— Chega. — Janice interveio, os olhos transbordando de uma dor que só uma mãe conseguiria sentir ao ver o filho entregue à própria ruína. — Não precisamos nos comparar com eles, meu filho. Você não tem que provar nada a ninguém. Tudo isso vai passar, eu prometo a você.
Bernardo ajeitou o travesseiro e deitou a cabeça, o olhar vazio indicando que aquelas palavras de consolo não faziam a menor diferença.
— Vou dormir. — Murmurou ele, virando o rosto para a parede.
— Olhe só para a atitude dele... — Joaquim tentou reclamar, a voz carregada de indignação.
— Não diga mais nada. — Janice o cortou de imediato. Com os olhos vermelhos e marejados, ela segurou o braço do marido com firmeza. — Deixe o Bernardo descansar em paz. Conversamos lá fora.
...
Longe daquela atmosfera pesada do hospital, a noite na cidade seguia seu curso.
As luzes vibrantes de neon da margem oposta se estendiam pelo reflexo escuro do rio, criando um cenário acolhedor. Luana e Ricardo ocupavam uma mesa reservada perto da janela do restaurante. Nas taças de cristal, pequenas bolhas subiam à superfície das bebidas geladas, enquanto a sobremesa servida nos pratos de porcelana ainda conservava um calor convidativo.
Com gestos calmos, Ricardo colocou uma tortinha de mirtilo no prato dela.
— O que você prefere fazer amanhã? Quer visitar aquele museu de arte ou prefere caminhar pelas ruas do centro histórico e ver as feirinhas locais?
Luana apoiou o queixo nas duas mãos, os olhos brilhando de empolgação.
— Não podemos fazer os dois?
— Só tenho a manhã livre. — Ele ergueu o olhar, abrindo um sorriso contido. — É uma pena.
— É verdade. Acabei esquecendo que estou lidando com um homem de negócios muito ocupado. — Ela soltou um suspiro exagerado, fingindo decepção. — Então vamos caminhar pelo centro. Faz muito tempo que não passeio pelas ruas históricas de Oeiras.
No mesmo instante, a expressão de Ricardo mudou. Ele fixou os olhos escuros nela, um olhar tão intenso que parecia capaz de enxergar através de seus segredos.
— Você não vai passar Carnaval em Oeiras?
Luana paralisou. O sobressalto durou apenas um segundo, mas foi o bastante para que ela precisasse disfarçar. Pegou a taça e deu um gole lento na bebida antes de responder.
— Ainda não decidi os meus planos. Por quê? Já está com saudades?
— Nem um pouco. — A resposta veio rápida, fazendo o sorriso dela desaparecer na mesma hora. Notando a reação, ele encostou na cadeira e acrescentou, com um tom de voz preguiçoso e charmoso. — Afinal, não é como se fôssemos parar de nos ver para sempre.
Luana preferiu o silêncio. Baixou os olhos para o prato, guardando para si a verdade que não podia revelar.
"É bem provável que a gente só volte a se ver depois que o bebê nascer.", pensou ela, sentindo um aperto sutil no peito.
Quando terminaram o jantar, Ricardo chamou o garçom para fechar a conta. Num gesto de cavalheirismo natural, ele pegou o casaco e a bolsa dela. Os dois deixaram a área reservada do restaurante, caminhando um atrás do outro em direção à saída.
Ele preferiu o silêncio, fechando os olhos por um breve momento para recuperar o fôlego. Preocupada, Luana virou o rosto para encará-lo e sussurrou:
— Ricardo...
— Fique tranquila, está tudo intacto. — Ele abaixou o rosto, os lábios roçando na orelha dela a cada palavra. — Se duvidar, pode testar para ter certeza.
Uma onda de calor subiu pelo pescoço de Luana. Sorte a dela que a escuridão do carro escondia o rubor intenso em suas bochechas.
— Não quero testar nada agora... — Ela murmurou, encolhendo os ombros para fugir das cócegas que a respiração dele causava em sua pele.
Quando olhou para a frente em busca de socorro, notou que o motorista, em algum momento discreto, havia subido a divisória de vidro, isolando a cabine traseira.
Ricardo soltou uma risada baixa e sedutora.
— Quer testar mais tarde, então?
Sem pensar duas vezes, ela virou a mão e cobriu a boca dele.
— Chega, não fale mais nada!
Mesmo com a boca tapada, os olhos escuros do homem transbordavam uma diversão genuína e afetuosa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...