Como Luana mal havia tocado no jantar, a fome logo apertou. Após voltar ao quarto e trocar de roupa, ela se dirigiu ao apartamento de Valentino. Era a primeira vez que entrava ali e o impacto foi imediato. O espaço era amplo, organizado de uma forma quase clínica, com uma limpeza impecável e sem qualquer objeto supérfluo à vista.
— Você tem poucos móveis aqui. — Comentou ela, percorrendo o ambiente com o olhar curioso.
— Não gosto de ambientes muito carregados. — Respondeu Valentino, enquanto despia o paletó.
Por baixo, ele vestia uma camisa branca de tecido fino, com um colarinho, que lhe conferia um ar de elegância rígida. Luana percebeu que era a primeira vez que o via vestido de maneira tão formal e alinhada.
— Já terminou de resolver os assuntos da sua família? — Indagou ela.
Valentino fez uma breve pausa em seus movimentos, caminhou até a mesa e começou a dispor os espetinhos sobre a louça.
— Não era nada importante. — Disse ele, num tom casual, estendendo um espeto de carne na direção dela. — Prove, veja se o tempero está do seu agrado.
Luana aceitou, sentou-se e deu uma mordida cautelosa.
— Sim, está ótimo.
Valentino foi até a geladeira.
— Aceita beber algo?
— O que você tiver, serve.
Ele abriu uma bebida e a colocou diante dela.
— Obrigada. — Agradeceu Luana, tomando um gole generoso após terminar o espetinho.
Valentino a observava em silêncio, com uma atenção que a deixou ligeiramente constrangida.
— Você come bem. — Notou ele, e antes que ela pudesse responder, completou com um sorriso de canto. — Mas continua magra. Pode comer mais.
— Isso... por acaso é a minha última refeição? — Brincou ela, erguendo uma sobrancelha.
Diante da expressão desconfiada dela, ele soltou uma risada breve, mas logo endireitou a postura, encarando-a com intensidade.
— O que se passa nessa sua cabeça?
— Bom, assim que cheguei você me chamou para comer e insistiu para que eu comesse bastante. Achei que fosse um banquete de despedida. — Retrucou Luana, mantendo o tom de brincadeira.
No entanto, a expressão de Valentino se tornou subitamente séria.
— Se você quiser comer todos os dias, eu posso cozinhar para você todos os dias.
Luana paralisou. A mudança brusca no rumo da conversa a pegou desprevenida, deixando-a sem reação e com receio de dar qualquer resposta que pudesse ser mal interpretada. Percebendo o olhar dela, que vagava inquieto pelo ambiente tentando evitar o contato visual, Valentino ergueu a mão e se inclinou na direção dela.
Instintivamente, Luana recuou o corpo contra o encosto da cadeira.
— Não se mexa. — Ordenou ele, com a voz grave.
O comando a fez estancar, olhando-o sem entender. O polegar dele tocou o canto dos lábios dela, um toque sutil, leve como uma pluma roçando a pele.
— Estava sujo. — Murmurou ele.
A mão de Valentino permaneceu acariciando o rosto dela por um instante a mais do que o necessário. Luana encontrou os olhos dele e sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao notar a escuridão e o desejo contidos naquele olhar. Ela conhecia bem aquele tipo de expressão masculina; era familiar a ponto de saber exatamente o que viria a seguir.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...