O proprietário da loja de conveniência estreitou os olhos ao reconhecer o carro estacionado junto ao meio-fio e, percebendo se tratar de um rosto familiar, aproximou-se com um sorriso amistoso, saudando o motorista:
— Acabou de sair do trabalho? Vai querer levar bebida de novo? O mesmo de sempre?
Valentino confirmou com um breve aceno de cabeça.
— O de sempre.
Sendo um cliente habitual, o comerciante mantinha viva a lembrança de suas preferências, especialmente porque Valentino era praticamente o único que comprava a cerveja San Miguel, uma marca que não tinha muita saída com os outros fregueses da região.
Ao ouvir a voz masculina, Liliane se virou de imediato e, para sua surpresa, deparou-se com o que lhe pareceu ser um bote salva-vidas em meio ao oceano. Seus olhos brilharam de alívio e ela correu até ele, exclamando:
— É você! Que sorte!
Valentino franziu a testa, incomodado, mas antes que pudesse articular qualquer palavra, o dono da loja indagou, confuso:
— Vocês se conhecem?
Sem dar chance para o homem responder, Liliane atropelou a conversa com entusiasmo:
— Somos velhos conhecidos! Os céus realmente não abandonam quem precisa. Pode ficar tranquilo, patrão, quanto custa o aluguel do carregador mesmo? Eu pago!
— É mixaria, não precisa pagar pelo aluguel. Se quiser comprar o carregador portátil inteiro, aí é só escanear o código e pagar. — Dispensou o comerciante com um gesto de mão, virando-se para entrar na loja e buscar a bebida solicitada.
— Obrigada, o senhor é uma alma caridosa! — Gritou Liliane, sorrindo de orelha a orelha, antes de ter sua atenção chamada pela voz fria de Valentino.
— Srta. Liliane, o que faz aqui?
Ela girou nos calcanhares para encará-lo, adotando uma postura descontraída, embora seus olhos denunciassem a urgência.
— Eu me perdi, acredita? Mas que coincidência incrível, o mundo é mesmo um ovo para eu esbarrar logo em você.
— Perdida? — Repetiu ele, cético.
— Ah, a propósito, você tem quinhentos reais aí para me emprestar? — Disparou ela, mudando de assunto com a rapidez de um raio.
Valentino a encarou com uma expressão de total descrença.
— Qual é a sua intenção com isso?
— Vou devolver, não precisa fazer essa cara. Eu tinha dinheiro comigo, mas... fui enganada. — Explicou ela, assumindo um ar de profunda injustiça, e a dramaticidade em sua voz aumentou conforme ela continuava. — Pedi para a Luana vir me buscar, mas meu celular morreu de repente. Caminhei uma eternidade até aqui e, para piorar, o cartão de crédito vinculado ao celular foi bloqueado. Se o dono da loja não tivesse me emprestado o carregador, eu estaria perdida. Estou zerada agora, numa situação humilhante.
Valentino ouviu o desabafo em silêncio e, após um breve zumbido de concordância, indagou com lógica implacável:
A resposta foi o estopim. Liliane desabou num choro repentino e estrondoso, digno de uma atriz de novela:
— Seu canalha sem coração! Viajei milhares de quilômetros até Macondo só por sua causa e é assim que me trata? Fingindo que não me conhece? Você prometeu que cuidaria de mim para sempre!
O dono da loja estacou, boquiaberto. O próprio Valentino sentiu o corpo retesar diante daquelas acusações absurdas, chocado com a audácia. Sua primeira impressão de Liliane fora de arrogância, alguém de quem só se lembrava pela beleza exterior, mas agora acrescentava um novo adjetivo à lista: dramática. Uma verdadeira fingida.
— Essa moça é sua... namorada? — Sussurrou o comerciante, curioso, inclinando-se levemente.
— Não. — Respondeu Valentino, massageando as têmporas que começavam a latejar.
— Como tem coragem de negar?! — Soluçou Liliane, enxugando lágrimas inexistentes com as costas da mão. — Valentino, você me levou para a sua casa, dormimos sob o mesmo teto, vai negar isso também?
— Foi você quem quis... — Começou ele, interrompendo-se bruscamente ao perceber que havia caído na armadilha.
Um brilho astuto cruzou o olhar de Liliane instantaneamente.
— Viu só? Você se lembra muito bem.
O dono da loja balançou a cabeça, admirado com a complexidade e a ousadia dos relacionamentos modernos, e voltou para dentro do estabelecimento. Com o rosto escurecido pela irritação, Valentino tamborilou os dedos no volante e disparou:
— Sua habilidade para caluniar as pessoas é realmente impressionante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...