Ele se lembrava muito bem daquela garota.
Lembrava-se do corpo franzino, de ser a mais nova entre todos eles e, curiosamente, a única que não chorou de pavor. Ela não fazia parte do plano original, foi um erro de cálculo, um acaso infeliz. O azar foi dela por ter visto o rosto deles.
No início, Júlio se considerava um homem de bem. Um sujeito trabalhador, um "bom moço" que vivia para servir a elite e engolir sapos como um cão fiel. Ele precisava desesperadamente de dinheiro, pois cada sessão de diálise de sua mãe custava uma fortuna. Naquela época, a dignidade valia muito menos do que as cédulas no bolso.
Com o apadrinhamento da família Alencar, ele ascendeu ao cargo de gerente do banco aos vinte e nove anos. Aos olhos alheios, era um jovem de futuro brilhante e promissor, mas só ele sabia a verdade amarga. Era apenas um gerente de fachada. Não tinha sequer autorização para saber sobre o fluxo real de capital interno da instituição.
Tudo ruiu quando um desvio de seis milhões foi descoberto. Ele se tornou o bode expiatório perfeito. Sua mãe, que acabara de passar por um transplante de rim, não suportou a pressão e se atirou do prédio. Sua esposa, recusando-se a dividir a desgraça e a pobreza, o abandonou, levando o filho para longe.
Foi a partir daquela tragédia que ele compreendeu a regra máxima. O jogo só tinha graça quando as cartas estavam na sua mão.
O sequestro planejado tempos depois foi o seu palco, o seu grande jogo. Ele sentia um prazer sádico ao ouvir aqueles ricaços, que antes torciam o nariz para ele, implorando humilhados do outro lado da linha telefônica. Se a vida humana não valia nada para eles, a vida dos filhos deles também não valeria nada para ele.
Só não contava que três daquelas crianças conseguiriam escapar...
Júlio trouxe a mente de volta ao presente, abotoando os punhos da camisa sem alterar a expressão impassível.
— Sendo assim, acho que está na hora de eu conhecer sua sobrinha pessoalmente.
...
No dia seguinte.
Ao caminhar pelos corredores do hospital, Luana passou em frente a uma enfermaria e, inadvertidamente, viu no noticiário da TV uma reportagem sobre o agravamento do estado de saúde de Sofia. Ela estancou no lugar, sentindo o peito apertar.
"Vovó Sofia está doente..." pensou ela, atordoada. "Será que foi por causa da notícia do Ricardo?"
Um misto de sentimentos complexos a invadiu. Sofia sempre a tratava com imenso carinho, e saber que a matriarca estava sofrendo sem poder ir visitá-la era angustiante. No fundo, Luana também temia que a avó guardasse alguma mágoa dela por tudo o que aconteceu.
Enquanto estava perdida em pensamentos, as vozes de alguns familiares de pacientes que assistiam à TV chegaram aos seus ouvidos.
— Quem diria, hein? Um império como o Grupo Ferraz balançando desse jeito! — Comentou um homem.
— Pois é, o neto mais velho morreu e agora a família Ferraz só tem uma neta. — Respondeu uma mulher ao lado. — Quando os velhos se forem, é quase certo que o Grupo Ferraz vai mudar de dono.
— Luana! Você está bem? — Perguntou ele, a voz carregada de urgência.
Ela balançou a cabeça negativamente, ainda em choque, incapaz de formular palavras. Ao baixar os olhos, porém, notou algo que a fez despertar do transe: o antebraço direito de Valentino estava encharcado de sangue.
— Valentino... você está ferido — Sussurrou ela, a voz trêmula.
Sandro, que se aproximou logo em seguida, arregalou os olhos.
— Caramba, Valentino! Olha esse corte! Precisamos tratar isso agora!
Valentino pareceu surpreso. Ele ergueu o braço e só então viu o rasgo profundo na pele, a carne exposta sangrando profusamente.
— Deve ter sido na hora que eu o agarrei, nem senti nada... — Murmurou ele, minimizando a dor.
— Um corte desses precisa de pontos, e rápido. — Disse Luana, recuperando o senso prático. Ela puxou Valentino para dentro do posto de enfermagem, vasculhando os armários em busca de material para os primeiros socorros. — Senta aqui, vou limpar isso antes que infeccione.
Sandro caminhou até a porta, prestes a entrar, mas parou. Uma ideia cruzou sua mente. Ele recuou, fechando a porta e se postando do lado de fora como um guarda-costas, impedindo que outros enfermeiros curiosos entrassem e interrompessem o momento entre os dois.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...