— Que coincidência incrível, não é? — Liliane se sentou sem qualquer cerimônia, lançando um olhar rápido e travesso para Valentino antes de continuar com naturalidade. — Eu estava por perto e, por acaso, vi vocês!
Ela fixou os olhos na panela fumegante sobre a mesa, inspirando o aroma com um sorriso guloso.
— Nossa, que cheiro delicioso! Vocês não se importam que eu me junte à mesa, certo?
Luana, pega de surpresa, forçou um sorriso amarelo e olhou para Valentino em busca de socorro. O homem, porém, manteve a expressão impenetrável.
— Você é a anfitriã, você decide. — Disse Valentino com indiferença, recostando-se na cadeira.
— Então... tudo bem.
— Ah, Luana, você é um amor! — Exclamou Liliane, acomodando-se triunfante na cadeira ao lado dela.
Durante a refeição, Luana pediu licença e se levantou para ir ao toalete. Assim que ficaram a sós, a máscara de doçura de Liliane caiu instantaneamente, dando lugar a um olhar de puro desafio e provocação.
— Deve ser horrível ter seus planos arruinados por mim, não é, Sr. Valentino? Imagino o quanto deve estar doendo aí dentro.
Ele soltou uma risada curta e nasalada, sem se abalar.
— Por que eu me sentiria mal? Quem deve estar sofrendo é aquele outro sujeito. Caso contrário, ele não teria mandado você zumbir ao redor da Luana feito uma mosca varejeira.
— Se sou a mosca, você é o quê? Um sa... — Liliane examinou o rosto dele. Ele era bonito demais para ser chamado de sapo. Corrigiu-se de imediato, buscando algo mais ofensivo. — Uma cobra peçonhenta! Um carrapato grudento!
— Interessante. Essas definições se encaixam muito melhor no Ricardo.
— Seu...
Liliane apontou o dedo para ele, furiosa, mas ao perceber que o homem a ignorava completamente e continuava a comer com elegância, trincou os dentes, recolheu a mão e decidiu descontar a raiva na comida, enterrando a cara no prato.
Enquanto isso, no corredor do shopping que levava ao toalete do restaurante, Luana caminhava de volta quando avistou Manuel. Ele vestia roupas casuais e conversava com um homem diante do elevador.
Quando o desconhecido virou o rosto de perfil, os traços angulosos e dolorosamente familiares atingiram Luana como um soco no estômago. Aquela visão, mesmo que fugaz e rápida, foi suficiente para fazer seu coração falhar uma batida.
As portas do elevador se abriram e o homem entrou a passos largos. Manuel permaneceu do lado de fora, observando-o entrar antes de apertar o botão para fechar a porta. Num impulso desesperado, assim que as portas começaram a deslizar, Luana correu.
Ao ouvir os passos apressados, Manuel se virou e arregalou os olhos.
— Sra. Luana?
— Aquele homem... era o Ricardo, não era? Ele está vivo! — Disparou ela, sem fôlego, exigindo uma resposta definitiva enquanto tentava olhar para o mostrador do elevador.
Manuel exibiu uma expressão constrangida e balançou a cabeça devagar.
— Sra. Luana, a senhora deve ter se enganado.
— Eu jamais confundiria aquele rosto! Nem que ele virasse cinzas eu deixaria de reconhecê-lo!
— Aquele não é o Sr. Ricardo. — Afirmou Manuel com firmeza, mas com um tom de pesar. — Sei que é difícil aceitar o que aconteceu, e que a mente nos prega peças, mas... cedo ou tarde, a senhora precisará encarar a realidade.
Manuel, alegando ter assuntos urgentes para resolver, ofereceu apenas aquelas breves palavras de consolo e se retirou rapidamente.
Luana permaneceu ali por um momento, atordoada. Quando retornou à mesa, Valentino notou imediatamente o cansaço em seu semblante e a demora excessiva. Deduziu que algo houvera ocorrido naquele intervalo, mas, respeitando o espaço dela, optou pela discrição e não fez perguntas.
Ao final do jantar, quando Valentino se prontificou a levar Luana para casa, Liliane interceptou a oferta com rapidez felina.
— Levo! — Declarou ela, erguendo o queixo. — Sr. Valentino, não pegaria nada bem você levá-la, concorda?
— E por que motivo eu não seria adequado? — Retrucou ele, erguendo uma sobrancelha.
— Porque eu...
— Meu pai veio me buscar. — Interrompeu Luana, encerrando a disputa. — Agradeço a gentileza dos dois.
Liliane e Valentino trocaram olhares carregados de antipatia mútua, frustrados. Luana, porém, estava alheia à tensão infantil entre eles. Sua mente permanecia presa à imagem daquele homem no elevador.
Seria possível existir alguém tão idêntico a ele neste mundo?
Pouco depois, Danilo buscou a filha. Enquanto o veículo deles se afastava, um carro preto estacionado discretamente nas sombras baixou o vidro lentamente. Sob a luz neon difusa da rua, o perfil do homem oculto se tornou visível por um breve instante, observando o carro de Luana desaparecer no trânsito.
...
Uma semana depois, na noite de Natal, a atmosfera na casa de Luana era acolhedora. Ela e o pai compartilhavam um jantar intimista com um pequeno fondue.
— Presente de Natal. Abra, veja se gosta. — Disse Danilo com um sorriso afetuoso, entregando-lhe um pacote embrulhado em veludo vermelho.
Luana recebeu o presente e, ao abrir, notou o logotipo da Rose de Noël gravado na caixa. Dentro, repousava uma pulseira da coleção "Turquesa e Rosas de Natal". Era uma peça rara, de uma edição que havia se esgotado globalmente há anos.
— Pai, isso é incrível! — Exclamou ela, atônita. — Ainda é possível comprar isso? Achei que fosse impossível de encontrar.
— Se eu quero comprar, eu encontro quem venda. — Riu Danilo, orgulhoso de seu feito. — O que as filhas dessas famílias tradicionais têm, a minha filha também terá.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...