Liliane cumprimentou todos com sua alegria habitual e se jogou na cadeira em frente à de Luana, depositando um copo de bubble tea na mesa.
— Toma, comprei pra você. — Disse ela, sorrindo.
Luana piscou, surpresa com a aparição repentina.
— Achei que você tinha desistido de vir trabalhar depois de poucos dias.
— Claro que não! É que a mudança de casa me deixou exausta, precisei recarregar as energias e descansar um pouco. — Explicou Liliane, fazendo um gesto de cansaço exagerado.
Então, seus olhos pousaram no escritório de Valentino, notando as persianas totalmente fechadas, algo incomum para ele.
— Uau, que mistério é esse? Será que ele está escondendo alguma beldade lá dentro? — Os olhos dela brilharam de curiosidade. — Preciso conferir isso agora mesmo.
— Ei, espera, não vai lá... — Luana tentou chamá-la, estendendo a mão, mas a garota já estava na porta.
Liliane se preparava para espiar por uma frestinha, inclinando o corpo, quando subitamente a porta foi aberta por dentro.
Com o movimento brusco e a falta de apoio, ela perdeu o equilíbrio e tombou para dentro da sala. Ricardo, num reflexo rápido, desviou o corpo para o lado para não ser atingido. Valentino até fez menção de segurá-la, mas não foi rápido o suficiente. Liliane acabou caindo de joelhos, prostrada aos pés dele numa pose humilhante.
O silêncio que se seguiu foi absoluto e constrangedor.
Luana levou a mão à testa, suspirando profundamente: "Essa menina só me dá trabalho..."
Valentino ficou imóvel por alguns segundos, olhando para baixo, mas logo recuperou a compostura e comentou, sem alterar a expressão séria:
— Ainda não é Ano Novo, Srta. Liliane. Não precisa de tanta cerimônia ao me cumprimentar.
Liliane sentiu o rosto queimar e desejou que um buraco se abrisse no chão para engoli-la. Ela se levantou rapidamente, limpando a poeira imaginária da saia, e começou a resmungar para disfarçar a vergonha:
— Quem foi o cego que abriu a porta desse jeito e ainda desviou de mim, hein?
Ao se virar para confrontar o "culpado" e dar de cara com Ricardo, ela empalideceu como se tivesse visto um fantasma. Num pulo, correu para se esconder atrás de Valentino, usando-o como escudo humano.
Ricardo soltou uma risada sarcástica, cruzando os braços.
— Você não disse que tinha voltado para Valdória?
— Eu... bem... — Liliane gaguejou, espiando por cima do ombro de Valentino. — Voltar pra lá pra ficar sem fazer nada? Melhor não incomodar a família. Decidi continuar meu trabalho aqui. Sou uma funcionária exemplar e dedicada, sabe?
Ela forçou um sorriso amarelo, tentando parecer convincente.
— Funcionária exemplar? Você? — Ricardo estreitou os olhos, conhecendo exatamente a peça que tinha em mãos. — Pare de inventar desculpas. Vamos, você volta comigo agora.
— Não vou! — Ela mordeu o lábio e correu para fora da sala, agarrando-se ao braço de Luana como um coala numa árvore. — Fico aqui! Foi a Luana que me trouxe, e só saio se ela mandar!
Ricardo massageou as têmporas, sentindo uma dor de cabeça começar a latejar. A teimosia da prima era lendária.
Mas a dúvida agora corroía seus pensamentos. A ideia de subornar a família do idoso atropelado tinha sido de Érica, e ainda assim, durante os dias terríveis em que Yasmin esteve detida na delegacia, a mulher não movera uma palha para ajudá-la; nem sequer mencionara seu nome aos advogados. Lembrando-se dos avisos constantes de Luana, Yasmin começou a suspeitar que tudo não passara de uma armadilha cruel.
Inquieta e precisando de respostas, decidiu confrontar Érica ou, pelo menos, sondar o terreno para confirmar suas suspeitas.
Ao se aproximar do quarto da madrasta, porém, seus passos estancaram. Gemidos abafados e ritmados vinham de dentro.
Ela sabia exatamente o que aquele som significava. O constrangimento a fez recuar, prestes a dar meia-volta, quando um detalhe a gelou, pois ela lembrou que seu pai, Afonso, havia saído cedo naquela manhã para resolver negócios.
O sangue fugiu de seu rosto. Ela olhou para a porta fechada, o coração batendo descompassado contra as costelas. Aproximou-se sorrateiramente, prendendo a respiração, e encostou o ouvido na madeira fria.
— Ai... vai devagar, seu louco! Alguém pode ouvir! — Sussurrou a voz inconfundível de Érica, entre arquejos.
Pouco depois, uma voz masculina respondeu, grossa e impaciente:
— Medo de quê? Os empregados estão na hora da sesta e o velho ainda demora a voltar. O que foi, amor? Não está gostando?
Yasmin reconheceu a voz num instante. O choque a fez levar as mãos à boca para abafar um grito de horror.
Era César!
Ele estava tendo um caso com Érica! E tinham a audácia e a falta de caráter de fazer aquela sujeira ali, dentro da casa da família, em plena luz do dia.
Trêmula, mas movida por uma súbita clareza e raiva, Yasmin sacou o celular do bolso e gravou um trecho do áudio. Com a prova do crime salva, afastou-se dali o mais rápido que suas pernas permitiam, antes que fosse descoberta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...