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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 690

Naiara escondeu o bilhete às pressas dentro de sua caixa de maquiagem. Em seguida, vestiu o casaco, atravessou a sala e abriu a porta com extrema cautela.

A porta mal havia se aberto e, antes mesmo que ela pudesse ver quem era, o homem invadiu o apartamento. Um cheiro forte de álcool o acompanhava, e seus passos eram tão vacilantes que ele acabou esbarrando no móvel do saguão, derrubando o vaso decorativo no chão.

Naiara recuou dois passos, paralisada pelo susto.

— Senhor... Seu Bernardo? — Gaguejou ela.

Bernardo tentou firmar os pés no chão e, com um gesto brusco, desabotoou o colarinho da camisa.

— Eu já não disse para me chamar apenas pelo nome? — Retrucou ele, com a voz arrastada.

Ele ergueu o rosto e fixou os olhos nela. No entanto, seu olhar parecia atravessá-la, como se buscasse enxergar a imagem de outra pessoa no rosto da garota.

A tensão tomou conta de Naiara. Ela umedeceu os lábios ressecados antes de arriscar perguntar:

— O que faz aqui a uma hora dessas? Eu... eu vou buscar um copo de água para você.

Ela virou as costas e seguiu direto para a cozinha. Ao notar pelo canto do olho que Bernardo havia se jogado no sofá da sala, percebeu que suas próprias mãos tremiam enquanto enchia o copo.

"Ele não tem nenhum interesse em mim, mas ficar sozinha com um homem embriagado no meio da noite é pedir para ter problemas. Todo cuidado é pouco nessas horas.", pensou ela, tentando acalmar os nervos.

Com um suspiro fundo, seus olhos pousaram sobre a tesoura esquecida em cima da bancada.

Retornando à sala, ela colocou o copo de água sobre a mesa de centro e recuou para manter uma distância segura. Bernardo já havia tirado o paletó e estava esparramado no encosto do sofá, sem demonstrar a menor pressa em matar a sede.

Ele virou o rosto para encará-la. Talvez fosse o efeito da meia-luz do ambiente, mas, por uma fração de segundo, os traços da jovem pareceram se fundir com os de outra mulher em sua mente embotada.

— Luana... — Murmurou Bernardo, soltando uma risada cheia de amargura logo depois. — Se nada daquilo tivesse acontecido, ainda seríamos amigos, não é verdade?

Naiara não ousou dar um pio, muito menos fazer perguntas para entender a situação.

O silêncio, porém, durou pouco. Num movimento brusco, Bernardo se projetou para frente e agarrou o pulso dela com força.

— Responde! — Exigiu ele.

O rosto da moça perdeu toda a cor. Desesperada, ela tentou se soltar do aperto opressor.

— Senhor Bernardo, o senhor está me confundindo com outra pessoa!

— Mandei você responder! — O aperto ficou ainda mais cruel, a ponto de quase esmagar os ossos da garota.

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