O fim de tarde trouxe consigo um céu carregado e escuro.
Na sala de jantar, Helena já perdia a paciência após esperar um bom tempo sem qualquer sinal de Anabela para a refeição. Irritada, ordenou que o mordomo subisse para chamá-la, mas o funcionário permaneceu imóvel, hesitando em cumprir a ordem.
— Eu não mandei você ir chamá-la? — Questionou Helena, erguendo o olhar com severidade.
O mordomo pigarreou antes de responder com cautela.
— Sra. Helena, a Srta. Anabela não parecia nada bem quando chegou em casa hoje mais cedo. O semblante dela estava muito estranho.
Helena revirou os olhos, convencida de que a filha estava apenas fazendo mais uma de suas birras. Ela já sabia que Bernardo a havia deixado sozinha durante a prova do vestido de noiva naquela tarde.
— É só um contratempo bobo e ela já faz esse drama todo. — Resmungou Helena, voltando a atenção para a mesa.
Um grito agudo e aterrorizante ecoou do andar de cima, cortando o silêncio da casa. O som fez o sangue de Helena gelar. Sem pensar duas vezes, ela largou os talheres sobre a mesa e disparou escada acima, com o coração batendo descompassado.
— Fica longe de mim! Não fiz por mal! Juro que não queria! — A voz da garota falhava em meio ao desespero.
— Anabela! — Helena escancarou a porta do quarto e a cena a deixou em choque.
A filha estava encolhida em um canto da cama, enrolada nas cobertas até o pescoço. O rosto da jovem estava pálido como cera, e os olhos, injetados de sangue, transbordavam um pânico visceral, como se ela tivesse acabado de presenciar a própria morte.
O mordomo, que a havia seguido, tentou se aproximar.
— Senhorita Anabela, o que aconteceu?
A garota apertou as mãos contra a cabeça e soltou outro grito estridente.
— Não chega perto! A culpa não foi minha! Eu nunca quis que você morresse!
O peso daquelas palavras atingiu Helena em cheio. Uma expressão sombria tomou conta do seu rosto. Ela avançou a passos largos, segurou a filha pelos ombros com firmeza e a chacoalhou de leve.
— Anabela, olha para mim! Sou eu! É a sua mãe!
— Sai daqui, por favor... me deixa em paz... — Implorava a jovem, soluçando.
A imagem do corpo ensanguentado e sem vida de Naiara estava cravada em sua mente, impedindo qualquer resquício de lucidez. O corpo inteiro de Anabela tremia sem parar, dominado pelo choque. Percebendo a gravidade da situação, Helena puxou a filha para um abraço apertado, mudando o tom de voz para um sussurro protetor.
— Calma, meu amor. Não precisa ter medo de nada. A mamãe está aqui com você e ninguém vai te machucar. — Por cima do ombro da garota, ela lançou um olhar cortante para o mordomo, sinalizando para que ele saísse e fechasse a porta.
Além do mais, Anabela nem planejava vazar as fotos comprometedoras. Era apenas uma carta na manga para chantagear o noivo. Nada justificava um desfecho tão extremo.
Mas o estrago já estava feito e não havia como voltar no tempo. O silêncio tenso do quarto foi interrompido por batidas discretas na porta.
— Sra. Helena? — Chamou o mordomo do corredor.
— O que foi agora? — Disparou ela, com os nervos à flor da pele pela confissão da filha.
— O senhor Bernardo acabou de chegar. Ele insiste em falar com a senhorita Anabela.
— Não quero ver a cara dele! Não deixa ele subir! — Anabela entrou em pânico, sabendo muito bem o motivo daquela visita inesperada. Ela tapou os ouvidos com as mãos e voltou a se esconder debaixo das cobertas.
Diante do desespero da filha, Helena deixou as aparências do noivado de lado. Ela ordenou que o funcionário mandasse o rapaz embora. No entanto, antes que o homem pudesse se afastar, ela mudou de ideia.
— Espera um pouco.
A matriarca ajeitou o xale de seda sobre os ombros, tentando disfarçar o tremor nas mãos. Quando voltou a falar, sua voz soou fria e calculista.
— Leve ele para a sala de estar e ofereça algo para beber. Diga que a Anabela passou mal, tomou um remédio forte e acabou de adormecer. Invente que ela não tem condições de receber visitas hoje. — Helena cravou as unhas na palma da mão, calculando os próximos passos. — Faça as honras da casa, mas preste muita atenção, bico fechado. Se ele fizer perguntas difíceis, finja que não sabe de nada. Tente descobrir o que ele veio fazer aqui e qual é o clima da conversa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...