André permaneceu ao lado de Gustavo quando ouviu o burburinho. Ao voltar o olhar para Luana, reconheceu imediatamente a mulher de Oeiras, aquela mesma que estivera no jantar ao lado de Ricardo.
O comentário se espalhou pelo salão, sussurrado entre médicos e executivos.
Era verdade que, em muitos ambientes, contatos e influência ainda valiam mais do que talento. Mas a regra mudava em eventos como aquele. Ali, entre pesquisadores e especialistas, era a competência que realmente importava. Indicações até abriam portas, mas era o trabalho que sustentava uma reputação duradoura.
Gustavo, inclusive, tinha fama de ser intolerante com gente vazia, que sobrevivia de aparências. Por isso, quando ele girou as contas tibetanas no pulso e trocou um sorriso rápido com André, deu para sentir o clima mudar.
— Você não queria conhecer minha aluna? — Comentou Gustavo, paciente.
— Claro, faço questão. — Respondeu André, com interesse autêntico.
Gustavo revelou um leve orgulho ao fazer sinal para Luana se aproximar. Com um gesto calmo, apoiou a mão no ombro dela e declarou, diante de todos, com tranquilidade:
— Pois está aqui. Apresento minha aluna, Luana.
O silêncio foi imediato e pesado. Diversas pessoas trocaram olhares. Vanessa empalideceu, incapaz de esconder o choque. Luana, aluna de Gustavo? Aquilo parecia impossível.
— Meu Deus, é mesmo sua aluna? — Exclamou André, entre verdadeiramente surpreso e admirado.
— É, e posso dizer que está entre as mais talentosas que já tive. — Afirmou Gustavo, orgulhoso. — Fui eu quem a escolheu. Desde o início, demonstrou uma precisão cirúrgica raríssima, dessas que não têm como se ensinar, só desenvolver.
Vanessa apertou as mãos, tentando disfarçar o rosto ainda marcado do tapa. Agora, porém, o que queimava era a vergonha. André e Gustavo rodeavam Luana com naturalidade, deixando-a completamente de lado.
Tentando se recompor, Vanessa se aproximou.
— Luana, por que não contou antes que era aluna do professor Gustavo? Se eu soubesse, nada disso teria acontecido... — Tentou ela, num tom falso, quase mendigando alguma compaixão.
Luana olhou de canto, gelada.
— Nunca precisei da sua aprovação para nada, Vanessa.
O climão tomou conta, com vários cochichos ao redor.
— Como ela pode ser assim? A Sra. Vanessa já explicou que só houve o desentendimento porque não sabia que ela era aluna do professor Gustavo, e mesmo assim ela nem demonstrou atitude nenhuma. — Resmungou uma mulher.
— Ah, com o professor Gustavo do lado, qualquer uma ficava corajosa. — Rebateu outra.
— Mas a Sra. Vanessa também não pediu desculpas, não é? E mesmo que não soubesse que ela era aluna do professor Gustavo, isso dá o direito de ofender alguém?
Vanessa segurou o choro, tentando bancar a vítima.
— Professor André, me desculpe pelo constrangimento, não pensei que seria tratada assim... — Murmurou ela, com voz trêmula.
André, que mal conhecia os detalhes entre as duas, ia tentar aliviar, mas Luana se adiantou, direta:
— O senhor quer mesmo que eu cumprimente uma mulher que entrou no meu casamento e destruiu minha família? É mais fácil me pedir para limpar esgoto.
Dizendo isso, Luana segurou o braço de Gustavo.
— Professor, eu não consigo fazer isso.

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