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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 715

— Chega. — Janice interveio, os olhos transbordando de uma dor que só uma mãe conseguiria sentir ao ver o filho entregue à própria ruína. — Não precisamos nos comparar com eles, meu filho. Você não tem que provar nada a ninguém. Tudo isso vai passar, eu prometo a você.

Bernardo ajeitou o travesseiro e deitou a cabeça, o olhar vazio indicando que aquelas palavras de consolo não faziam a menor diferença.

— Vou dormir. — Murmurou ele, virando o rosto para a parede.

— Olhe só para a atitude dele... — Joaquim tentou reclamar, a voz carregada de indignação.

— Não diga mais nada. — Janice o cortou de imediato. Com os olhos vermelhos e marejados, ela segurou o braço do marido com firmeza. — Deixe o Bernardo descansar em paz. Conversamos lá fora.

...

Longe daquela atmosfera pesada do hospital, a noite na cidade seguia seu curso.

As luzes vibrantes de neon da margem oposta se estendiam pelo reflexo escuro do rio, criando um cenário acolhedor. Luana e Ricardo ocupavam uma mesa reservada perto da janela do restaurante. Nas taças de cristal, pequenas bolhas subiam à superfície das bebidas geladas, enquanto a sobremesa servida nos pratos de porcelana ainda conservava um calor convidativo.

Com gestos calmos, Ricardo colocou uma tortinha de mirtilo no prato dela.

— O que você prefere fazer amanhã? Quer visitar aquele museu de arte ou prefere caminhar pelas ruas do centro histórico e ver as feirinhas locais?

Luana apoiou o queixo nas duas mãos, os olhos brilhando de empolgação.

— Não podemos fazer os dois?

— Só tenho a manhã livre. — Ele ergueu o olhar, abrindo um sorriso contido. — É uma pena.

— É verdade. Acabei esquecendo que estou lidando com um homem de negócios muito ocupado. — Ela soltou um suspiro exagerado, fingindo decepção. — Então vamos caminhar pelo centro. Faz muito tempo que não passeio pelas ruas históricas de Oeiras.

No mesmo instante, a expressão de Ricardo mudou. Ele fixou os olhos escuros nela, um olhar tão intenso que parecia capaz de enxergar através de seus segredos.

— Você não vai passar Carnaval em Oeiras?

Luana paralisou. O sobressalto durou apenas um segundo, mas foi o bastante para que ela precisasse disfarçar. Pegou a taça e deu um gole lento na bebida antes de responder.

— Ainda não decidi os meus planos. Por quê? Já está com saudades?

— Nem um pouco. — A resposta veio rápida, fazendo o sorriso dela desaparecer na mesma hora. Notando a reação, ele encostou na cadeira e acrescentou, com um tom de voz preguiçoso e charmoso. — Afinal, não é como se fôssemos parar de nos ver para sempre.

Luana preferiu o silêncio. Baixou os olhos para o prato, guardando para si a verdade que não podia revelar.

"É bem provável que a gente só volte a se ver depois que o bebê nascer.", pensou ela, sentindo um aperto sutil no peito.

Quando terminaram o jantar, Ricardo chamou o garçom para fechar a conta. Num gesto de cavalheirismo natural, ele pegou o casaco e a bolsa dela. Os dois deixaram a área reservada do restaurante, caminhando um atrás do outro em direção à saída.

Ele preferiu o silêncio, fechando os olhos por um breve momento para recuperar o fôlego. Preocupada, Luana virou o rosto para encará-lo e sussurrou:

— Ricardo...

— Fique tranquila, está tudo intacto. — Ele abaixou o rosto, os lábios roçando na orelha dela a cada palavra. — Se duvidar, pode testar para ter certeza.

Uma onda de calor subiu pelo pescoço de Luana. Sorte a dela que a escuridão do carro escondia o rubor intenso em suas bochechas.

— Não quero testar nada agora... — Ela murmurou, encolhendo os ombros para fugir das cócegas que a respiração dele causava em sua pele.

Quando olhou para a frente em busca de socorro, notou que o motorista, em algum momento discreto, havia subido a divisória de vidro, isolando a cabine traseira.

Ricardo soltou uma risada baixa e sedutora.

— Quer testar mais tarde, então?

Sem pensar duas vezes, ela virou a mão e cobriu a boca dele.

— Chega, não fale mais nada!

Mesmo com a boca tapada, os olhos escuros do homem transbordavam uma diversão genuína e afetuosa.

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