Com movimentos delicados, a Sra. Ramos retirou de sua bolsa de mão uma caixa quadrada e requintada; apenas pelo acabamento, percebia-se que o próprio estojo já era uma obra de arte esculpida em madeira de pereira nobre. Ela estendeu o objeto na direção de Luana, com um olhar carregado de nostalgia, e disse suavemente:
— Originalmente, eu planejava guardar isto como dote para a minha filha. Mas, como infelizmente o destino não me concedeu uma, decidi que este presente pertence a você.
Luana ergueu a cabeça num sobressalto e, num gesto instintivo de recusa, agitou as mãos rapidamente.
— Sra. Ramos, eu não posso aceitar. — Exclamou ela, a voz embargada pela surpresa. — Agradeço imensamente o seu carinho, mas isso é valioso demais!
— Você nem sequer abriu para olhar e já sabe que é valioso? — Retrucou a senhora, com um sorriso divertido nos lábios.
— Qualquer presente que precise de uma caixa tão trabalhada quanto essa tem uma grande probabilidade de ser inestimável. — Argumentou Luana, tentando manter a firmeza. — É uma gentileza muito grande, mas realmente não posso receber algo assim.
— Pegue, por favor. — O tom da Sra. Ramos adquiriu uma insistência que não admitia recusas. Ela continuou, explicando com ternura. — Você sabe que sua mãe e eu éramos como irmãs. Nós fizemos um pacto naquela época. Mesmo que nossos filhos não se casassem ou não se tornassem irmãos de criação, eu, como madrinha, teria o dever de deixar uma lembrança especial para minha afilhada. Não concorda?
Luana não conseguiu resistir à lógica afetuosa e à determinação da Sra. Ramos; quando se deu conta, a caixa de madeira já repousava em suas mãos.
— E nada de tentar me devolver. — Advertiu a Sra. Ramos, segurando as mãos da jovem com firmeza para fechar o acordo. — Foi dado por mim, portanto, agora é seu.
Sem ter para onde fugir, Luana suspirou e aceitou, rendendo-se à generosidade daquela mulher. A Sra. Ramos observou a aceitação com um brilho de satisfação no olhar, finalmente contente.
Não demorou muito para que deixassem o hospital. Luana acompanhou a Sra. Ramos até a entrada principal e, após as despedidas calorosas, observou-a entrar no carro. Enquanto o veículo se afastava e desaparecia no fluxo do trânsito, Luana baixou os olhos para a caixa em suas mãos; o objeto, belo e com um peso considerável, parecia carregar uma responsabilidade que a impedia até de fazer movimentos bruscos.
Ao entardecer, Luana dirigiu de volta para a mansão na Baía da Meia Encosta. Mal havia descido do carro quando o celular vibrou com uma mensagem de Ricardo.
[Recebeu as rosas de ontem à noite?]
Os dedos de Luana voaram sobre o teclado virtual, respondendo com agilidade: [Recebi. Estão pegando poeira no depósito.]
Ricardo respondeu quase instantaneamente: [Se eu soubesse disso...]
Luana enviou um ponto de interrogação.
Ricardo completou: [Teria ido entregar pessoalmente na sua porta.]
Luana não conteve um sorriso de escárnio ao digitar: [Eu não abriria a porta para você nem em sonho!]
Assim que a mensagem foi enviada, a tela do celular mudou, indicando uma chamada de seu pai. Ela parou a passos da entrada principal e atendeu:
— Já avisei a ela, está a caminho.
Ouvindo a menção, Carlos se voltou para eles com um sorriso tênue e comentou:
— Ainda não tive o prazer de conhecer essa sobrinha.
Vinícius franziu o cenho, incomodado com algo que não soube expressar.
— O Carlos adora viajar pelo mundo, vive fora o ano todo. — Interveio Danilo, gesticulando com a mão num sinal de descaso. — É normal que não esteja a par dos assuntos de casa.
Carlos manteve o sorriso, mas não respondeu, preservando um silêncio enigmático.
Naquele momento, Luana entrou no saguão, guiada pela governanta. Ao vê-la, Rita acenou com um entusiasmo que surpreendeu tanto Danilo quanto Soraia.
— Luana! Que bom que chegou!
Luana acenou com a cabeça em cumprimento, mas seu olhar logo se desviou de Rita para o homem sentado ao seu lado. A aparência dele era, no mínimo, marcante. Era uma beleza que beirava a delicadeza, com a pele de um branco frio e traços refinados. Seus olhos, no entanto, eram estreitos e longos, conferindo-lhe uma expressão singular.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...