Percebendo o estado de nervosismo da amiga, Luana se apressou em lhe entregar um copo da água, tentando acalmá-la.
— Só fiz uma pergunta simples, por que você ficou tão assustada? — Indagou ela, franzindo o cenho.
Liliane virou o copo de uma só vez, e só depois de recuperar o fôlego, perguntou com a voz trêmula:
— O Valentino... ele te contou alguma coisa?
Luana parou por um instante, analisando a reação exagerada da outra.
— Por que você está perguntando isso? — Retrucou, desconfiada.
Embora as palavras de Valentino mais cedo tivessem realmente servido como um alerta, o comportamento de Liliane era estranho. Por que ela suspeitaria logo dele?
— Bom... é que ele me fez umas perguntas hoje também. — Confessou Liliane, desviando o olhar.
— Quando isso aconteceu?
Os olhos de Liliane correram de um lado para o outro, buscando uma escapatória rápida.
— Fui dar uma volta no shopping, sabe? Como eu ia adivinhar que daria de cara com ele? — Mentiu ela, gesticulando para dar ênfase. — Ele me encurralou perguntando sobre o assunto, mas o que eu poderia saber? Todo mundo diz que o Ricardo morreu na explosão, até a tia Amanda desmaiou de tanto chorar.
Luana apertou os lábios, decidindo não questionar a veracidade daquela história, embora algo não parecesse certo. Liliane soltou um suspiro de alívio ao ver que a amiga não insistiria, mas logo voltou à carga com um tom mais sério:
— Mas, me diz a verdade... você queria que o Ricardo estivesse vivo?
A pergunta pegou Luana de surpresa. Ela sentiu um nó na garganta e virou o rosto para a janela, fitando o vazio.
— Nós estamos divorciados, Liliane. Se ele está vivo ou morto, não é problema meu.
— Não é o que parece. — Provocou Liliane. — Pelo seu tom de voz, você se importa, e muito.
— Você ouviu errado. — Cortou Luana, encerrando o assunto ao enfiar um pedaço de comida na tigela da amiga. — Come logo.
Liliane mostrou a língua, rindo, e aceitou a trégua silenciosa.
A noite avançou e, em algum momento, Liliane pediu duas garrafas de uísque. O que era para ser apenas um jantar se transformou numa bebedeira. Quando saíram do restaurante às nove da noite, as duas caminhavam abraçadas, trocando as pernas, completamente embriagadas.
— Luana... — Chamou Liliane, soltando um soluço alto e se pendurando no ombro da amiga, quase gritando em seu ouvido. — Quem é melhor? O Ricardo ou o Valentino?
Luana, que há muito tempo não bebia daquele jeito, sentia a cabeça girar e os pés leves, como se pisasse em nuvens. O álcool havia dado uma coragem e uma honestidade perigosas para ela.
— Claro que é o... professor Valentino! — Exclamou Luana, rindo para o vento.
Liliane estancou no lugar, a súbita confissão dissipando metade de sua embriaguez.
— O quê? — Ela arregalou os olhos. — Você não tá falando sério... Você se apaixonou pelo Valentino? E o Ricardo?
Luana se soltou do aperto dele e, num movimento ousado, passou os braços ao redor do pescoço dele.
— Em tudo. — Ela aproximou o rosto do dele. — Quer ser meu namorado?
O pomo de adão de Ricardo oscilou, e ele desviou o olhar, tentando manter o controle.
— Você age assim com qualquer homem?
— Adivinha? — Provocou ela.
— Você está bêbada. Vou te levar para casa...
Antes que ele pudesse terminar, Luana avançou e mordiscou a pele sensível de seu pescoço. O corpo de Ricardo retesou-se instantaneamente. Ele agarrou a cintura dela, tentando imobilizá-la, mas o álcool a deixara desinibida como um animal selvagem. A respiração dele pesou; aquela tortura acabaria com seu autocontrole.
"Que se dane", pensou ele. "Se é para morrer, que seja assim."
Ricardo arrancou a máscara e, num ímpeto, tomou a boca dela. O beijo foi avassalador, carregado de uma saudade e uma possessividade que a envolveram por completo, roubando-lhe o ar. O espaço confinado do carro tornava tudo mais intenso, limitando seus movimentos, o que o obrigava a um autocontrole quase doloroso. Ele a puxou para seu colo, enterrando o rosto na curva do pescoço dela, inebriado pelo cheiro de sua pele.
Mas, ironicamente, justo quando a situação estava prestes a ultrapassar o limite do retorno, o corpo de Luana relaxou. Ela havia adormecido.
Ricardo parou, ofegante. Olhou para o rosto sereno dela, sentindo um misto de frustração e ternura. Passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás, e se recostou no banco. A camisa aberta revelava o peito avermelhado pela excitação contida. Após alguns minutos, quando sua respiração voltou ao normal, ele a ajeitou melhor, permitindo que ela dormisse aninhada em seu abraço.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...