— Vocês ficaram sabendo? A Dra. Luana pediu demissão. — Comentou uma das enfermeiras, quebrando o silêncio da copa enquanto organizava os medicamentos.
A colega ao lado arregalou os olhos, incrédula com a notícia repentina.
— Não é possível. Ela estava indo tão bem, por que sairia assim, do nada?
A primeira enfermeira lançou um olhar cauteloso em direção ao corredor para garantir que ninguém ouvia e baixou o tom de voz, em tom de confidência:
— Ouvi dizer que ela foi boicotada pela família Ferraz. Dizem que a pressão foi insustentável.
— Sério? Conta logo os detalhes, estou morrendo de curiosidade!
Sandro, que passava pelo corredor naquele exato momento, captou o teor da conversa. Curioso, se encostou discretamente no batente da porta e aguçou os ouvidos, absorvendo cada detalhe com uma expressão de crescente alarme. Sem perder tempo, disparou em direção ao escritório da diretoria, entrando sem cerimônia.
— Valentino!
O homem sentado atrás da mesa, imerso na análise de documentos, nem sequer levantou a cabeça ao ouvir o chamado.
— A Luana se demitiu? — Questionou Sandro, ofegante.
— Sim. — Respondeu Valentino, com uma calma irritante, sem desviar os olhos do papel.
Sandro franziu a testa, incapaz de compreender tamanha indiferença.
— Como assim "sim"? O que isso significa? Você não gosta dela? Como pôde deixar...
Valentino ergueu finalmente o olhar, sua expressão indecifrável.
— Gostar dela não significa que tenho a obrigação de mantê-la aqui presa.
A resposta fez Sandro bufar, frustrado, como quem olha para alguém que acabou de desperdiçar a chance da vida. Sem argumentos diante daquela frieza aparente, ele deu meia-volta e saiu pisando duro, indignado com a passividade do amigo.
Assim que a porta se fechou, Valentino suspirou e retirou um documento que estava oculto sob a pilha de relatórios. Era um pedido de transferência. Seus dedos deslizaram pelo papel. Ele sabia que gostar dela não implicava em forçá-la a ficar, mas isso não o impedia de criar meios para estar onde ela estivesse. Aproximar-se era uma questão de estratégia.
...
Enquanto isso, no aeroporto, a atmosfera era de partida.
Luana aguardava na sala VIP, a imagem da serenidade. Vestia um vestido verde-claro que realçava sua pele, combinado com botas brancas de salto baixo. O cabelo estava preso em um coque elegante, sustentado por um grampo de jade que denotava um gosto refinado e clássico.
— Mamãe, olha aquela moça... Que linda! — Sussurrou uma voz infantil.
Luana se virou e encontrou os olhos de uma menina de cerca de quatro ou cinco anos, aninhada no colo de uma mulher na poltrona de trás. Com um sorriso gentil, Luana respondeu:

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