Ricardo se acomodou lentamente na cadeira ao lado da cama, cruzando as pernas longas com naturalidade. Seu porte era elegante e imponente, capaz de sustentar qualquer corte de terno como se tivesse nascido para isso. O rosto, de traços finos e simétricos, lembrava a superfície lisa de uma pedra de jade recém-polida, lhe conferindo um charme que, à primeira vista, dificultava qualquer desvio do olhar.
Nos tempos de universidade, ele era o rapaz mais admirado do campus. Longe dos olhares alheios, dedicou a ela três anos de um cuidado quase obsessivo. Chegaram até mesmo a ficar muito perto de marcar casamento.
Recordar tudo isso fazia o coração de Vanessa se apertar de inconformidade e arrependimento; a cada lembrança, a sensação de perda se tornava mais aguda.
— O que realmente aconteceu com aquele compromisso? — Perguntou ele, de súbito.
Ao perceber que o questionamento vinha justamente sobre aquele assunto, uma tensão súbita percorreu o corpo de Vanessa. Ela inspirou fundo, buscando manter a voz estável, e forçou as lágrimas a surgirem aos poucos nos olhos, deixando-as deslizar no momento certo.
— Foi descuido meu... Eu me enganei ao ler o número do camarote, e por isso a doutora Luana acabou correndo perigo. Então, não importa como ela resolva me tratar daqui pra frente, não vou me queixar.
A expressão de Ricardo se tornou ligeiramente mais difícil de decifrar. Ele não revidou, nem com palavras nem com gestos.
O silêncio dele, no entanto, só aumentava a ansiedade que percorria Vanessa por dentro.
— Ricardo, você não acredita no que eu disse?
— Não é isso. — Respondeu Ricardo após uma breve pausa, suficiente para que o ar parecesse mais denso. — Não se prenda a esse tipo de pensamento.
Ao ouvir a resposta, Vanessa conteve um suspiro de alívio e, de forma quase instintiva, o corpo dela começou a inclinar-se, como se buscasse o amparo do braço dele.
— Então sobre esse assunto, será que...
Antes que pudesse concluir, ele se levantou.
— Vou cuidar disso.
O movimento repentino fez com que Vanessa fosse obrigada a recuar, quase perdendo o equilíbrio na beira da cama.
Havia algo diferente nele desde que ela voltara ao país. Embora atendesse a cada pedido que ela fazia, aquela proximidade calorosa de antes já não se manifestava do mesmo jeito.
A ideia lhe cortava o peito. Talvez ele realmente se incomodasse por ela não ser mais intocada como antes.
Engolindo o amargor, Vanessa manteve a expressão controlada. No fundo, a conclusão parecia inevitável. Se ele não a tocava, era justamente porque a via como alguém que carregava a marca de ter dado um filho a outro homem.
No outro lado, Luana saiu da sala de monitoramento com um semblante carregado. Já era evidente para ela que Vanessa havia se preparado antecipadamente. Não era coincidência o fato de que, exatamente no horário do incidente, a câmera da escadaria não tivesse gravado nada. Aquilo só podia significar que alguém havia manipulado o equipamento.
Após alguns segundos de hesitação, Luana abriu a conversa com um certo contato no WhatsApp e digitou uma mensagem curta.
...
Nos dois dias seguintes, Ricardo não voltou a Bela Vista.
Para Luana, a ausência não era um problema. Naquele momento, até representava uma forma de alívio.

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