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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 464

Ele se lembrava muito bem daquela garota.

Lembrava-se do corpo franzino, de ser a mais nova entre todos eles e, curiosamente, a única que não chorou de pavor. Ela não fazia parte do plano original, foi um erro de cálculo, um acaso infeliz. O azar foi dela por ter visto o rosto deles.

No início, Júlio se considerava um homem de bem. Um sujeito trabalhador, um "bom moço" que vivia para servir a elite e engolir sapos como um cão fiel. Ele precisava desesperadamente de dinheiro, pois cada sessão de diálise de sua mãe custava uma fortuna. Naquela época, a dignidade valia muito menos do que as cédulas no bolso.

Com o apadrinhamento da família Alencar, ele ascendeu ao cargo de gerente do banco aos vinte e nove anos. Aos olhos alheios, era um jovem de futuro brilhante e promissor, mas só ele sabia a verdade amarga. Era apenas um gerente de fachada. Não tinha sequer autorização para saber sobre o fluxo real de capital interno da instituição.

Tudo ruiu quando um desvio de seis milhões foi descoberto. Ele se tornou o bode expiatório perfeito. Sua mãe, que acabara de passar por um transplante de rim, não suportou a pressão e se atirou do prédio. Sua esposa, recusando-se a dividir a desgraça e a pobreza, o abandonou, levando o filho para longe.

Foi a partir daquela tragédia que ele compreendeu a regra máxima. O jogo só tinha graça quando as cartas estavam na sua mão.

O sequestro planejado tempos depois foi o seu palco, o seu grande jogo. Ele sentia um prazer sádico ao ouvir aqueles ricaços, que antes torciam o nariz para ele, implorando humilhados do outro lado da linha telefônica. Se a vida humana não valia nada para eles, a vida dos filhos deles também não valeria nada para ele.

Só não contava que três daquelas crianças conseguiriam escapar...

Júlio trouxe a mente de volta ao presente, abotoando os punhos da camisa sem alterar a expressão impassível.

— Sendo assim, acho que está na hora de eu conhecer sua sobrinha pessoalmente.

...

No dia seguinte.

Ao caminhar pelos corredores do hospital, Luana passou em frente a uma enfermaria e, inadvertidamente, viu no noticiário da TV uma reportagem sobre o agravamento do estado de saúde de Sofia. Ela estancou no lugar, sentindo o peito apertar.

"Vovó Sofia está doente..." pensou ela, atordoada. "Será que foi por causa da notícia do Ricardo?"

Um misto de sentimentos complexos a invadiu. Sofia sempre a tratava com imenso carinho, e saber que a matriarca estava sofrendo sem poder ir visitá-la era angustiante. No fundo, Luana também temia que a avó guardasse alguma mágoa dela por tudo o que aconteceu.

Enquanto estava perdida em pensamentos, as vozes de alguns familiares de pacientes que assistiam à TV chegaram aos seus ouvidos.

— Quem diria, hein? Um império como o Grupo Ferraz balançando desse jeito! — Comentou um homem.

— Pois é, o neto mais velho morreu e agora a família Ferraz só tem uma neta. — Respondeu uma mulher ao lado. — Quando os velhos se forem, é quase certo que o Grupo Ferraz vai mudar de dono.

— Luana! Você está bem? — Perguntou ele, a voz carregada de urgência.

Ela balançou a cabeça negativamente, ainda em choque, incapaz de formular palavras. Ao baixar os olhos, porém, notou algo que a fez despertar do transe: o antebraço direito de Valentino estava encharcado de sangue.

— Valentino... você está ferido — Sussurrou ela, a voz trêmula.

Sandro, que se aproximou logo em seguida, arregalou os olhos.

— Caramba, Valentino! Olha esse corte! Precisamos tratar isso agora!

Valentino pareceu surpreso. Ele ergueu o braço e só então viu o rasgo profundo na pele, a carne exposta sangrando profusamente.

— Deve ter sido na hora que eu o agarrei, nem senti nada... — Murmurou ele, minimizando a dor.

— Um corte desses precisa de pontos, e rápido. — Disse Luana, recuperando o senso prático. Ela puxou Valentino para dentro do posto de enfermagem, vasculhando os armários em busca de material para os primeiros socorros. — Senta aqui, vou limpar isso antes que infeccione.

Sandro caminhou até a porta, prestes a entrar, mas parou. Uma ideia cruzou sua mente. Ele recuou, fechando a porta e se postando do lado de fora como um guarda-costas, impedindo que outros enfermeiros curiosos entrassem e interrompessem o momento entre os dois.

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