Liliane sorriu, estreitando os olhos com malícia.
— A reputação arruinada é a minha e eu não me importei, por que você se importaria?
— Eu me importo. — Rebateu ele, desviando o olhar para a estrada à frente. — Até um rato tem mais vergonha na cara do que certas pessoas; dignidade deveria ter limites.
Liliane piscou, confusa com a comparação.
— Está me xingando? É isso?
— Adivinhe. — Lançou ele e, sem dar tempo para que ela processasse a afronta, acelerou o carro, deixando-a para trás numa nuvem de poeira.
— Ei! Valentino, seu desgraçado! — Gritou Liliane, batendo o pé no chão de frustração enquanto observava as luzes traseiras sumirem na estrada. Ela ergueu a mão para socar o ar, mas recolheu o gesto bruscamente, quase acertando o tronco de um plátano próximo. — Que papo foi aquele de rato? Falando em códigos para me insultar, que ódio!
Ela respirou fundo, tentando, sem sucesso, dissipar a fúria que lhe queimava o peito. Ele realmente a deixara ali, sozinha, sem a menor cerimônia. Nem no exterior, nem em Valdória, homem algum jamais a tratara com tamanho desdém. Contudo, após o surto inicial, uma ponta de dúvida surgiu: será que ela havia exagerado na encenação? Afinal, ela já havia atrapalhado as investidas dele com Luana antes...
Enquanto refletia sobre sua conduta, o celular tocou; era Luana.
...
Quando Luana finalmente a encontrou seguindo a localização enviada, Liliane aguardava na beira da estrada. Aliviada por vê-la sã e salva, sem ter sido sequestrada ou algo pior, Luana destravou as portas. Assim que entrou no veículo, Liliane pediu quinhentos reais emprestados e, sem fazer perguntas, a prima transferiu a quantia.
Imediatamente, Liliane saltou do carro, correu até a loja de conveniência e voltou em instantes, afobada, batendo a porta do passageiro.
— Acelera! Vamos embora, rápido!
Sem entender nada, Luana arrancou com o carro, mas ao olhar pelo retrovisor, viu o dono da loja correndo até a calçada, gesticulando.
— Liliane, o que você fez?! — Perguntou, tensa, sem ousar parar devido à urgência da outra. — Quebrou alguma coisa lá dentro?
— Claro que não. — Respondeu Liliane, recostando-se no banco com a tranquilidade de quem tem a consciência limpa.
— Então por que o dono da loja estava correndo atrás de você?


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