Longe dali, Naiara terminava de repassar o trajeto de sua fuga, planejada para os próximos dias. A decisão estava tomada, não levaria bagagem nenhuma. Apenas seus documentos de identidade e os cartões do banco. Até mesmo o celular ficaria para trás, cortando qualquer rastro que a ligasse àquela vida.
"Que esse dia chegue logo.", desejava ela, com o peito apertado de ansiedade e esperança de recomeçar.
O toque estridente da campainha a puxou de volta para a realidade. Num salto, ela escondeu o caderno de anotações no fundo da gaveta e caminhou em direção à sala.
"Mas o Bernardo não tinha ido acompanhar a senhorita Anabela na prova do vestido? O que ele faz aqui a essa hora?", pensou ela, intrigada.
Porém, assim que destrancou a porta, o sangue sumiu do seu rosto.
Três homens robustos invadiram o apartamento como um trator, agarrando-a pelos braços antes que ela pudesse reagir. Tomada pelo pânico, Naiara se debateu com todas as forças que tinha.
— O que é isso? Quem são vocês? Me soltem! — Gritou ela, desesperada.
A resposta não veio deles. Passos calmos e elegantes soaram no corredor, até que Anabela surgiu na soleira da porta, ostentando um sorriso cruel.
Naiara arregalou os olhos, em completo choque.
— Você?
A recém-chegada adentrou o apartamento luxuoso, examinando a decoração acolhedora com profundo desdém.
— O Bernardo tem péssimo gosto para esconderijos. — Zombou Anabela, rindo com frieza. — Se queria sustentar uma amante, deveria ter escolhido um buraco bem longe daqui. Ficar num lugar tão óbvio não é nada inteligente para quem quer pular a cerca.
— Senhorita Anabela, por favor, a senhora está entendendo tudo errado! — Naiara tentou manter a voz firme, mesmo tremendo da cabeça aos pés. — Não tenho a menor intenção de ter um caso com o senhor Bernardo. O meu plano era ir embora de vez no dia do casamento de vocês. Eu juro que nunca mais cruzaria o seu caminho.
Mas as palavras sinceras bateram num muro de arrogância.
— Você acha que nasci ontem? — Anabela deu uma gargalhada seca e irônica. — Como se você fosse abrir mão de uma mina de ouro dessas. Guarde essas mentiras para quem acredita.
— Estou falando a verdade! Eu...
Antes que pudesse terminar, Anabela agarrou seu rosto com força, cravando as unhas em suas bochechas. O olhar da dondoca era puro ódio.
— E daí se for verdade? O simples fato de olhar para a sua cara já me embrulha o estômago. Você deu azar na vida, garota. O seu maior pecado foi ter nascido com o mesmo rosto daquela desgraçada da Luana.
Um calafrio percorreu a espinha de Naiara. Ela não fazia a menor ideia da rixa que envolvia Anabela e Luana, e aquela definitivamente não era a hora para descobrir.
Anabela a empurrou de lado, sacudindo as mãos com nojo, e abriu um sorriso perverso.
— Pode ser que eu não consiga encostar um dedo naquela vagabunda, mas você está bem aqui, nas minhas mãos. — Ela se virou para os brutamontes e deu a ordem final. — Divirtam-se. E não se esqueçam de tirar bastante fotos e mandar tudo para o celular do Bernardo. Quero que ele aprecie cada detalhe da festinha da mulher dele.
Ao ouvirem o comando, os homens trocaram olhares maliciosos, avançando como animais famintos sobre a presa.
O coração de Naiara afundou num abismo sombrio. O terror tomou conta de seu corpo, e ela lutou como um bicho encurralado. Suas unhas rasgaram o braço de um dos agressores, deixando marcas profundas que sangraram na hora.
Irritado com a dor, o homem a empurrou com violência contra a parede de alvenaria. O impacto na nuca foi tão forte que a visão dela escureceu, e um zumbido estrondoso tomou conta de seus ouvidos.
Luana estava parada em frente ao grande espelho do closet, medindo a cintura com uma fita. O resultado não mentia. Ela havia ganhado medidas consideráveis. Com a fome incontrolável que vinha sentindo nas últimas semanas, as mudanças no corpo seriam impossíveis de esconder até as festas de fim de ano.
"É, parece que o destino realmente não quer que eu continue em Oeiras.", refletiu ela, soltando um longo suspiro.
O toque repentino do celular em cima da penteadeira quebrou o silêncio do ambiente. Era o Sebastião.
Ela caminhou até o aparelho e atendeu a ligação. Bastaram poucas palavras do outro lado da linha para que a expressão de Luana congelasse por completo. Ela ficou petrificada, sem conseguir mover um único músculo por vários segundos, encarando o nada.
Quando finalmente encontrou forças para articular alguma coisa, sua voz saiu fraca e arranhada:
— Como... como ela está?
— A lâmina perfurou a artéria principal. Quando os paramédicos chegaram ao apartamento, já era tarde demais. Não conseguiram reanimá-la. — O tom de Sebastião era carregado de pesar.
Luana afastou o telefone do ouvido em câmera lenta, incapaz de processar o resto da informação.
"A Naiara cometeu suicídio? Mas ela me disse que só precisava de mais alguns dias para fugir... Como as coisas terminaram assim tão rápido?", sua mente girava num redemoinho sombrio de confusão e desespero.
— Senhora Luana? A senhora ainda está aí? — A voz de Sebastião ecoava no fone, trazendo-a de volta à dura realidade.
Ela puxou o ar com força, enchendo os pulmões, e encostou o celular no rosto novamente, agora com os olhos queimando de raiva e determinação.
— Descubra o que aconteceu. Vá atrás de cada detalhe, por menor que seja. A Naiara tinha planos, ela jamais tiraria a própria vida do nada!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...