— O que você quer dizer com isso? — Questionou Valentino, franzindo a testa.
— As células cancerígenas se espalharam. Daqui a dez dias, voltarei para o exterior para uma cirurgia. — Revelou Ricardo, com uma naturalidade assustadora. — Mas não sei se sairei vivo da mesa de operação. O motivo do meu retorno não foi apenas a Luana, mas também o Júlio.
A expressão de Valentino endureceu num instante.
— Então você sabe que o Júlio é o mandante do sequestro?
— Sei. — Confirmou Ricardo, levando a xícara de café aos lábios para um gole lento. — E não apenas sei, como também tenho em mãos as provas mais letais contra ele. Provas que podem destruí-lo.
— Então a sua falsa morte foi uma estratégia para confundir o Júlio? — Valentino soltou uma risada incrédula. — Você tem certeza de que ele cairá nessa?
— Basta que algumas pessoas acreditem que morri para que ele também acredite. A dúvida é minha aliada.
Valentino permaneceu sentado por mais alguns instantes, digerindo a informação. Quando fez menção de se levantar para ir embora, Ricardo o interrompeu:
— Você poderia não contar à Luana que me viu? É melhor que ela continue sem saber de nada.
Valentino parou, virou levemente a cabeça e respondeu com frieza:
— Não precisa pedir. Eu já sei o que fazer.
Ele saiu sem olhar para trás. Assim que a figura de Valentino desapareceu, Liliane bufou e se aproximou da mesa, sentando-se ao lado do primo.
— Você adora fazer drama, não é? A Luana já está morando na casa dele e você aí, fingindo que não se importa. Não está nem um pouco preocupado?
A mão de Ricardo parou no ar por um segundo, os dedos se contraindo involuntariamente, mas seu rosto permaneceu impassível.
— Estamos divorciados agora. De que adiantaria eu me preocupar?
— Divorciados mesmo? De papel passado? — Insistiu ela.
Ele acenou com a cabeça.
— E não tem nenhuma chance de volta? Nada? — Liliane cruzou os braços, indignada.
Ricardo ergueu os olhos, cansado.
— Se não nos divorciássemos, meus pais culpariam a Luana pela minha "morte". A família Ferraz já tem problemas suficientes.
— Quando diz problemas, refere-se à sua tia Helena, certo? — Liliane revirou os olhos. — A Helena e a Anabela são duas cobras. Mal saiu a notícia do seu acidente e ela já correu para aliciar os acionistas do Grupo Ferraz, além de trazer a Anabela de volta do exterior. Estão agindo como se fossem donas do mundo. Só sabem chutar cachorro morto. Se não fosse pela minha família segurando as pontas em Oeiras, a família Ferraz já estaria nas mãos delas!
Ricardo se permitiu um sorriso breve e gelado.
— Deixe ela aproveitar a vitória temporária. Quanto mais alto ela subir, maior será a queda.
...
Durante toda a tarde, as palavras ameaçadoras de Júlio ecoaram na mente de Luana, impedindo-a de se concentrar no trabalho. A ansiedade era um ruído constante de fundo.
Valentino parou à porta do escritório dela. Ao vê-la com a mão na testa e uma expressão pesada, bateu levemente na madeira para chamar atenção. Luana se sobressaltou, erguendo a cabeça.
— Professor Valentino?
— Não está se sentindo bem?
— Luana!
— Lá vem você com essa manha. — Suspirou Luana, mas com um sorriso nos lábios. — Fala logo, o que você quer?
— Já que ele não vai estar em casa, que tal jantarmos fora? — Sugeriu Liliane, balançando o corpo de um lado para o outro com um ar pidão e travesso. — Pode deixar que eu pago! Tenho minhas economias, sabia?
— Jantar fora? Mas...
— Ah, vai... Venho tão pouco à Riviera. Você vai ter coragem de negar? — Liliane piscou os olhos de forma exagerada, fazendo a melhor cara de cachorrinho abandonado que conseguiu.
Luana respirou fundo, derrotada. Diante daquela expressão suplicante, era impossível dizer não. Liliane sabia exatamente como dobrá-la.
— Tudo bem, tudo bem. Vamos sair para comer.
— Luana, você é a melhor! — Comemorou a garota.
...
As duas foram a um restaurante sofisticado no centro. Da janela, a vista era deslumbrante; o crepúsculo cobria a metrópole movimentada com um manto de luzes cintilantes.
— Luana, olha essa vista! É incrível! — Exclamou Liliane, sacando o celular para tirar fotos da paisagem urbana através do vidro panorâmico.
Quando os pratos chegaram à mesa, Luana não tocou nos talheres de imediato. Ela ficou observando Liliane por um instante, a expressão séria, antes de lançar a pergunta que estava presa em sua garganta:
— Você realmente acredita que o Ricardo morreu?
A pergunta repentina pegou Liliane de surpresa. Ela se engasgou com a própria saliva e começou a tossir violentamente, o pânico estampado no rosto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...