A pouca distância, Ricardo mantinha o olhar fixo em Luana através da janela do carro. O vidro, ao mesmo tempo que lhe permitia observá-la, refletia sua própria imagem, sobrepondo ao rosto dela a metade do seu perfil desfigurado pelas cicatrizes de queimadura. Visto de perto, o contraste na textura da pele era brutal, uma marca indelével do passado.
Lá fora, a silhueta de Luana parecia perigosamente frágil sob o vento cortante, uma imagem de desamparo que fez o coração de Ricardo apertar no peito. O impulso de abrir a porta e correr até ela foi quase incontrolável, uma agonia física que o consumia.
— Sr. Ricardo, precisamos partir. — Alertou o motorista, virando-se para o banco de trás com uma expressão de cautela. — O Sr. Roberto já está cobrando sua presença.
Ricardo engoliu em seco, lutando contra o próprio desejo.
— Vamos. — Concordou ele, com a voz rouca e arrastada.
O veículo deslizou suavemente pelo asfalto, passando a poucos metros de onde Luana estava parada. Ela permaneceu imóvel, sem jamais imaginar que, por uma fração de segundo e separados apenas por uma película de vidro fumê, o homem que marcou sua vida estivera ali, tão perto.
...
Um ano se passou.
O avanço na medicina com a tecnologia de nano drogas foi finalmente concretizado e o lançamento oficial estava agendado para o dia seguinte.
O banquete de celebração reunia a elite do setor, magnatas da indústria farmacêutica e investidores de peso circulavam pelo salão luxuoso. Como André estava no exterior e impossibilitado de comparecer, a responsabilidade de anfitrião recaiu sobre os ombros de Gustavo.
Após discursar no palco sob aplausos calorosos, Gustavo desceu e se juntou aos convidados. Assim que o protocolo oficial deu lugar ao coquetel, ele fez um gesto discreto chamando Luana para o seu lado, apresentando-a a um grupo de veteranos da medicina.
— Senhores, esta é a aluna de quem tanto lhes falei. Luana, estes são alguns dos maiores nomes da nossa área. — Introduziu Gustavo, com orgulho paternal.
Um dos médicos mais velhos franziu o cenho, buscando algo na memória.
— Luana... O nome não me é estranho. Tenho a impressão de já tê-lo ouvido antes.
Antes que ele pudesse concluir o raciocínio, outro colega o interrompeu com um sorriso cortês:
— Bom, se é uma pupila do Gustavo, certamente possui um talento extraordinário. Isso é tudo o que precisamos saber.
Luana sorriu, mantendo a postura humilde que lhe era característica.
— O senhor é muito generoso, mas tudo o que conquistei até hoje devo à excelente orientação do professor Gustavo. — Respondeu ela, com elegância.
Gustavo riu, satisfeito com a resposta. O grupo engatou em uma conversa descontraída, que inevitavelmente derivou para assuntos pessoais, até que alguém tocou no nome de Valentino.
— E o casamento do Valentino, Gustavo? Já têm data? — Indagou um dos convidados.
Um leve constrangimento pairou sobre Gustavo, mas Isabela, que se aproximara sorrateiramente, interveio com um sorriso radiante antes que ele precisasse responder.
— O projeto começou com a colaboração da Senhora Sofia, mas agora é a Amanda quem decide os investimentos futuros. — Justificou Isabela, pragmática. — Não podemos nos dar ao luxo de perder um cliente desse porte por causa de uma única pessoa.
Gustavo entendeu imediatamente a manobra. Puxou a filha para um canto mais reservado, longe dos ouvidos curiosos.
— Você sabe que a Luana está aqui. Tem noção do que vai acontecer quando a Amanda colocar os olhos nela?
— Eu não posso controlar tudo, pai! — Retrucou Isabela, defensiva. — Minha prioridade é impedir que o Valentino se afunde ainda mais nessa história.
— Você... — Gustavo começou a protestar, mas se calou.
Uma comoção na entrada do salão atraiu todos os olhares. Amanda e Liliane haviam chegado, emanando uma aura de poder e frieza que silenciou as conversas próximas.
A presença de Amanda gerou especulações imediatas. Todos sabiam que o projeto fora cedido por Sofia à família Alencar, mas como a matriarca estava reclusa há seis meses por motivos de saúde, cabia à nora representá-la.
Ao avistar Luana, Liliane fez menção de acenar, num gesto espontâneo de amizade, mas travou. Lembrou-se de quem estava ao seu lado e olhou com receio para a tia.
A reação de Amanda foi instantânea. Seus olhos fuzilaram Luana com um ódio visceral. Mesmo sabendo que a morte de Ricardo fora um acidente, na lógica tortuosa de seu luto, Luana era a catalisadora de toda a desgraça. Para Amanda, aquela mulher era a maldição que ceifara a vida de seu filho.
Isabela observou a cena e, intimamente, compreendeu o olhar da outra mulher. Como mãe, sabia que se seu filho tivesse morrido para salvar alguém, seria insuportável não transferir a culpa para o sobrevivente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...