Luana permaneceu imóvel onde estava, esperando que ele se aproximasse.
— O que faz aqui fora? — Perguntou ela, com a surpresa evidente na voz assim que ele parou à sua frente.
— Não consegui ficar tranquilo com você sozinha na rua. — Respondeu ele, ajeitando a postura.
— E como sabia onde me encontrar? — Antes mesmo de terminar a frase, ela notou o olhar dele descer para o celular em sua mão e compreendeu imediatamente. Era o rastreador.
Sem aviso, Ricardo estendeu a mão e tomou a sacola de compras que ela segurava. Luana reagiu rápido, recuperando o pacote num gesto defensivo.
— Não é para você. — Disparou ela.
O movimento dele cessou no ar. Seus olhos se fixaram na pequena caixa quadrada que vislumbrara na sacola e, com o cenho franzido, ele indagou:
— Para quem é isso, então?
— Para o meu irmão. — Mentiu ela, desviando o olhar.
— Ele precisa que você compre presentes para ele?
— Eu quis comprar, qual é o problema? — Retrucou Luana, sem encará-lo.
Ricardo soltou um riso fraco, mas logo seus olhos foram tomados por uma sombra de pesar, e ele murmurou, quase para si:
— Tenho a impressão de que nunca recebi um presente seu.
— Tem certeza disso? — Provocou ela, erguendo uma sobrancelha.
Ele franziu a testa, como se vasculhasse a memória em busca de algo que contradizesse aquela afirmação. Luana suspirou, balançando a cabeça.
— Ricardo, se eu nunca tivesse te dado nada, como você poderia ter me dito para "não me dar ao trabalho de fazer algo inútil" no futuro?
A lembrança era amarga e nítida. No primeiro aniversário de casamento deles, em pleno inverno, ela havia tricotado um cachecol com as próprias mãos, ponto por ponto. A resposta dele ao receber o presente, no entanto, fora fria e cortante: "Daqui para a frente, não desperdice seu tempo com futilidades". Desde aquele dia, ela cumpriu o que lhe foi pedido e nunca mais se incomodou em presenteá-lo.
Ricardo sentiu um aperto no peito, como se o ar lhe faltasse por um instante.
— Eu não sabia que aquele cachecol era...
— Fui eu que fiz. Talvez o ponto estivesse torto ou o acabamento feio, então é normal que você tenha desprezado. — Interrompeu ela com um sorriso auto depreciativo, narrando a mágoa como se fosse uma história antiga que não lhe pertencesse mais. — Se fosse eu, também teria achado ruim.
— Não foi isso que quis dizer... — Tentou ele, a voz falhando.
— É passado, esqueça. — Luana deu tapinhas leves no ombro dele, forçando um sorriso profissional. — Sr. Ricardo, é hora de voltar. Se você demorar muito aqui fora, não sei como me explicar para a sua família.
Ricardo manteve os lábios selados, a expressão carregada de culpa.
Ao chegarem ao hotel, depararam-se com uma cena tensa no corredor. Alexandre repreendia os seguranças aos brados.
— Mandei vocês ficarem de olho nele! Agora ele sumiu e vocês não fazem ideia de onde está? Pago vocês para ficarem parados? — Esbravejava o patriarca.
Sem dizer mais nada, ela se recolheu ao seu quarto.
Ricardo permaneceu no corredor por alguns instantes, imerso em pensamentos. De repente, quebrou o silêncio e se dirigiu ao segurança que ainda estava ali de plantão:
— Você já tricotou um cachecol?
O homem piscou, confuso com a pergunta aleatória.
— Tricotar? Eu... eu não, senhor. Mas minha esposa já.
— Sua esposa fez para você? — Ricardo franziu o cenho, interessado.
— Sim. — Respondeu o segurança, abrindo um sorriso tímido e orgulhoso ao lembrar. — Ela tem mãos de fada para trabalhos manuais. Meus suéteres e os das crianças foram todos feitos por ela.
Assim que as palavras saíram, o sorriso do homem murchou. Ele percebeu tarde demais a gafe, pois estava ali se gabando do carinho da esposa bem na frente do patrão. Aquilo não seria o mesmo que jogar sal em uma ferida aberta?
O segurança se calou de imediato, lançando um olhar cauteloso e apreensivo na direção de Ricardo, temendo ter ultrapassado os limites.
Ricardo permaneceu em silêncio por um tempo que pareceu interminável, até que disse, com um tom de voz distante:
— Então você é um homem muito afortunado.
O segurança ficou atônito, sem saber como reagir àquela confissão velada. Nos olhos de Ricardo, transbordava um arrependimento profundo e amargo. Ao refletir sobre o passado, ele se dava conta de tudo o que havia desperdiçado por cegueira e orgulho. Se tivesse feito escolhas diferentes, ele também poderia ter vivido aquela mesma felicidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
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