nem registraram os espinhos das rosas perfurando a palma da mão. A ilusão de que era valorizada naquela família desmoronou ali mesmo.
Sem olhar para trás, ela deu meia-volta e foi embora, deixando cair no chão frio do hospital algumas pétalas esmagadas, restos de um carinho que ela decidira não entregar.
...
Luana só acordou ao meio-dia. A casa estava silenciosa, e ela presumiu que o pai e o irmão não estivessem. Ainda sonolenta, desceu as escadas planejando como se livraria daquele caminhão de rosas que lotava o armazém desde a noite anterior.
Mal pisou fora de casa, uma voz a deteve.
— Com essa pressa toda, vai para onde?
Luana girou nos calcanhares, assustada. Vinícius estava parado ali, vestindo roupas esportivas, com as mangas arregaçadas até os cotovelos e uma raqueteira pendurada no ombro. Parecia ter acabado de chegar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
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