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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 387

Ricardo passou a noite em claro, o que explicava as olheiras profundas e escuras sob seus olhos na manhã seguinte. Luana, por sua vez, manteve-se focada no prato, comendo em silêncio e evitando perguntas, mas Alexandre, sempre observador, não deixou o semblante abatido do filho passar despercebido.

— Não está se sentindo bem? — Indagou o patriarca.

— Não é nada. — Respondeu Ricardo, com a voz rouca e baixa.

Alexandre desviou o olhar para a nora, esperando que ela dissesse algo, mas Luana se adiantou antes que ele pudesse cobrar qualquer atitude dela.

— Pai, vou ao hospital hoje. — Avisou ela, limpando os cantos da boca com o guardanapo.

Ele ponderou por alguns segundos, cortando a carne em seu prato com calma deliberada, até que assentiu.

— Pode ir.

— Obrigada pela compreensão. — Agradeceu Luana, com um aceno respeitoso.

— Levo você. — Ricardo se ofereceu de imediato.

O instinto de Luana foi recusar prontamente, mas Alexandre interveio sem nem levantar os olhos do seu filé:

— Se não está tranquilo, peça para o Dorian levá-la.

— Não confio em mais ninguém para isso. — Retrucou Ricardo, irredutível.

Luana se inclinou sutilmente na direção dele e sussurrou, tentando não chamar a atenção:

— É sério, não precisa!

— Eu também vou ao hospital, fica no meu caminho. — Insistiu ele, encerrando a discussão.

Luana suspirou, derrotada e sem argumentos. Ficou pensando, com certa ironia, que antigamente ele jamais seria o tipo de homem grudento que insistiria em acompanhá-la.

Após o café da manhã, Luana saiu do hotel com Ricardo caminhando sem pressa logo atrás. O guarda-costas manobrou o veículo e abriu a porta para ambos. Mal haviam se acomodado no banco traseiro e o carro entrado em movimento, o celular de Luana tocou estridentemente.

Era Renata.

Ao atender, antes mesmo que Luana pudesse dizer "alô", a voz da amiga soou do outro lado, carregada de pânico e desespero:

— Luana, o Luiz ele... ele está no terraço! Vai pular!

A mente de Luana ficou em branco, um zumbido surdo preenchendo seus ouvidos. Ricardo, percebendo a mudança brusca na expressão dela, o rosto perdendo a cor instantaneamente, franziu a testa.

— O que aconteceu? — Perguntou ele, alarmado.

Luana baixou o celular devagar, com as mãos trêmulas, e murmurou, ainda em choque:

— Para o hospital, agora... Aconteceu uma coisa grave.

...

No hospital, a cena era caótica. Luiz segurava-se precariamente na grade de proteção do terraço, o corpo oscilando com o vento. Lá de cima, as pessoas na calçada pareciam formigas, aglomerando-se em uma massa densa e curiosa.

Ao saberem que alguém ameaçava pular, muitos pararam para assistir, enquanto a equipe médica agiu rápido acionando as autoridades. Em poucos minutos, bombeiros e policiais isolaram a área, e uma ambulância aguardava com o motor ligado, pronta para o pior.

— Tenha cuidado. — Pediu ele, com o olhar fixo no dela.

Ela assentiu brevemente e começou a subir a escada de metal rumo ao terraço. O vento lá em cima era forte, despenteando seus cabelos e tornando a situação ainda mais aterrorizante.

— Luiz! — Gritou ela assim que o avistou.

O rapaz virou a cabeça lentamente. Luana estancou no lugar, sem ousar dar mais um passo, com medo de que qualquer movimento brusco pudesse ser o gatilho para uma tragédia.

— Aí é muito perigoso, saia daí, por favor! — Suplicou ela, tentando manter a voz firme apesar do choro preso na garganta. — Se algo está te deixando infeliz, me conte. Resolvo tudo para você, eu prometo!

Luiz não se moveu, e Luana continuou, apelando para a memória da família:

— Você é um filho da família Freitas! É o orgulho do papai e da mamãe, aquele que eles diziam que teria o futuro mais brilhante! Você mesmo disse que se tornaria um homem honrado, que elevaria o nome da nossa família! Se eles soubessem que você está aí agora, ficariam devastados... e eu também vou ficar!

A voz de Luana falhou, as lágrimas finalmente escorrendo pelo rosto. A situação era crítica, e o medo de perder a única família que lhe restava a consumia. Ela não conseguiu salvar Douglas e Agatha, mas tinha que salvar Luiz.

— Luiz, por favor, venha para cá... Estou com muito medo. — Chorou ela, expondo toda a sua fragilidade.

Luiz apertou o corrimão com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Seus olhos também estavam vermelhos, carregados de uma desesperança mortal, como se a vida já tivesse o abandonado.

— Pare de mentir para mim... — Disse ele, a voz rouca e arrastada.

Luana paralisou, os olhos arregalados de espanto.

— Luiz... você... você falou?

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