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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 702

Em poucos minutos, o mordomo já estava do lado de fora da mansão, caminhando até o carro de luxo estacionado na entrada. Ele parou ao lado da janela do motorista com uma postura submissa.

— Senhor Bernardo, peço mil desculpas, mas a senhorita Anabela teve um mal-estar terrível. Ela tomou uma medicação e acabou de pegar no sono. Seria impossível acordá-la agora. O senhor aceitaria entrar e aguardar um pouco na sala?

Bernardo mantinha uma expressão sombria, com o maxilar travado. Sem sequer virar o rosto para encarar o funcionário, ele soltou uma risada carregada de sarcasmo.

— Que coincidência maravilhosa, não acha? Logo depois de causar um estrago colossal, ela decide ficar doente de uma hora para outra.

O mordomo engoliu em seco, evitando prolongar o assunto.

— Sobre isso, eu não saberia informar, senhor. — Respondeu, mantendo um sorriso amarelo e profissional.

Bernardo bufou, virando o rosto devagar para fuzilar o homem com o olhar. O tom de voz era cortante como uma navalha.

— E para a nossa festa de noivado daqui a alguns dias? Será que a saúde dela vai permitir que ela compareça?

— Ah, com certeza. Isso não será um problema. — Garantiu o mordomo de bate-pronto.

Bernardo acionou o botão para fechar o vidro do carro, deixando um último aviso no ar.

— É bom mesmo que ela não estrague a festa de noivado.

Assim que a janela subiu, isolando o interior do veículo, qualquer traço de ironia sumiu do rosto dele, dando lugar a uma frieza assustadora. O motorista espiou pelo retrovisor, medindo as palavras antes de quebrar o silêncio.

— Sr. Bernardo... e sobre a situação da senhorita Naiara?

— Aquela desgraçada da Anabela teve a audácia de mexer com o que é meu! — Rosnou Bernardo, fechando os olhos e trincando os dentes com tanta força que a mandíbula estalou. — No dia do noivado, vou cobrar essa dívida. A família Ferraz vai pagar por tudo, com juros e correção.

A verdade era que Bernardo mantinha Naiara por perto por puro egoísmo e segundas intenções. A morte dela não chegou a quebrar o seu coração, mas o deixou com um gosto amargo de perda material. Era como se ele tivesse encontrado um animal de estimação exótico, dócil e perfeito para os seus caprichos, mas alguém tivesse quebrado o brinquedo antes mesmo que ele pudesse aproveitá-lo direito. Por isso, ao descobrir que Anabela havia invadido o apartamento da moça pouco antes da tragédia, o seu instinto foi ir até lá tirar satisfações.

Respirando fundo para controlar a fúria que queimava no peito, ele deu a ordem final.

— Sobre a Naiara... mande uma quantia generosa para o pai dela. Garanta que o velório seja de alto nível.

...

Sem provas concretas e com a polícia tratando o caso como suicídio, bastava que todos os envolvidos combinassem a mesma mentira. A verdadeira história seria enterrada para sempre.

A conversa foi interrompida pelo som de pneus freando. Um carro preto e desconhecido estacionou em frente ao portão da casa. Luana e Sebastião trocaram um olhar desconfiado antes de caminharem até a rua.

Um homem de terno desceu do veículo e, ao notar a presença dos dois, fez um aceno respeitoso.

— Sra. Luana.

Luana estreitou os olhos, analisando o sujeito de cima a baixo.

— E quem seria você?

— Trabalho para o senhor Bernardo. Fui encarregado de lhe entregar isto em mãos. — Explicou o homem, mantendo a postura formal enquanto estendia um envelope luxuoso. Era um convite de noivado.

A primeira reação de Luana foi recuar. Ela abriu a boca para recusar a entrega, mas o mensageiro foi mais rápido, antecipando a rejeição.

— O meu patrão fez questão de frisar que a sua presença é indispensável. Ele pediu para avisar que, se a senhora não quiser ir por ele, que vá em memória da senhorita Naiara.

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