Atingida em cheio pelo líquido quente, Lívia paralisou por uma fração de segundo, atônita, antes que a indignação lhe roubasse o controle. Com o rosto encharcado e a voz estridente, ela gritou, atraindo a atenção de todos:
— Você se atreveu a jogar chá em mim! Luana, eu vou fazer uma reclamação formal contra você, pode acreditar!
O escândalo ecoou pelo ateliê, fazendo com que os funcionários se aproximassem, confusos, tentando entender o motivo de tamanha confusão. Luana, no entanto, manteve a postura firme e apontou para a câmera de segurança instalada no canto superior da sala.
— Se tem coragem, vá em frente e reclame. Acha que o sistema de vigilância é mero enfeite? — retrucou Luana, com um tom de voz gelado. — Você é uma estranha aqui, e o departamento de pesquisa monitora tudo; o que você fez foi gravado com clareza. Não pense que vou tolerar seus abusos apenas por você ser protegida da Senhora Alencar. E digo mais, se isso chegar aos ouvidos do Gustavo, duvido que até mesmo a senhora Alencar consiga livrar a sua cara.
Ao ouvir o nome de Gustavo, a cor fugiu do rosto de Lívia. Ela trincou os dentes, forçada a engolir a fúria que a consumia, pois sabia que aquela era uma batalha perdida.
— Você me paga! — Disse ela, antes de dar meia-volta e sair pisando duro, bufando de raiva.
Luana observou a mulher se afastar e, ainda tremendo levemente pela adrenalina do confronto, murmurou para si:
— Tá louca.
Uma funcionária, ainda pálida pelo susto, aproximou-se timidamente para defender a chefe.
— Senhora Luana, foi ela quem esbarrou em mim de propósito, eu juro...
— Sei que não foi culpa sua, não se preocupe e nem se culpe por isso. — Confortou Luana, tentando esboçar um sorriso tranquilizador.
— Mas a sua mão... — Apontou a moça, aflita.
Luana baixou o olhar para a pele onde o chá fervente caíra. A região já estava vermelha e inchada, irradiando uma dor aguda e latejante que começava a dar lugar a uma dormência preocupante.
— Vou precisar cuidar disso agora mesmo.
Sem perder tempo, Luana saiu do estúdio em direção à enfermaria para tratar a queimadura.
...
Mais tarde, quando Valentino retornou ao estúdio, caminhava distraído até que vozes abafadas capturaram sua atenção. Inicialmente ele não deu importância, mas o nome "Luana" o fez parar abruptamente.
— A senhora Luana deve ter ofendido alguém importante. Aquela mulher veio com tudo para cima dela, foi claramente intencional.
— Eu ouvi a Senhora Luana mencionar "alguém da senhora Alencar". Será que é a mesma Senhora Alencar que estamos pensando?
— De qualquer forma, a senhora Luana tem um azar danado. Aquela água estava fervendo. Se fosse em mim, eu estaria chorando de dor até agora.
Valentino permaneceu imóvel no corredor, e seu olhar, antes calmo, tornou-se gélido e perigoso.
Enquanto isso, na residência da família Alencar, a atmosfera parecia tranquila.
Isabela e Felícia apreciavam o chá da tarde na sala de estar. Isabela pousou a xícara de porcelana sobre o pires e quebrou o silêncio:
— Felícia, sua avó tem planos de arranjar um casamento para você. Eu disse a ela que poderíamos esperar você se formar e voltar para casa antes de discutir assuntos tão sérios. O que você acha?
Felícia hesitou por um instante, mas logo abriu um sorriso doce para a mãe.
— Por mim, tudo bem. O que a senhora decidir está ótimo.
— Sei que você é a filha mais obediente do mundo. — Elogiou Isabela, acariciando os cabelos da jovem com ternura, embora um traço de melancolia tenha surgido em seu olhar. — Quem dera seu irmão fosse sensato como você.
Felícia apertou a xícara com um pouco mais de força. Seus olhos oscilaram sutilmente, mas ela permaneceu calada, escondendo seus verdadeiros pensamentos.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...