Luana permaneceu em silêncio por um breve instante, observando Liliane com uma expressão reflexiva antes de quebrar o gelo.
— Sendo bem honesta, as pessoas que eu posso chamar de amigos de verdade são poucas. Talvez duas ou três, no máximo. — Confessou ela, com um tom de voz sereno.
Liliane arregalou os olhos, incapaz de esconder sua surpresa.
— Só isso? Nossa, lá em Valdória, se eu parar para contar, consigo juntar umas quinze ou vinte pessoas fácil!
— Mas são todos amigos de coração? Pessoas com quem você pode contar para qualquer coisa? — qQuestionou Luana, erguendo uma sobrancelha.
— Eu acho... que sim. — Respondeu Liliane, mas a hesitação em sua voz traía sua insegurança.
No fundo, ela não tinha coragem de afirmar aquilo com certeza. Liliane cresceu cercada de gente e nunca lhe faltou companhia, mas tinha consciência de que aquela "sorte social" era, em grande parte, fruto do seu sobrenome e do dinheiro da família.
— Para falar a verdade, eu nem sei mais qual é a definição certa de amizade. — Admitiu ela, num tom mais baixo.
Luana deu de ombros, com a praticidade habitual.
— É simples. Amigo é aquela pessoa que pensa como você, alguém cujos valores e visão de mundo batem com os seus. Ou, sendo mais direta, é quem estende a mão quando você está no fundo do poço e precisa de ajuda.
Liliane ficou atônita por um segundo, encarando-a fixamente, até que um sorriso iluminou seu rosto.
— Bom, se for por essa lógica, você é uma delas, não é?
— E eu lá te ajudei em alguma coisa? — Indagou Luana, fingindo desinteresse enquanto pegava alguns papéis.
— Claro que ajudou! — Exclamou Liliane, rindo. — Quando eu estava em Riviera, você me acolheu sem pensar duas vezes. Isso conta, e muito!
Luana lançou um olhar carinhoso para ela, quase maternal, antes de girar a cadeira e começar a organizar os documentos sobre a mesa, escondendo um sorriso discreto.
— Se você acha que conta, então pode me colocar na lista.
— Nesse caso... o Valentino também entra na categoria de amigo. — Soltou Liliane, como quem não quer nada.
Luana parou o que estava fazendo e virou a cabeça, intrigada.
— Vocês ficaram tão íntimos assim de repente?
Liliane engasgou com a própria saliva e desviou o olhar para a janela, tentando disfarçar o nervosismo.
— Não! Que isso, a gente nem se dá bem, continua a mesma coisa de sempre. É que... ontem à noite ele me ajudou a sair de uma saia justa, só isso! — Justificou-se ela, atropelando as palavras.
Luana apenas sorriu, decidindo não provocar mais.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, o clima era pesado na mansão da família Souza.
Ao sair da casa e atravessar o jardim, Vinícius avistou uma figura magra parada sob a sombra de uma pereira. Era Carlos.
Ao ver o tio, o rosto de Vinícius se fechou ainda mais. Ele não tinha a menor intenção de cumprimentá-lo e tentou passar direto, mas a voz de Carlos o alcançou.
— Você desconfia do César, mas não desconfia de mim?
Vinícius estancou os passos, mas não se virou. Com um sorriso de canto, Carlos caminhou até ficar frente a frente com o sobrinho.
Perto de Carlos, Vinícius parecia fisicamente em desvantagem; era mais baixo e tinha o corpo mais esguio, com a aparência jovial de um rapaz de vinte e poucos anos. No entanto, quando se tratava de presença e autoridade, os dois se equiparavam. A aura imponente de Vinícius fazia qualquer um esquecer sua estatura.
Ele encarou Carlos sem piscar, com o semblante impassível.
— Eu desconfio, sim. E daí?
Carlos soltou uma risada curta e seca.
— Nada. Só fiquei curioso para saber se você já planejou como vai me atacar.
Vinícius permaneceu em silêncio, mas seu olhar carregava uma ponta de dúvida. Carlos sempre foi do tipo que agia pelas sombras, usando César como escudo, exatamente como fez com Yasmin. Por que, de repente, ele decidiria se expor dessa maneira? Aquela mudança de comportamento acendeu um alerta vermelho na mente de Vinícius.
— Se você está com tempo sobrando... — Continuou Vinícius, com um tom de deboche. — Deveria visitar sua mãe. Pelo que me lembro, ela não deve estar passando por um momento muito agradável, não é?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...